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E HÁ CULPA, AFINAL???


O silêncio na sala ficou espesso demais. Espesso demais, podendo ser cortado por uma faca, como já previa, charmosa, uma letra de um velho rock dos anos oitenta. Além da respiração descontínua dos dois, nada mais era ouvido no ambiente e, portanto, o barulho do gás do isqueiro acendido por ele, naquele instante, foi similar ao ruído causado por um trovão. Trovão típico de uma tempestade de verão. Típico de uma tempestade de verão. E ela? Bem, ela chorava e desviava os seus lindíssimos olhos verdes dos olhos frios e de cor cinza dele. Ele nada falava. Ela apenas chorava. Ele apenas fumava. Ela apenas chorava. Muito. Rios de lágrimas. Rios de dor. Desespero e indignação. Como podia ser tão imbecil? Como podia ser tão babaca?
- Bem, então é isso – ele disse, levantando-se da cadeira da cozinha.
Ela sequer virou em sua direção para despedir-se.
- Vou indo – ele emendou – Espero que você seja muito feliz. De verdade. Depois pego a porra dos meus discos e resto de roupas – finalizou, saindo pela porta e deixando o apartamento.
Ao percebê-lo sair, ela chorou ainda mais alto e apertou o seu peito com toda a sua força e arremessou com toda a sua força o copo americano repleto de vodka na parede.
Jamais acreditou que ele descobriria o seu novo romance. Jamais acreditou que ele saberia. Jamais acreditou que poderia deixar de lado seu outro amor.
Pena.
Pena mesmo...

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NUCA

Ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. Muito feliz. Não existiam mais as más notícias. Não. Definitivamente não. Sem contas, protestos, cobranças ou ligações indesejadas. Nada. Nada a perturbar. Existiam apenas os lábios de Fernanda em sua nuca. Lábios deliciosos e densos. Intensos. Sempre pintados de uva. Sempre lindos. E os arrepios. Muitos arrepios. E ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. Muito feliz. Não existiam mais as más notícias. Não. Defitivamente não. Havia um aroma de uva no ar. Um perfume. E palavras sussuradas na dose certa. Na dose certa. E ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. E molhada. E o abraço que vinha depois era como um gatilho para uma boa noite. Toques. Reflexos. Seios.

Primeira Pessoa

leia e ouça: heaven knows I'm miserable now || vitamin string quartet performs The Smiths Eu. Primeira pessoa do singular. Eu. Eu mesmo. Muito prazer. Vivo. Eu. Na primeira pessoa. Vivendo. Escrevendo. Vivo (ainda). Sempre. Eu, na primeira pessoa. Escrevendo. Sempre (ainda bem). E naquela noite eu a encarei com firmeza, vontade, desejo, decisão e amor, muito, mas muito amor. E minha vida mudou. Tudo mudou. Tudo. Nunca esqueci aquele dia. Nunca. Fevereiro. Nunca me esqueci. Olhos grandes, gordos, verdes e lindos, absolutamente lindos. Lindos demais. Eu morri e fui ao céu (o céu existe?) ao ver aquela lindeza. Linda. Linda. Linda demais. Eu a olhei e a pedi em tudo. Em compromisso, em casamento, em namoro, em cumplicidade, em vida, enfim, em tudo, tudo, tudo, mas, ainda EU, eu… ainda precisava (e ainda preciso) me organizar. E ela percebeu isso. Ela percebeu o quanto EU, a primeira pessoa, apenas eu, precisava aprender. Me organizar. Viver. Aprender a viver. Dedicar menos, mas MUITO

Vida? Muito Prazer.

leia e ouça: all I want is You || vitamin string quartet performs U2 Eu erro. Ah, erro. E muito. E na primeira pessoa (que é a forma mais verdadeira de falar e admitir). Eu erro e erro e erro (e me arrependo, mas nada posso fazer) muito mais do que acerto. Mas também acerto (e, às vezes, no alvo). Sem dúvida. Não duvido mais disso. Erros e acertos. Vida. Eu erro e acerto e vivo (mas não me dava conta disso até um sábado à noite). Eu tento. Eu tento. Todos os dias. Eu busco me achar. Me encontrar. Sorrir. Ser feliz. E me achei (quer dizer, estou me achando). Aqui mesmo, dentro de mim e, claro, nela. Nela. Ela… Linda. Generosa. Única. Um farol de olhos esmeralda, as usual . 20 pontos, 20 itens, uma lista. Uma vida. A minha vida. A minha vida que coloquei no papel e não tinha me dado conta de tudo e do tanto que estava fora de lugar vindo do passado e eu sequer, mas sequer pensei nisso antes. Jamais. Não pensei. E diante da lista, me assustei. Me apavorei. Chorei. Mas, não caí. Ah, não. O