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TOTALMENTE DESPIDO E CANSADO Mais ou menos como um castelo de cartas. Frágil, extremamente frágil e sem sentido. E, óbvio, para piorar, ele não estava construído sobre qualquer lugar sólido. Estava construído sobre areia fofa, mole e quente como o sol. Frágil e perigoso, Frágil e perigoso. A qualquer momento, como num passe de mágica e destino, tudo viria abaixo com uma violência assustadora e, claro, ainda mais uma vez ele iria se machucar para valer. E nenhum maldito podia evitar. Ele detestava aquele cenário de devassidão e ignorância e dor e medo. Detestava todo aquele cenário rasteiro, vizinho da devastação e solidão total. Mas, na verdade, ele simplesmente não podia fugir dele. Ao menos por enquanto. Porque, por mais que o odiasse agressiva e violentamente, ele estava preso a este maldito cenário de um modo inexplicável, odioso, raivoso e cheio de amor. E nenhum maldito podia ajudar.
NÃO SERIA LEGAL? FAZER PARTE DE UM FILME DE AMOR... - Beatles? - ela perguntou. - Não - ele respondeu, rindo. - Não sei então. - Vai desistir fácil assim? - ele provocou. - Claro. Você acha que você vale tanto a pena? - ela disparou com um sorriso, retribuindo a provocação e brincando como uma menina. - Você é que tem que me responder isso - ele disse. - É? - ela perguntou. - Claro. - Não sei então. - Não sabe o quê? - Se você vale tanto a pena assim. - Achei que eu pudesse valer. - Nem sei por que estamos discutindo isso - ela disse. - Nem eu - ele respondeu, desenhando o nada com os pés descalços na areia gelada. - Deixa eu te dizer uma coisa - ela falou. - À vontade. - Existe algo mais sensacional do que este pôr do sol que você está testemunhando aqui nesta praia? Este pôr do sol de um dia de outono. Nem bem frio, nem bem quente, porém, extremamente doce. - Claro que existe - ele retrucou. - Ah, existe? Posso saber o quê? - Se este momento fizesse parte de um filme, de que gênero s...
A BALA AMARELA NO SACO DE JUJUBA - O mar está tão frio hoje - ela disparou, com os lábios ardendo por vodka. - Que mar? - ele perguntou, supreso. - O mar, oras. Qual mar? - ela respondeu irônica - O único que existe. O mar. Ele está muito frio hoje. - Ótimo. Ele pode estar frio, gelado, congelante, mas ainda bem que está longe de nós. Estamos no Clube Varsóvia. Percebe? - Você não tem o menor senso de realidade, sabia? Infelizmente. Este é o seu maior problema. Podemos estar no mar, no Varsóvia, na cidade, no campo, em algum inferninho cheio de putas e vagabundas e traficantes, ou mesmo nos alpes suíços. It´s up to us. Depende da sua imaginação. Da nossa imaginação. - E do grau etìlico e da quantidade de drogas que foi consumida hoje também, não? De qualquer forma, por que o mar está frio? - Você já viu o céu? Cara, é sábado a tarde e olha lá. Apenas nuvens cinzas, carregadas de inverno. Óbvio que o mar está frio. As lágrimas dos deuses não são quentes. Com toda a certeza. - Ah, as lág...
ROCKET MAN ou LAZY MOON - Hoje é sexta, né? - Bem, tecnicamente é sábado. Já são quase três da manhã. - Ah, é um saco isso. Para mim, ainda é noite de sexta. - Noite de sexta foi ontem. De quinta para sexta. Hoje, de forma correta, já é sábado. - Odeio estas convenções. - Você pode odiar o quanto quiser Lu, mas hoje É sábado. - Como você é irritante, não? - Nisso você tem razão. Até eu concordo. - Foda-se isso. Não está linda? - Linda? O quê? - A noite. A noite de hoje, seja sábado ou seja sexta ou seja o que for, está absolutamente linda. Olha este céu, porra. Que céu! Tão escuro e tão cheio de estrelas. Maravilhoso. - Hmmm. É. Você tem razão. Está uma noite bonita hoje. Clara. Mas eu confesso que não tenho muito saco para reparar nisto não. Prefiro ficar aqui, sentado nesta sacada, apenas curtindo. - E eu não sei? Claro. Você só se preocupa com estas suas drogas, estas suas pílulas, estes baseados vagabundos que você mal sabe enrolar. Pena, você perder o melhor da noite. - E daí? Qua...
já que não posso mais usar o MSN aqui no office, quem quiser trocar uma idéia com a anta aqui, pode tentar o soulseek (procure soulseek no google). É programa de troca de músicas que permite conversa entre os usuários. Meu nome de user é guziej. Podem me adicionar. Thanks...
COMO UMA CANÇÃO DE LAURYN HILL Então, ela se pergunta, o que aconteceu com todos aqueles momentos? Alguém pode explicar? Alguém pode explicar para essa menina doce, gentil e bem humorada, de que serviu todo aquele amor, aquele desespero, aquela vontade insana e adolescente de querer ficar junto, de querer estar junto, de querer comer junto, viver junto, enfim, morrer junto? Aquele desejo doentio e saudável de viver duas únicas vidas em uma só? Alguém pode explicar essa porra? Porquê, até onde eu sei, não existe um manual de instruções de como proceder em caso de falência múltipla de sentimentos. Não, meu caros amigos, definitivamente não há um manual de instruções que possa ajudar-nos a entender todas as razões sem razão, todos os desejos sem recíproca, todas as cores do universo. Não, mas nem fodendo. As brigas, os momentos de raiva, o medo, desespero, a vontade de fugir, enfim, todos os desequilíbrios da mente não vem com um pequenino, um simples, um maldito manual de instruções. E e...
SO FAR AWAY... (COMO UMA CANÇÃO) Seus olhos parecem duas grandes bolas verdes de cristal. Lindos. Coloridos como poucas coisas podem ser. E é estranho perceber toda a aflição que inunda estes dois olhos grandes, coloridos, lindos. É amor. Amor distante. Amor que ela sente por alguém que está fora do alcance das suas mãos, fora do alcance do seu toque, fora do alcance da sua visão, fora do alcance do seu corpo. Ela quer sentir o seu cheiro, o seu perfume, quer tocar seu cabelo, seu corpo, seu rosto, quer olhar por horas e horas e horas o seu rosto infantil, lindo, sutil, perfeito. Ela quer poder abraçá-lo com força, com muita força, abraçá-lo de forma que ele perceba o quanto ela quer ele dentro do seu corpo, da sua alma, da sua mente, do seu coração. É amor. Seus olhos vivos e coloridos, que parecem duas grandes bolas verdes de cristal, expressam toda essa ausência que corrói. Todo medo e a vontade insana de rasgar o mapa para unir os seus dois destinos. Tudo o que ela quer, é tê-lo po...