Pular para o conteúdo principal
HOUDINI FAZIA IOGA

Suas unhas longas e bordadas com esmalte preto pareciam querer rasgar o velho colchão de molas do Hotel Varsóvia, tão forte e descontrolada era a pressão que ela exercia sobre o lençol com os seus dedos longos, finos e bonitos, sempre cheirando a cigarro mentolado. Seus cabelos de cor girassol estavam invertidos, em negativo, bagunçados, amassados e completamente ensopados de tanto suor, de tanto tesão, de tanta saliva. Os lábios daquele garoto eram infernais. Feitos para o pecado, feitos para o paraíso. Simples assim. Grossos, carnudos, pálidos, os lábios dele percorriam sem pressa cada centímetro do seu corpo, da sua esquina, da sua pele, das suas dobras, do seu sabor, do seu gosto. Os lábios daquele garoto exploravam e exploravam e exploravam cada detalhe das suas entranhas, da sua carne, dos seus pontos. Cada detalhe do seu corpo. Corpo aberto, explorado, indefeso e molhado. Ele sorvia cada gota de tesão escapava por entre as suas pernas, cada gota de amor que escapava por entre os seus gritos, gemidos, suspiros e declarações de amor. Os corpos entrelaçados pela língua suave formavam uma deliciosa e pagã escultura. Lasciva, ardente, apaixonada. Uma escultura de um casal fazendo amor, trepando, gozando, fodendo. Um casal fazendo mágica, um casal fazendo ioga, um casal sendo feliz. Raro? Não, apenas importante...


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

...e de todas as coisas mais feias e mais belas do mundo, a única que a fazia sorrir era o mar, pois o reflexo no espelho causava angústia e vontade de chorar... e ele disse "eu não sei fazer poesia, mas que foda". ela concordou com a cabeça e lhe deu um beijo fabuloso, formidável, maravilhoso. ela chorou, sem saber se de felicidade ou tristeza... apenas sem saber...

NÃO SÃO TEMPOS COMO QUAISQUER OUTROS

OUÇA:  spang sisters || king prawn the 1st Ela jogou o livro de lado irritada, ajeitou os cabelos tortos pela cama e levantou-se. Aflita. Ela estava aflita e sem paciência. Nenhuma paciência. Andou de um lado ao outro do quarto procurando algo para pensar, algo para tocar, algo para lembrar, algo para fazer. Não pensou em nada ou, infelizmente, pensou sim tão logo percebeu o baú cor de palha encostado junto a parede. Lembrou das dezenas de fotos e bilhetes e bobagens que estavam ali guardadas. Pensou em abri-lo e considerou que esta seria uma boa ideia. Aproximou-se do baú e percebeu o que estava prestes a fazer. Parou brusca e riu da própria tolice em achar que as velhas lembranças podiam ajudar, ainda que em desespero. Não, nada que lembrasse aquela pessoa poderia ser bom naquele momento - considerou. Culpou o tédio pela burrice. Voltou a si. Sorriu e agradeceu a sei lá quem por ter voltado ao seu juízo normal a tempo. Saiu do quarto. Foi em direção a

Brindando Palavras Repetidas

  leia e ouça: richard hawley || coles corner - Você é repetitivo. Ele a olhou com uma surpresa muda,  - Você é muito repetitivo - ela disse, certeira, sabendo que o havia atingido em seu ponto mais fraco, mais vulnerável, mais dolorido. Não sorriu. Ele a olhou com certa surpresa sabendo que, no fundo, ela estava certa - Como assim? - perguntou, querendo ter certeza. - Repetitivo. Repetitivo. Você usa as palavras de forma inconsequente e repete sempre as mesmas coisas. Faz isso o tempo todo. - Faço? - ele disfarçou. Ela então sorriu levemente - Claro que faz. Mas o que me deixa ainda mais fascinada é esta sua cara de pau. Você sabe que é assim, desse modo, desse jeito e ainda assim continua nesta direção. Ele fingiu indignação, mas por puro orgulho. Ela estava absolutamente certa. Ele tomou um gole do que estava bebendo e ficou quieto, esperando a próxima porrada. - Não? Você não sabe disso? - ela insistiu. - Talvez - admitiu, sem admitir. - Então, por que você não tenta mudar? - Você
CORES (AZUL, AMARELO, VERMELHO, VERDE...) A sensação de calor e tédio predominava naquela sala de aula. Calor insano. Tédio insano. Noite insana. As palavras da pessoa em pé diante de todos aqueles alunos soavam como nada aos seus ouvidos. Soavam tão interessantes quanto nada. A sensação de calor e tédio que predominava naquela sala de aula era insana e desumana. Mas ela estava lá. Como sempre, como todos os dias. Ela observava, curiosa, aquele garoto lindo de morrer que estava sentado próximo a ela, na última fila. Ela observava com muita curiosidade o movimento das suas mãos. Eram mãos firmes, jovens, lindas, rápidas, que faziam a caneta deslizar por sobre o caderno velho, como se fosse Fred Astaire. Ele desenhava a paixão. Ele desenhava o amor. Ele desenhava como se fosse possível uma caneta dançar uma linda canção de amor. Ela não imaginava o que ele estava desenhando. Não, ela não imaginava. Mas estava curiosa. Muito curiosa. Seus olhos não desgrudavam daquelas mãos