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ESSES SÓRDIDOS SALÕES DE FESTAS

Ele podia sentir a fumaça penetrando lentamente os poros das suas narinas. Amarga. Azeda. Crua. Como a vida. Ele podia sentir a densidade do momento, apenas pela maldita fumaça entorpecendo as suas narinas. Decidiu acender mais um cigarro. Preferia o próprio odor por ele produzido a aquele cheiro de hipocrisia, bourbon barato e esperma contido, sufocado, preparado. A noite era escura; as luzes, negras; e, as flores, coloridas. O salão, esfumaçado. Havia freiras e padres por todos os lados, dançando animadamente ao som de uma big band qualquer. Freiras putas, padres imaginários, pessoas comuns, pessoas vãs preocupadas com perfumes que, de santas, ah, que de santas nada têm. Nada. Porra nenhuma. E ele estava cansado de tudo aquilo. Cansado como o sol deve ficar por todo dia ter que nascer para fazer a vida feliz. Para fazer a vida girar. Ele queria ser a corrente marítima que dilacera, quebra e mata os incautos e conforta os divinos. Ele queria ser a morte que surpreende e entristece os tolos, porém eterniza os escolhidos. Ele queria ser qualquer coisa naquele momento, que não apenas um mero idiota com um cigarro mentolado no canto da boca, celebrando o nada, celebrando a alegria que lhe foi roubada. Ele podia, enfim, sentir a fumaça penetrando lentamente os poros das suas narinas. Naquele salão de festas de merda, ele podia perceber as imagens da linda moça vestida de noiva, rasgando a sua retina. As imagens da linda moça ruiva vestida de noiva, que um dia foi toda sua... somente sua... não fosse a estupidez e insensatez que exalava de seu suor, de seu cheiro, de suas lágrimas... que não eram poucas. Não nesta noite.


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