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FELIZ DEZ ANOS (PASSADOS)

POR FAVOR, USE OS HEADPHONES
(REBEKAH DEL RIO – LLORANDO (CRYING))


“ – Feliz ano novo! - ela gritou, feliz e com um dos sorrisos mais lindos que ele jamais havia visto.
- Feliz 1993 – ele respondeu, dando-lhe um abraço apertado.
- Não acredito que estamos mais uma vez celebrando toda essa loucura, juntos – ela disse.
- Nem eu querida. Nem eu.
- E cada vez mais amigos. Cada vez mais próximos. Cada vez mais irmãos.
Ele sorriu e disse, vibrando – Toma mais um gole. Esse espumante de quinta categoria vai renovar seu espírito para o ano que começa agora.
Ela virou um gole direto no gargalo e retrucou – Bem, se vai renovar alguma coisa, isso eu não sei, mas que vou ficar completamente chapada, isso eu tenho certeza.
- E isso é só o começo da nossa amizade – ele advertiu.
- Porra, e como – ela respondeu – Você vai ter que agüentar a velhinha bêbada aqui durante vários e vários anos.

- Olha a pose do casal –gritou de surpresa Paulo, amigo dos dois e o único munido de uma câmera fotográfica para registrar o “lunático reveillon” daquele jovem grupo de amigos naquela praia cheia de areia, garrafas, velas, desejos e esperanças. Os dois se abraçaram e o momento se registrou.

- Feliz 1993! – disseram, em coro.
- Para vocês também – respondeu Paulo – Pode deixar que eu dou a foto depois. Ficou linda. O lindo retrato de uma amizade.
- Por toda a eternidade – ela gritou.
- Por toda a eternidade – gritaram, juntos
”.

Sua cabeça não parava de reproduzir, de maneira exaustiva e claustrofóbica, todo esse diálogo. Lá estava ele sozinho naquela noite cheia de ruídos e estrelas, com uma foto amarelada e amassada nas mãos e uma vida inteira na lembrança.

Sozinho até o telefone tocar.

- Alô – disse, distraído.
- Oi. Te acordei?
- Não, mãe. Estava arrumando a mala – respondeu.
- Liguei para desejar uma boa viagem e uma ótima passagem de ano querido. Te amo.
- Também te amo, mãe. Obrigado. Feliz ano novo para você amanhã. Se der eu te ligo.
- Pode deixar. Nos falamos quando você voltar – ela disse.
- Tá. Tchau.
- Tchau querido. Feliz 2003!
- Feliz 2003 – ele respondeu.

Assim que desligou o telefone ele olhou novamente para a amarelada fotografia em suas mãos – Amigos por toda a eternidade. Tá bom! - pensou, com ironia e crueldade – Sete anos...sete anos sem nos falar...por onde será que ela anda? – prosseguiu – Foda-se! Pouco importa. Feliz 2003 e chega dessa porra de música espanhola – sentenciou, socando o cd player, para depois jogar a fotografia dentro de um velho baú e preparar, em paz, sua mala de viagem, sua vida de ano novo...



Llorando (Crying)
(Rebekah Del Rio – Trilha Mullholand Drive)


"Yo estaba bien
Por un tiempo
Volviendo a sonreir
Luego anoche te vi
Tu mano me tocó
Y el saludo de tu voz
Te hablé muy bien
Tú sin saber
Que he estado llorando
Por tu amor
Llorando por tu amor
Luego de tu adiós
Sentí todo mi dolor
Sola y llorando
Llorando
No es fácil de entender
Que al verte otra vez
Yo esté llorando
Yo que pense que te olvide
Pero es verdad es la verdad
Que te quiero aun mas
Mucho mas que ayer
Dime tu que puedo hacer
No me quieres ya
Y siempre estare
Llorando por tu amor
Llorando por tu amor
Tu amor se llevo
Todo mi corazon
Y quedo llorando
llorando, llorando por tu amor."

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