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BANG! YOU ARE NOT DEAD, HONEY. - Quem disse? - ela perguntou a ele, com a voz seca e áspera ao telefone - Você pensa que me conhece, seu pretensioso do inferno? Pensa? - gritou, desesperada. Ele nada respondeu. E a linha ficou muda por breves e eternos instantes. Em total silêncio, mas não por ausência de sinal. A linha simplesmente ficou muda por ausência de verbos e palavras. Ausência de argumentos. Ausência de malícia. Ausência de vontade. Excesso? Apenas de medo e de cansaço. - Quem disse, porra? - ela insistiu - Quem disse? Da onde você tirou esta porra? - Vá e viva e ame! - ele respondeu antes de desligar, em um tom baixo, quase inaudível, quase infantil, porém doce e generoso. - Filho da puta - ela berrou, jogando o telefone na cama - Filho da puta. Babaca. E, aflita, começou a andar de um lado para o outro do quarto, como se quisesse correr. Como se pudesse fugir. Veloz e trôpega, porém descoordenada, sem saber o que fazer. Sem saber para onde ir. E suas mãos trêmulas acenderam...
AS GAROTAS CANTANDO SKA E OS ÁCIDOS DE EMILY Emily? Emily? A voz é estridente e alta e cortante. Afiada como os cacos de uma garrafa quebrada. Afiada como uma faca voando em qualquer direção. Voando em um bosque de neblina. E ele está lá. No bosque de neblina. Um bosque psicodélico. Um bosque de delírios. Imagens derretidas e ácidos em alta dosagem. Sentidos dispersos. Perdidos. Inversos. Emily? Emily? A voz é desesperada e drogada. Machuca e faz sangrar. Machuca como os cacos daquela garrafa quebrada lá em cima. Uma bêbada garrafa quebrada. E uma adaga louca voando em sua direção. E ele está lá. Bêbado num labirinto de desejos. Num labirinto de neblina. Num carrossel de delírios. Imagens distorcidas. Ácidos em alta. Emily? Emily? ... Ele acordou suando frio. Perdido. Assustado. Exausto. Emily? Quem era Emily? Ele não a conheceu. Perdeu-se dela no meio da neblina. Não viu o rosto. Não viu os olhos. Não viu o sonho. Ficou parado esperando a adaga, a faca, a garrafa. O suor molhava o len...
E POR FAVOR, leiam os contos (a partir de hoje), ao som da canção. Vale a pena... podem apostar (basta apertar o play e se divertir).
O SECAR DAS LÁGRIMAS (É TÃO DOCE) "...it´s getting better all the time..." - Puca cantarolou do nada, para espanto de Lee. - Está? - Lee perguntou, completando na seqüência - E meu Deus, você vai sussurrar esta canção a tarde toda? - Claro que sim - Puca respondeu - Estou feliz, pô. Não vejo o menor problema em expressar isto. - Você é um saco. ...it´s getting better prá lá, it´s getting better prá lá. E peraí porra, isto é Beatles? Certo? - Lee perguntou fast and furious, após cair a ficha. Puca olhou com um ar fake de superioridade para a amiga e com um sorriso quase revelador, apenas assentiu com a cabeça. - Jesus, como você está ficando cafona, Puca - Lee reclamou - O que pode estar ficando melhor nesta porra de dia cinza? Ainda mais ao som de uma banda dos meus pais? - Como você é pesssimista Lee. Caráleo. Como você é pessimista. Você é uma garota tipicamente "quarta feira de cinzas". Um porre não, uma ressaca completa. Você sucks demais. Lee sorriu com a bri...
KNOCK DOWN Eu estava lá. De joelhos. E eu sentia o sangue escorrer pela garganta e descer rumo ao estômago. Direto. Sem volta. Sem pudor. Eu estava lá. De joelhos no ringue imaginário. Eu estava lá porque, convenhamos, eu merecia estar. Porrada direta, certeira no queixo. Porrada direta, certeira aonde quer que fosse. E tudo por causa de palavras mal faladas, palavras imbecis que me fizeram perceber como sou velho, idiota, desinteressante e sem assunto. Apenas um ultrapassado. Adolescente tardio e ridículo. Infame. Otário. Por conta disso, eu estava lá, prostrado no ringue, à beira do inevitável nocaute. E não havia ninguém, definitivamente, que pudesse me ajudar. Não aquela hora de um sábado á noite. Não mesmo. Continuei inerte e de joelhos, sabendo-me culpado por falar demais. Culpado por errar demais. Culpado por ter medo. Culpado por ser tolo. Culpado por sentir culpa. Apenas um velho e idiota culpado. E, com certeza, eu sabia naquela noite, que o que ela menos queria era um pedido...
Este blog acaba aqui. Como começou. De forma rápida, surpreendente, e sem nenhum alarde. E vai embora da mesma forma. O Clube Varsóvia não existe mais. A partir de hoje ele vai, tenho certeza, existir apenas nas mentes deliciosas de vocês. E no meu coração. Por todo o sempre. Eu? Eu estarei onde sempre estive. No e-mail e por aí, olhando as pessoas e tendo idéias... Apenas isto... Beijos, para quem é de beijos. Abraços, para quem é de abraços... O FIM - Lágrimas? - ela perguntou a ele, percebendo os seus olhos verdes rasos, tão lotados de sentimentos e desespero. Ele apenas concordou com a cabeça, em silêncio. - Você não deve ficar assim - ela disse, sem nenhuma convicção - No fim, tudo acaba bem. Tudo sempre acaba bem. - Na verdade, tudo sempre acaba, não? - ele perguntou, seco. - Mas acaba bem. Isto é o importante. - É? - ele perguntou meio com raiva, meio descrente, decepcionado - Você acredita mesmo nisso? Ela desviou o olhar dos seus olhos verdes, inquisidores e firmes e encarou a...