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VENUS IN FURS

Uma cena de cinema.

Calor. Quente. Noite. Verão. Nudez. Paixão. Fantasia. Garoto. Garota.

Os dois estão nus, enlaçados sobre o sofá, como se fossem um. Clichê moderno e banal e vulgar, mas convenhamos, plenamente usual. Os dois estão nus, trepando e fodendo e se amando sobre o sofá de veludo. Ambos nus, ambos nus, mas ela, em verdade, menos despida do que ele. Well, ao menos no quesito roupa. Há meia, espartilho, corpete, couro e pele. Sapatos de salto alto. Sem sapatos. Ela menos despida, mas não menos excitada. Sente o calor exalar como chuva ácida dos seus lábios, dos seus poros, dos seus dedos, dos seus seios, do seu sexo. Sexo úmido, molhado e ensopado. Tesão é o que ela sente, e o seu corpo vibra e treme, como um acorde psicodélico lindo, emitido por um violino desorientado, desafinado, drogado, Sonic Youth, divino.

Ela sente muito tesão. Muito.

Ele também.

As fantasias são densas, tensas, trêmulas, chiques, vulgares, deliciosas, amorosas, maravilhosas, apaixonadas.

Tudo é permitido. Tudo.

E os desejos entram com o vento pela janela aberta da sala, e acabam no seu rosto, no seu corpo, nos seus seios, na sua boca, no seu ventre.

Uma cena de cinema.

Calor. Quente. Noite. Verão. Nudez. Paixão. Fantasia. Garoto. Garota.

Filme noir, filme pornô, filme clichê, filme blasé?

Não, apenas um filme de amor, apenas um filme de amor.


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