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A CONTINUAÇÃO DO CONTO ANTERIOR...

Após o silêncio, ele decidiu ir embora. Tão logo ele fechou a porta para sair da sua vida, ela permitiu a primeira lágrima escorrer inteira pelo seu rosto. E ela sufocou o grito, muito mais por ele ainda estar por perto e poder ouvi-lo do que pela ausência de vontade em pronunciá-lo. E ela entrou em desespero e pensou que estava tudo errado na sua vida. Na sua ridícula vida. Que, no fundo, porra, não era nada ridícula, era apenas como a de todos nós. E enquanto chorava, ela sentia como se tivesse tomado um dos maiores golpes da sua vida. Um golpe forte, um soco pesado e violento. Uma porrada daquelas que machucam, que deixam marcas, que causam danos, mágoas. Daquelas que ferem. Que faz sangrar. Ela sentia como seu supercílio estivesse aberto. Como se o sangue jorrasse pela sua tez. Como se o sangue jorrasse e a sua mistura com o rio de lágrimas que ela produzia, criasse uma espécie de tinta psicodélica, uma espécie de tinta triste, uma espécie de tinta escura, vermelho sangue, utilizada para criar quadros sombrios, rejeitados, infelizes. Ela jamais pôde imaginar que a verdade contida nas palavras dele seria capaz de combater o seu amor. Jamais. E ela ficou andando de um lado para outro na sala, chorando e fumando e chorando e fumando e bebendo e andando e pensando e chorando e sem saber para onde ir ou mesmo sem saber o que fazer. Até que a noite morreu, o dia nasceu e ela desistiu. Jogou-se no chão como nocauteada. Como uma lutadora derrotada, sufocada em ferimentos, cuspindo sangue e sujando o chão com o que sobrou dos seus dentes. E ela ficou deitada por horas até o sol bater em sua cara como se fosse uma caixa de primeiros socorros caindo do décimo andar. Mesmo ferida, talvez eu ainda possa lutar – ela pensou, esboçando um sorriso – Caralho, é lógico que eu vou lutar. Pelo resto da minha vida...


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SORRISOS DEMONÍACOS, RESERVADOS DE BANHEIROS E O CLUBE VARSÓVIA

- Sorriso demoníaco? – ela perguntou, arqueando a sobrancelha esquerda, típica façanha que somente ela conseguia. - Sim. Um sorriso demoníaco é o que você tem. Detesto e adoro ele – ele respondeu, enquanto virava um copo de vodka. O Clube Varsóvia estava lotado demais. Era daquelas noites de verão abafadas de quinta feira na quais as pessoas amavam estar na rua. - Não entendi – ela disse, fingindo ignorância e desconhecimento sobre o poder que exercia sobre ele. - Bitch – ele brincou. - Ué, não entendi – ela continuou, abrindo distraidamente mais um botão da sua camisa preta brilhante, deixando parte do seu seio à mostra. Ele respirou fundo. Tomou mais um gole de vodka e acendeu um cigarro. Não conseguia desviar o olhar daquela parte adorável do colo dela que parecia gritar para ser tocado. - Sinceramente, não estou entendendo o seu papo. Coisa estranha esta de sorriso demoníaco. Até parece que sou uma daquelas pin-ups antigas, dos anos cinqüenta, uma Bettie Page contemporânea...
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