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SANGUE COLORIDO

O gosto de sangue nos seus lábios era tão forte que parecia um vinho ruim. Detergente.

O cheiro de cigarros baratos e sujos no ar era tão denso que parecia sufocar. Azedo.

O medo era tão evidente que fazia mais do que assustar. Suor.

Talvez de todas as coisas surpreendentes que ele viveu, a que mais o assustou foi, sem dúvida, toda aquela cena ocorrida na madrugada de inverno.

Tapas na cara dados de forma verbal.

Rasgos na carne provocados por palavras certeiras.

Arranhões profundos causados por olhares raivosos.

Ferimentos, ferimentos, ferimentos.

O gosto de sangue nos seus lábios era tão forte que parecia real.

O amor estava desfeito.

Sem primaveras para poder ressurgir.

Fênix? Ora, quem disse que lendas são reais? Quem disse?

... com certeza um idiota ferido e apaixonado, ferido e enlouquecido, ferido...muito ferido.


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