Pular para o conteúdo principal

PRETÉRITO


pretérito 
pre.té.ri.to
adj (lat praeteritu) Que passou; passado. sm Gram Tempo verbal que exprime ação passada ou estado anterior; passado. P. imperfeito: tempo que indica uma ação passada, em relação ao presente, e que estava se exercendo quando outra se realizou: Estudava, quando ele entrou. P.-mais-que-perfeito: tempo que exprime ação anterior a outra, que já é passada no momento em que se fala: Ele partira, quando eu cheguei. P. perfeito: tempo que exprime ação passada e liquidada: Ele viajou. Futuro do p.: tempo que substituiu o antigo "condicional", e em que o processo indicado como posterior a um momento do passado é anterior ao momento em que se fala. Refere-se comumente a processos que não chegaram a realizar-se: Morreria se não viesses.
(MICHAELIS: Dicionário Língua Portuguesa)

Pretérito.
Em poucas e rasas linhas, o “pretérito” é apenas o “tempo do verbo que determina estado ou ação anterior”, conforme ela leu em algum lugar por aí. Sem se importar aonde foi ou sequer sem se importar em dar o devido crédito ao “ilustre” escritor da definição.
Tola como sempre.
Tola como ontem.
Tola como hoje.
Tola as usual.
Ação anterior.
Pretérito.
Passado.
Perfeito?
Imperfeito?
Mais que perfeito?
Dane-se.
Dane-se. Ao menos por hoje.
É o passado dela e que pertence a ela e somente a ela.
Apenas a ela.
Impossível reescrevê-lo.
Está feito.
Feito com todos os erros e todas as imperfeições praticadas. Com todos os erros e imperfeições perpetradas.
Pretérito.
Passado.
Perfeito?
Imperfeito?
Mais que perfeito?
O pretérito apenas dela. Apenas dela.
Impossível reescrevê-lo.
Definitivamente.
Pretérito.
Muitas vezes perfeito, outras muitas tantas muito mais do que perfeito, porém, na maioria das vezes, na maioria cruel e absoluta das vezes, um pretérito muito imperfeito. Muito mais do que imperfeito.
Por conta do quê?
Por conta dos erros, das mentiras, das bobagens, da falta de maturidade, da falta de coragem, da falta em excesso de tudo, do excesso de amor. Do excesso do medo. Apenas medo de não assumir a vida e as suas responsabilidades.
Pretérito.
Passado.
Perfeito?
Imperfeito?
Mais que perfeito?
O pretérito apenas dela.
O passado e as ações não tomadas apenas por ela quando deveria assim ter feito.
O passado apenas dela.
E as lágrimas também.
E as lágrimas também.
Muitas, aliás.
E a dor vem como consequência.
Uma dura consequência.
Curvas mal viradas e rotas mal assumidas. Escolhas mal feitas.
Escolhas muito mal feitas.
Erros.
Muitos, aliás.
Muitos mesmo.
Simples assim.
Pobre moça.
Pobre moça.
Nem tão nova, porém nem tão velha assim para tanta dor e ressentimento pairando sobre os seus ombros já arqueados.
Nem tão nova, porém nem tão velha assim.
Média da expectativa de vida.
Apenas média.
Ainda há tempo.
Mas ainda há quem ache o tempo.
Será?
Pretérito.
Passado.
Perfeito?
Imperfeito?
Mais que perfeito?
Futuro do pretérito.
Futuro do pretérito.
Aí sim.
Fato por vir condicionado a algo no passado.
Quem sabe o futuro do pretérito não pode mudar o cenário da sua vida.
E ela sorriu.
Percebeu que depende apenas dela... Depende apenas dela e da sua própria força. Sua própria crença.
Há alguma?
Depende apenas dela...
Dela mesmo.
...
E ela sorriria se não tivesse errado tanto.
Ela sorriria se não tivesse errado tanto, seja em que tempo gramatical for.
...
Ela sorriria...
De verdade...
...
Chorava, quando ele partiu.
Ele partira, quando ela chorou.
Ele foi.
Choraria se não ligasse.
...

Pobre moça triste...




Comentários

@camilaponto disse…
amo este blog, acompanho desde o começo...
é como se fosse uma dose de rivotril!
Izis disse…
Mas é que nem sempre o passado passou :)

Postagens mais visitadas deste blog

APAGUE A LUZ, POR FAVOR? boomp3.com Então é assim que termina? – ele pensou, enquanto a chuva desabava sobre o seu corpo inerte. Ele estava só, parado em frente ao velho apartamento deles, no Centro Velho, apenas olhando o passado. Acaba assim? Desta forma idiota? Eu aqui, parado como um imbecil na frente da minha ex-casa, debaixo de chuva torrencial e com uma mochila cheia de livros e fotos rasgadas? - Quer ajuda, doutor? – perguntou o porteiro, sempre gentil - Está chovendo demais e o Senhor aí, parado na “trovoada”. - Não, obrigado Carlos. Já estou indo – ele respondeu, seco – Já estou indo. Ficou em silêncio por alguns instantes, apenas sentindo o sabor das lágrimas e da chuva. Após tentar acender um cigarro molhado, virou e foi embora de vez daquele lugar. E foi embora para sempre do único lugar em que ele foi, por algum tempo, verdadeiramente feliz. O único lugar em que ele foi, por algum tempo, verdadeiramente apaixonado. ... Mas, e como começa? Começa com um toque, com um gesto...

SONHOS DE UMA MADRUGADA MOLHADA DE VERÃO

- Sonha comigo? – ele pediu quase tolo, quase infantil. - O quê? – ela respondeu – Pirou? O calor derreteu o pouco que resta do seu cérebro pequeno? – disse irônica. - Sonha comigo? Sonha? – ele pediu. - Como assim “sonha comigo”? Você acha que eu escolho os devaneios que tenho durante a madrugada? Acha que consigo selecionar com o que vou sonhar? – ironizou. - Talvez. Se você quiser muito, pode até conseguir. Quem sabe? Ela sorriu e fez um carinho fofo em seus cabelos curtos. Admirou seus olhos verdes e apenas sorriu. - Por favor? – ele insistiu – Você me disse que sonhou comigo outra noite. Porra, quem sabe consegue repetir a façanha. Vou ficar muito feliz. Muito mesmo. - Você é um idiota de verdade – ela disse com carinho. - Mas não basta sonhar. Tem que me contar os detalhes depois – ele afirmou como um babaca apaixonado. - Vou tentar. Prometo que vou tentar. Antes de tomar o meu Lexotan e dormir como um anjo, vou mentalizar muito para ter um sonho cont...

BEING BORING

- Você me ama MESMO? Ama de verdade? – ela perguntou, com ênfase. Ele sorriu, abriu seu melhor sorriso, ajeitou sua barba rala e vagabunda e respondeu – Claro que sim. Claro que te amo. Ela sorriu em resposta. Nada mais. - Qual a razão da pergunta? – ele disse – Você me acha velho demais? – perguntou – Me acha mentiroso? – insistiu. Ela apenas sorriu. Nada respondeu. - Diz – ele insistiu – Você me acha velho ou gordo ou falso demais? Ela abriu o seu mais delicioso sorriso. Nada disse mais uma vez. Ele ficou irritado – Não vai dizer nada, porra? – berrou – Não percebe a minha barba de velho? Minhas manchas vermelhas no rosto? Você é cega ou o quê? Ela apenas consentiu com sua cabeça recheada de cabelos negros soltos e disse tranquila – Não vou dizer porra nenhuma. Preciso? Você não percebe no meu olhar os meus sentimentos? Coitado - Te amo, porra. Apenas isto – disse, com afeto, açúcar e amor. Muito amor. Ele sorriu constrangido. Ela disse – Trouxa. Ele concordou...
DISCOS DE VINIL NÃO SALVAM VIDAS? - Discos de vinil não salvam vidas - Bia sentenciou, profana e canalha Nanda abriu os olhos em choque - Não? Como não? - Não, porra. Definitivamente, discos de vinil ou fitas cassete ou ipods ou seja lá o diabo, não salvam vidas. Não. - Você enlouqueceu? - disse Nanda. Bia sorriu um sorriso sinistro, triste, inadequado à felicidade. Adequado ao seu momento. - Claro que salvam. Se você não desistir de se matar ao ouvir Marvin Gaye e Tammi Terrell juntos e cantando apaixonadamente, então não sei o que mais pode te ajudar. - Nhá. Isso é para você, ingênua e esperançosa. - Se eu me fodesse, não me afogaria em etanol barato. Me afogaria em lágrimas ao som de um bom soul dos 60s. Estaria salva. - Que patético. - Você precisa de um choque de realidade. Um choque de vida. Você precisa de cores. = Vai começar. Já te disse para parar - pediu Bia. - Parar nada. Você precisa mesmo. De vida, porra. - Pára de encher. Você está me irritando - disse Bia. - Eu preciso ...
O SAGUÃO DE PISO XADREZ boomp3.com - Tenso? - ela perguntou, divertida. Ele sorriu, nervoso, mas permaneceu em silêncio. - Tenso? - ela insistiu, com seu delicioso sotaque carioca, querendo “ouvir” dele, alguma reação. - Claro que não - ele mentiu. Ela deu uma risada alta, solta e deliciosa - Você mente mal, garoto, muito mal. Ele olhou para o alto, como a buscar um auxílio divino de coragem que, definitivamente, não viria naquele momento. - E você? - ele disse – Aonde está? - Perto, muito perto - ela respondeu. - Será? Será que não desistiu? Será que não decidiu nada diferente? – ele contra-atacou, querendo se sentir seguro. - Você é tão tolo. Adoravelmente tolo e infantil. - Infantil? Achei que não. Achei que fosse qualquer coisa, menos infantil. - Pois é, as pessoas tem a mania de se enganar tão facilmente a seu próprio respeito - Então, é isso? – ela perguntou – Você? - Aonde? - Atrás de você, rapaz. Ela esqueceu o celular e pôde, finalmente, sentir a voz tão conhecida invadir de v...