Pular para o conteúdo principal


Por Favor, Use os Headphones
"Save Me"
(Aimee Mann)


- Então? – ele perguntou, enquanto parava o seu carro bem em frente ao apartamento dela.
- Chegamos, né? – ela disse, com um ligeiro sorriso.
- É, chegamos. Fico feliz por você. Não há nada mais agradável do que mergulhar embaixo das cobertas quentes, nesse frio de rachar que está fazendo. Veja os vidros do carro. Estão completamente embaçados.
- Tem razão – ela respondeu – Realmente está um frio de matar. E esses vidros embaçados dão uma falsa pista do que estamos fazendo aqui dentro desse carro, não acha?
Ele sorriu da brincadeira e disse – É mesmo. O porteiro vai pensar em toda a sorte de delírios eróticos. Com essa violência toda que assola o mundo, somente um carro com duas pessoas absolutamente sedentas por sexo dentro dele, poderia estar estacionado na rua, às quatro e meia da manhã, com os vidros absolutamente embaçados.
Ela olhou para ele, carinhosa, e disse – Não vou te convidar para subir, tá?
- Tudo bem – ele disse, desviando o olhar.
- Você não vai ficar chateado? Por favor?
- Não, claro que não. Está tudo bem. A noite foi ótima.
- Foi mesmo. Foi uma das melhores noites que tive em muito tempo. Acredite em mim. Bebi, sorri, dancei, me diverti...
- ... beijou – ele a interrompeu.
- Isso. Beijei. E foi muito bom. Mas preciso pensar um pouco a respeito disso tudo, ok? Não quero me precipitar. Até ontem você era o melhor amigo do meu ex-namorado. Aliás, até semana passada eu o namorava. Não quero apressar as coisas. Quero estar certa de que não vamos arrebentar a nossa cara com uma força devastadora e sem volta.
Ele olhou-a, compreensivo, enquanto ela prosseguiu – Então, tudo bem?
- Tudo. Fique tranqüila – ele respondeu.
- Então eu vou subir para as minhas cobertas quentinhas e você vai para casa dormir como um anjo. Combinado?
- Amanhã você me liga? – ele perguntou.
- Pode ser, pode ser.
Trocaram ainda mais um beijo longo antes de ela sair do carro com um sorriso grande. Na entrada do prédio, ela se virou e acenou e mandou um beijo para o carro parado. Ele ficou lá, dentro do veículo, com a cabeça encostada no vidro e observando aquela mulher linda desaparecer por entre a entrada do edifício antigo. Ficou quieto, apenas ouvindo uma antiga canção de amor que estava tocando no rádio, enquanto seus dedos desenhavam palavras desconexas no vidro embaçado. Decidiu ir embora e ligou o carro. Não percebeu que os seus dedos quentes e cheirando a fumaça de cigarro, havia deixado o recado estampado no vidro úmido do carro. Havia escrito “salve-me”. E nem sequer havia percebido isso. Até a mensagem desaparecer. Até a mensagem desaparecer...

Save Me
(Aimee Mann)


You look like... a perfect fit,
For a girl in need... of a tourniquette.
But can you save me?
Come on and save me...
If you could save me,
From the ranks of the freaks,
Who suspect they could never love anyone.

'Cause I can tell... you know what it's like.
A long farewell... of the hunger strike.
But can you save me?
Come on and save me...
If you could save me,
From the ranks of the freaks,
Who suspect they could never love anyone.

It struck me down, a Greyhound,
Like Peter Pan, or Superman,
You have come... to save me.
Come on and save me...
If you could save me,
From the ranks of the freaks,
Who suspect they could never love anyone,
Except the freaks,
Who suspect they could never love anyone,
But the freaks,
Who suspect they could never love anyone.

Come on and save me...
Why don't you save me?
If you could save me,
From the ranks of the freaks,
Who suspect they could never love anyone,
Except the freaks,
Who suspect they could never love anyone,
Except the freaks,
Who could never love anyone



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS

Hoje em dia, todos os meus amigos me detestam. Todos. Simplesmente todos. Hoje em dia eu tenho certeza disso. E, na verdade, são amigos porque eu ainda assim os considero. Unilateral e solitariamente, ainda assim eu os considero. Mas, triste, eu sei que apenas eu ainda os considero. No meu pequeno e inchado coração, eles ainda são meus amigos. Recuso a aceitar o oposto. Recuso a reconhecer o contrário. Simplesmente recuso. E o que eu fiz de tão grave? Tudo. Simplesmente tudo. Cometi os piores erros que se pode cometer. Menti, fraudei, trapaceei, não fui sincero, errei, não acertei, quis, não quis, fugi, corri, zombei, deixei na mão, enfim, fiz tudo aquilo que não se deve fazer com amigos. Nunca. Nunca, nunca e nunca. E, desta forma, por óbvio que todos, mas todos os meus amigos hoje me detestam. Amigos reais, virtuais, imaginários, inimigos, enfim, todos e todos e todos. De todos os tipos, cores, formatos, sexos e maneiras. Cometi toda sorte de crime que se possa ima...

O RUÍDO QUE PRECEDE O GOZO

Ele suava frio. Muito frio, mesmo debaixo daquele calor infernal do Rio de Janeiro. Quando encarou a porta do elevador do pequeno, porém adorável edifício, decidiu se ia mesmo entrar. Ficou estático por alguns minutos. - Ei senhor, é no sétimo andar – disse o porteiro, estranhando a lerdeza do rapaz. - Obrigado – ele respondeu. Abriu a porta e entrou. Apertou rapidamente o botão do sétimo andar e ficou pensando no que estava fazendo. O elevador subia rapidamente e ele fez um retrospecto de sua vida pequena, desde o instante em que a conheceu, até aquele momento no elevador do pequeno edifício. Ficou contando os andares até o elevador chegar. Saiu da cabine e ficou diante da porta. Apartamento 701. Não sabia se ela estaria feliz de verdade em vê-lo, ou não. Ele gostava de pensar que sim, porém não tinha certeza. Definitivamente não tinha certeza. Ficou parado e enxugou o suor da testa. Lentamente apertou a campainha. Após alguns segundos, a porta lentamente se abriu. Atrás, ela, tod...
O SECAR DAS LÁGRIMAS (É TÃO DOCE) "...it´s getting better all the time..." - Puca cantarolou do nada, para espanto de Lee. - Está? - Lee perguntou, completando na seqüência - E meu Deus, você vai sussurrar esta canção a tarde toda? - Claro que sim - Puca respondeu - Estou feliz, pô. Não vejo o menor problema em expressar isto. - Você é um saco. ...it´s getting better prá lá, it´s getting better prá lá. E peraí porra, isto é Beatles? Certo? - Lee perguntou fast and furious, após cair a ficha. Puca olhou com um ar fake de superioridade para a amiga e com um sorriso quase revelador, apenas assentiu com a cabeça. - Jesus, como você está ficando cafona, Puca - Lee reclamou - O que pode estar ficando melhor nesta porra de dia cinza? Ainda mais ao som de uma banda dos meus pais? - Como você é pesssimista Lee. Caráleo. Como você é pessimista. Você é uma garota tipicamente "quarta feira de cinzas". Um porre não, uma ressaca completa. Você sucks demais. Lee sorriu com a bri...
APAGUE A LUZ, POR FAVOR? boomp3.com Então é assim que termina? – ele pensou, enquanto a chuva desabava sobre o seu corpo inerte. Ele estava só, parado em frente ao velho apartamento deles, no Centro Velho, apenas olhando o passado. Acaba assim? Desta forma idiota? Eu aqui, parado como um imbecil na frente da minha ex-casa, debaixo de chuva torrencial e com uma mochila cheia de livros e fotos rasgadas? - Quer ajuda, doutor? – perguntou o porteiro, sempre gentil - Está chovendo demais e o Senhor aí, parado na “trovoada”. - Não, obrigado Carlos. Já estou indo – ele respondeu, seco – Já estou indo. Ficou em silêncio por alguns instantes, apenas sentindo o sabor das lágrimas e da chuva. Após tentar acender um cigarro molhado, virou e foi embora de vez daquele lugar. E foi embora para sempre do único lugar em que ele foi, por algum tempo, verdadeiramente feliz. O único lugar em que ele foi, por algum tempo, verdadeiramente apaixonado. ... Mas, e como começa? Começa com um toque, com um gesto...

MEDO? MUITO!

Sinto um breve sopro de medo e desespero a me corroer o peito. Um breve, porém profundo, sopro de medo e desespero. Medo. Medo de encarar a minha própria vida e todas as bobagens que dela fiz. Medo de encarar o espelho, de frente, e perceber que do alto de todos os meus anos vividos, não fui capaz de manter a verdade como a linha mestra dela. Como a guia. Como o farol a iluminar cada passo dado no escuro. Sinto um breve sopro de desespero a me corroer o peito. Aquele desespero que muito embora desperta uma vontade absurda de correr sem parar para qualquer lado, mas que, na verdade, te deixa apenas imobilizado, estático, congelado, sentindo o suor frio escorrer pela testa. Sinto medo e desespero com a mesma frequência com que respiro. Uso e abuso do álcool das drogas, do cigarro, da mentira. Subterfúgios e desculpas. Não consigo encarar os que amo. Sinto como se minha vida fosse uma fraude bem arquitetada pelo destino. Uma fraude bem arquitetada pelo tamanho, porém uma fraude grosseira...