leia e ouça: Stellabella - Chuva
A chuva havia começado no fim da tarde, fina e insistente, transformando as ruas em espelhos trêmulos sob as luzes dos postes.
Ele estava parado na calçada, sem se importar com o frio ou com a água que já escorria por seu rosto. Esperava por ela.
E então ela apareceu.
Caminhava devagar, protegendo-se com um guarda-chuva que o vento insistia em virar. Alguns fios de seus cabelos prata cacheados escapavam e grudavam delicadamente em seu rosto lindo e pequeno. Quando ela levantou os olhos, ele sentiu aquele velho deslumbramento.
Verdes.
Os olhos dela eram verdes como folhas depois da chuva, como se carregassem dentro deles uma primavera que o mundo inteiro desconhecia.
— Você vai ficar aí parado se molhando? — perguntou ela, sorrindo.
Ele sorriu também.
— Se for para esperar você, fico.
Ela aproximou-se e dividiu o guarda-chuva com ele. Os dois ficaram apertados sob aquele pequeno abrigo, enquanto a chuva caía ao redor.
Por alguns segundos, nenhum dos dois disse nada.
Ele apenas olhava para ela. Olhava para os cachos úmidos que emolduravam seu rosto, olhava para aquela boca que ele conhecia de cor e salteado. Olhava, ainda para aqueles olhos verdes que, quando encontravam os dele, faziam desaparecer todas as palavras que havia ensaiado.
— Por que você está me olhando assim? — ela perguntou.
Ele respirou fundo.
— Porque ainda não descobri uma maneira bonita de dizer que sou completamente apaixonado por você.
Ela abaixou os olhos, tentando esconder o sorriso.
— Você sempre fala essas coisas...
— Porque é verdade.
A chuva engrossou.
O vento soprou entre os dois, mas ela não se afastou. Pelo contrário, aproximou-se um pouco mais. O ombro dela encostou no dele.
Ele segurou sua mão.
Estava fria.
Molhada.
Apertou-a entre as suas, tentando aquecê-la.
— Sabe o que eu gosto na chuva? — perguntou ela.
— O quê?
— Ela faz todo mundo parar por um instante.
Ele olhou para a rua molhada.
— Então eu gostaria que chovesse para sempre.
Ela riu baixinho.
— Para sempre?
— Pelo menos enquanto você estiver comigo.
Ela ergueu os olhos verdes novamente.
E naquele instante ele percebeu que não precisava de declarações grandiosas, nem de promessas impossíveis. Bastava estar ali, ao lado dela, sentindo o perfume dos cabelos molhados, ouvindo sua respiração e segurando sua mão.
A chuva continuava caindo.
As pessoas passavam apressadas pelas calçadas, escondidas sob guarda-chuvas coloridos. Carros atravessavam as poças, deixando rastros de água pelo asfalto.
Mas para ele o mundo havia parado.
Existiam apenas os dois.
Apenas os dois.
Ela inclinou a cabeça sobre o ombro dele.
— Você sabe que eu também sou apaixonada por você, não sabe?
Ele fechou os olhos por um instante.
Sorriu.
— Eu desconfiava.
— Convencido.
— Apaixonado.
Ela levantou o rosto.
Os olhos verdes encontraram os dele.
E, sob aquele céu cinzento, enquanto a chuva lavava lentamente as ruas da cidade, eles se beijaram.
Foi um beijo tranquilo, demorado, daqueles que não precisam provar nada.
Quando se afastaram, ela continuou com a testa encostada na dele.
— Vamos?
Ele sorriu.
— Para onde?
Ela olhou para a chuva.
— Para qualquer lugar.
Ele apertou sua mão.
— Então vamos.
E caminharam juntos.
Debaixo da chuva.
Ela, com os cabelos cacheados molhados e os olhos verdes brilhando.
Ele, completamente apaixonado.
E, pela primeira vez, nenhum dos dois teve medo de onde aquela estrada encharcada poderia levá-los.
Porque, enquanto estivessem juntos, qualquer lugar seria casa.
Photo: desconhecida

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