Pular para o conteúdo principal
DISCOS DE VINIL NÃO SALVAM VIDAS?

- Discos de vinil não salvam vidas - Bia sentenciou, profana e canalha
Nanda abriu os olhos em choque - Não? Como não?
- Não, porra. Definitivamente, discos de vinil ou fitas cassete ou ipods ou seja lá o diabo, não salvam vidas. Não.
- Você enlouqueceu? - disse Nanda.
Bia sorriu um sorriso sinistro, triste, inadequado à felicidade. Adequado ao seu momento.
- Claro que salvam. Se você não desistir de se matar ao ouvir Marvin Gaye e Tammi Terrell juntos e cantando apaixonadamente, então não sei o que mais pode te ajudar.
- Nhá. Isso é para você, ingênua e esperançosa.
- Se eu me fodesse, não me afogaria em etanol barato. Me afogaria em lágrimas ao som de um bom soul dos 60s. Estaria salva.
- Que patético.
- Você precisa de um choque de realidade. Um choque de vida. Você precisa de cores.
= Vai começar. Já te disse para parar - pediu Bia.
- Parar nada. Você precisa mesmo. De vida, porra.
- Pára de encher. Você está me irritando - disse Bia.
- Eu preciso te encher para você ver.
- Que tédio.
- Você precisa de um choque de paixão. Uma paixão repentina, uma paixão...
- Um choque de vodka e nicotina e entorpecentes - interrompeu Bia - Isso sim eu preciso.
- Você precisa amar - suspirou Nanda.
Bia olhou para ela furiosa e surpresa. Ferida, disparou sem dó - Amar? Amar? Amar? Que porra você sabe do amor? Que porra você sabe da vida? Que porra você sabe de tomar foras?
Nanda tentou "desdizer" o que havia dito. Tarde demais.
- Você pensa que é fácil amar o lado escuro da lua? O lado errado da vida? Vá se foder Nanda. Vá se foder.
Nanda tentou, desesperada, segurar as lágrimas.
- Você pensa que tudo é muito simples. Quebrar a cara e tomar uma porrada e ficar quieta. Aí vem você com um disco de vinil cafona de canções de amor e acha que vai ajudar? Puta que o pariu Nanda. Vai embora, por favor. E leva esta porra de disco daqui.
Nanda saiu rápido do pequeno apartamento, com o velho Marvin Gaye nas mãos. Não queria que Bia visse seu desespero. Cedo demais. Errado demais. Fez besteira.
- Eu te amo Bia - suspirou Nanda, quase inaudível, agarrada ao seu disco de vinil - Eu simplesmente te amo...
E no final das contas, quem vai dizer que os discos de vinil não salvam vidas?
Quem...?

Comentários

Nina 512 disse…
te leio bastante

adoro seus textos

e por causa desse blog q fiz o meu

queria trocar contatos...






bjox x x
Anônimo disse…
discos falam por você quando a alma sangra demais pra fazê-lo, afinal.
e seus textos são lindos.
Anônimo disse…
Blogspot não me quer...agora estou aqui: http://notasnotorias.wordpress.com/

Beijos daquela mesma pessoa que te lê há tempos...^^
Anônimo disse…
Antes que eu esqueça...parabéns pelo texto no pinmeup...^^
Nina 512 disse…
nossa, que honra...

pq vc n posta mais aqui?


bjox x x
ah_sei_lah disse…
aqui, vai atualizar esse troço ou não?!

Papai Noel não vai trazer presente assim... hehehe

Postagens mais visitadas deste blog

E ELA TOMAVA CERVEJA...

E ambos queriam chegar a algum lugar. A algum lugar. Ambos. Ambos. Ele? Ela? Os dois. E ambos tomavam cerveja. Muita. Muita e muita e muita. E sorriam e gritavam e comemoravam. Como sempre. As usual. Muita cerveja. Muito amor. Paixão. Amizade. E ele mal sabia onde ela estava. Mal sabia. Mas ambos queriam chegar a algum lugar. A algum lugar. Ambos. Ambos. Ele? Ela? Os dois. Apenas os dois. Apenas os dois... E ela apenas tomava cerveja. Ele? Também... Também...

NÃO SÃO TEMPOS COMO QUAISQUER OUTROS

OUÇA:  spang sisters || king prawn the 1st Ela jogou o livro de lado irritada, ajeitou os cabelos tortos pela cama e levantou-se. Aflita. Ela estava aflita e sem paciência. Nenhuma paciência. Andou de um lado ao outro do quarto procurando algo para pensar, algo para tocar, algo para lembrar, algo para fazer. Não pensou em nada ou, infelizmente, pensou sim tão logo percebeu o baú cor de palha encostado junto a parede. Lembrou das dezenas de fotos e bilhetes e bobagens que estavam ali guardadas. Pensou em abri-lo e considerou que esta seria uma boa ideia. Aproximou-se do baú e percebeu o que estava prestes a fazer. Parou brusca e riu da própria tolice em achar que as velhas lembranças podiam ajudar, ainda que em desespero. Não, nada que lembrasse aquela pessoa poderia ser bom naquele momento - considerou. Culpou o tédio pela burrice. Voltou a si. Sorriu e agradeceu a sei lá quem por ter voltado ao seu juízo normal a tempo. Saiu do quarto. Foi em direção a