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Mostrando postagens de Janeiro, 2008
DEDILHADO EM NOITE MOLHADA E FRIA (não tão molhada e, também, não tão fria) boomp3.com A noite estava molhada e fria. Não tão fria, para falar a verdade, e também nem tão molhada. A impressão de umidade e gelo era menos real e mais fantástica. Era conseqüência da chuva fina, porém intensa, que havia parado de desabar há pouco na cidade cinza. O asfalto, palco, tornou-se brilhante, vivo e aceso. Um mosaico de cores e texturas. Um carrossel de delírios e reflexos. Palco perfeito para putas, drug dealers, travestis, ingênuos, vividos, enfim, toda sorte de pessoas. Normais ou não. O asfalto, ainda úmido, tornou-se espelho. Espelho de rostos desconhecidos, de desejos lascivos e impertinentes. Desejos típicos e comuns. Desejos devassos e sinceros. Solidão e medo. Medo da luz e do que se pode ver com ela. Medo e desejo. Enfim, a noite no centro velho da cidade cinza estava molhada e fria. Não tão fria, para falar a verdade, e também nem tão mais molhada. E ele, sozinho, da sacada