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TOQUE


Ela sonhava acordada e deitada em sua cama. Sozinha e trancada em seus pensamentos, ela desejava apenas nele. Apenas ele e as bobagens deliciosas que trocavam por email e telefone. Molhada, úmida e em transe. Transe lúdico e delicioso. Delicioso. Ela delirava e amava o toque dos seus próprios dedos longos em seu corpo. A sua autoinvasão deliciosa. O seu próprio toque. Amava cada momento. Cada instante. Sabia que, mesmo longe, ele, na sua cidade a quilômetros dali, também pensava incessantemente nela. Muito. E ela continuava sonhando acordada e deitada em sua cama. Sozinha. No seu quarto, apenas à luz de velas aromáticas com cheiro de jasmim, ela estava só, porém junto dele. Muito junto. Unidos demais por pensamentos bons e apaixonados. Pensamentos molhados e belos. Coisa de casal apaixonado. Ela podia jurar sentir o seu cheiro de hortelã. Pós-barba. Podia jurar que ekle estava naquele quarto. Molhada e úmida. Muito molhada e muito úmida. Com muito tesão. Muito tesão e desejo. Ela sonhava acordada deitada em sua cama. Imaginava as mãos dele, finas e de pianista, sobre a sua pele branca e deliciosa. Suave. Explorando cada detalhe dela. Cada detalhe. Toques suaves como uma pequena obra de Jobim. Imaginava ele descobrindo cada segredo do seu corpo, cada dobra da sua geografia. Cada dobra dela. Em braile. Como um amante totalmente apaixonado. Como um amante total e enlouquecidamente apaixonado. E ela sorria, sorria e sorria cada vez mais. E sonhava acordada. Demais. Toques. Toques mil. E não precisam ser reais, não precisam ser demais. Basta ter amor neles. Aí? Aí é o suficiente para dois jovens apaixonados manterem a chama das velas acesas. Muito acesas. Apenas isso.  

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NUCA

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