Pular para o conteúdo principal

SONHO. SONHO?

OUÇA: stello || so in love

Ela sentiu o toque.
Sentiu o detalhe das fortes mãos dele percorrendo o seu corpo. 
O corpo inteiro.
Suave.
Atrevido.
Delicado e adorável.
Toques intensos.
Espirais.
Crescentes.
Sentiu um calor, um tremor, um arrepio forte, sem saber exatamente donde vinha.
Um arrepio delicioso.
Sentiu quando ele a segurou firme pelas mãos e a levantou da cama abraçando-a com leveza.
Noite fria, agora quente.
Ela abriu os seus olhos devagar, numa tentativa de encontrar os dele. 
Ele não deixou.
Não.
Não mesmo.
Com suas mãos grandes, ele gentilmente a impediu, segurando com suavidade as suas pálpebras e as mantendo fechadas. 
O aroma do perfume das mãos dele a invadiu e ela apenas sorriu, sem resistência.
Concordou.
Ele a abraçou com uma elegância rara. 
Uma delicadeza raramente por ela sentida.
Ela sentiu de forma ainda mais intensa o calor, o tremor, o arrepio forte, mas agora sabendo exatamente donde vinha.
Um arrepio delicioso.
Sentiu como se flutuasse, como se eles estivessem acima do chão.
Uma espécie de coreografia improvisada, porém perfeita.
Não havia música.
Não.
Os únicos sons no ambiente vinham da respiração deles e nada mais.
Nada mais.
Os únicos aromas no ambiente vinham do perfume das mãos dele e do incenso que ela havia acendido antes.
Nada mais.
E ela apenas o sentia, de forma intensa e vibrante.
Viva.
Muito viva.
Estava feliz em saber que ele havia voltado de outro país, sem sequer a avisar.
Uma onda de amor a derreteu. 
Ela sentiu uma brisa leve acariciar o seu rosto enquanto sorria de olhos fechados.
Prazer.
Sentiu uma alegria quase inédita.
Quis chorar, porém decidiu apenas sorrir.
E sorriu muito, enquanto eles rodopiavam pelo quarto uma, duas, quinze, várias e várias vezes.
Ela perdeu a conta.
Entregue estava.
Feliz.
De repente, ela sentiu os lábios dele pressionados junto aos seus.
Lábios grandes e grossos.
Sabor madeira.
Um beijo.
O melhor de todos.
E ela abriu os olhos.
Abrupta.
Abriu os olhos de um modo veloz como sentiu aquele beijo.
Tão rápido e rápido demais a ponto de sentir uma tontura como se tivesse desabado de uma altura inimaginável.
Estava suando.
Muito.
Taquicardia.
Olhou ao redor e nada viu.
Nada. 
Ninguém.
Estava deitada na sua cama, porém sem seu lençol.
Estava deitada exatamente do mesmo modo em que se deitou.
Olhou no relógio vagabundo que estava no armário, perto dos livros que um dia ela jurou ler e ficou espantada.
Muito.
Não havia passado nem vinte minutos das duas e meia da madrugada, a hora em que ela se deitou.
Ela olhou surpresa ao redor.
Não acreditou.
Não havia ninguém.
Ninguém.
Ela sorriu pela dança, pelo toque, pelo amor, pela visita, pelo desejo, enfim, por ter sentido.
Boa noite, amor – ela sussurrou, baixinho, antes de se cobrir com o lençol cor barbante e virar em direção a janela para, enfim, dormir feliz.
Muito e muito feliz.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

TIJOLOS APARENTES

OUÇA: kate bollinger || candy
- Então? – ela perguntou com um olhar indisfarçável de carinho e cuidado, antes de abrir a porta para ele sair. Ele sorriu, meneou a cabeça e não soube responder de primeira. - Então? – ela insistiu e continuou – Não vai me dizer nada? Nada? Ele levantou a cabeça e a olhou com a maior ternura do mundo e respondeu – Eu adorei. Simplesmente adorei. Ela não escondeu um sorriso genuíno e disse – Fico contente. Você nem imagina o quanto. Nem imagina. - Imagino sim. Imagino sim. - Do que mais gostou? – ela prosseguiu em sua suave inquisição. Doce inquisição. - Do que mais gostei? – ele repetiu. Ela assentiu com a cabeça e disse – Sim. Não vou deixá-lo ir embora sem me responder. Não posso. Você ficou aqui a tarde toda comigo e eu apenas adoraria saber. Ele a olhou com carinho e ternura. Disse, divertido – Do que mais gostei? Bem, além de você servir um adorável capuccino? Ela sorriu e emendou – Deixa de ser bobo. Não foi capuccino nenhum. Fale. Eu sinto no seu olhar. Só pr…

SHALL WE DANCE

OUÇA: rosalyn || loverfriend
- Então, aceita dançar esta música? – ele pediu, com gentileza e suavidade. Ela sorriu. E ele estava trêmulo e nervoso. Ansioso. Ela estava alegre e linda. Serena. E quando as primeiras notas do piano soaram na caixa de som, os dois se aproximaram e os seus braços se encontraram. Entrelaçaram. Um elegante e suave toque em uma condução apropriada para o som de notas belas e delicadas. Ela o conduzia. Ele também. E a canção era densa e envolvente, apaixonada, e as notas voavam e flutuavam pela sala da sala. Os braços entrelaçados revelavam uma cumplicidade sem igual. Rara. Poucas vezes vista. Poucas vezes sentida. Nunca? Não daquela maneira. Não como naquela noite. Talvez em outros tempos, mas não como naquele exato instante. E entre braços entrelaçados e desejos agora não mais escondidos, o perfume dos cabelos misturado ao cheiro das tintas era inebriante. Aroma de camomila. Aroma de vontades. Desejos e sorrisos. Ela o conduzia. Ele também. O toque entre eles era suave, assim como os…

ERA O QUE FARIA LOU REED

OUÇA: antoine diligent || nobody loves u
Clube Varsóvia, duas e meia da madrugada. Mais uma noite. Mais um cigarro. Mais um chato chegando perto. - Oi – o garoto loiro disse, com aquela voz quase bêbada e mole, derretendo as sílabas. A moça alta de preto nem o olhou e ficou em silêncio. Aproveitou e brincou com o seu cigarro entre os seus longos e espessos dedos antes de dar mais uma tragada naquele Marlboro. - Oi – ele insistiu – E aí? Tudo bem? Ela pensou um instante, desistiu do cigarro, pegou o copo cheio de gim à sua frente e tomou mais um gole. Ausência de resposta em retorno. “Ainda bem que há um DJ no local” – ela agradeceu em pensamento. - Ah, fala alguma coisa – ele pediu – Você é bonita, sabe? Bastante bonita. Ela tomou ainda mais um gole, deixou o copo no balcão e se virou na direção do garoto loiro. Depois de alguns momentos o observando, disse – Oi. Está tudo bem sim. Exceto o incômodo. - É, realmente. Um incômodo. Também acho que o volume está muito alto hoje. O DJ devia perceber is…