Pular para o conteúdo principal

FANTASIAS


E lá estava ele em frente ao espelho.
Um rosto pálido em frente ao espelho.
Muito pálido e muito inchado.
Excesso de bebida.
Excesso de excessos.
Uma festa a fantasia.
Mais uma festa a fantasia.
E ele odiava.
Mesmo.
Odiava de verdade.
Mas iria mesmo assim.
Mesmo assim.
Vampiro?
Fantasma?
Monstro?
Duende?
Não.
Ele decidiu ir de si mesmo.
Apenas um terno e uma gravata e um chapéu.
Apenas isso.
E no salão de repente ele a viu. Uma bailarina linda. Toda de rosa e com uma máscara suave cobrindo parte do seu rosto. Seu coração disparou e ele tomou um gole forte do conhaque para ter a certeza de que não desviaria antes de chegar próximo dela.
- Oi Débora, tudo bem? - ele perguntou, tímido.
- Débora? Não, meu nome é Letícia. Muito prazer - a "sua" bailarina respondeu, sorrindo
- Me desculpe - ele disse - Confusão, sabe? A luz, a música, a bebida. Mil desculpas – acrescentou – eu estava a procura de alguém.
- Deixa para lá. Não tem importância. Mas, você não me disse ainda o seu nome - ela perguntou, com um brilho incomum nos olhos
- ... Sinatra - ele disse.
- Como? - ela indagou, não entendendo o que a sua linda boca murmurava
- Adoro essa música do Sinatra. Quer dançar comigo? Meu nome é André - ele sorriu
- Claro. Vamos.
- Será ótimo dançar com uma bailarina - ele brincou
- Será ótimo perverter um mafioso - ela emendou
E foram dançar. Dançando Frank Sinatra e entretidos com I´ve Got You Under My Skin e com a sua bailarina, ele não percebeu, ao fundo do salão, uma moça parada, toda vestida de preto e fumando um Marlboro Light, observando a sua dança. Era uma bailarina vestida de preto, maravilhosa como em Swan Lake, maravilhosa como em o Lago dos Cisnes. Ela apagou seu cigarro no chão, com sua pequena sapatilha. Olhou uma última vez para o casal se divertindo na pista e se dirigiu, silenciosa e cabisbaixa, direto para a porta de saída.
Eles?
Divertiram-se.
Muito.
Ela?
Não.
Definitivamente.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NUCA

Ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. Muito feliz. Não existiam mais as más notícias. Não. Definitivamente não. Sem contas, protestos, cobranças ou ligações indesejadas. Nada. Nada a perturbar. Existiam apenas os lábios de Fernanda em sua nuca. Lábios deliciosos e densos. Intensos. Sempre pintados de uva. Sempre lindos. E os arrepios. Muitos arrepios. E ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. Muito feliz. Não existiam mais as más notícias. Não. Defitivamente não. Havia um aroma de uva no ar. Um perfume. E palavras sussuradas na dose certa. Na dose certa. E ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. E molhada. E o abraço que vinha depois era como um gatilho para uma boa noite. Toques. Reflexos. Seios.

Primeira Pessoa

leia e ouça: heaven knows I'm miserable now || vitamin string quartet performs The Smiths Eu. Primeira pessoa do singular. Eu. Eu mesmo. Muito prazer. Vivo. Eu. Na primeira pessoa. Vivendo. Escrevendo. Vivo (ainda). Sempre. Eu, na primeira pessoa. Escrevendo. Sempre (ainda bem). E naquela noite eu a encarei com firmeza, vontade, desejo, decisão e amor, muito, mas muito amor. E minha vida mudou. Tudo mudou. Tudo. Nunca esqueci aquele dia. Nunca. Fevereiro. Nunca me esqueci. Olhos grandes, gordos, verdes e lindos, absolutamente lindos. Lindos demais. Eu morri e fui ao céu (o céu existe?) ao ver aquela lindeza. Linda. Linda. Linda demais. Eu a olhei e a pedi em tudo. Em compromisso, em casamento, em namoro, em cumplicidade, em vida, enfim, em tudo, tudo, tudo, mas, ainda EU, eu… ainda precisava (e ainda preciso) me organizar. E ela percebeu isso. Ela percebeu o quanto EU, a primeira pessoa, apenas eu, precisava aprender. Me organizar. Viver. Aprender a viver. Dedicar menos, mas MUITO

Vida? Muito Prazer.

leia e ouça: all I want is You || vitamin string quartet performs U2 Eu erro. Ah, erro. E muito. E na primeira pessoa (que é a forma mais verdadeira de falar e admitir). Eu erro e erro e erro (e me arrependo, mas nada posso fazer) muito mais do que acerto. Mas também acerto (e, às vezes, no alvo). Sem dúvida. Não duvido mais disso. Erros e acertos. Vida. Eu erro e acerto e vivo (mas não me dava conta disso até um sábado à noite). Eu tento. Eu tento. Todos os dias. Eu busco me achar. Me encontrar. Sorrir. Ser feliz. E me achei (quer dizer, estou me achando). Aqui mesmo, dentro de mim e, claro, nela. Nela. Ela… Linda. Generosa. Única. Um farol de olhos esmeralda, as usual . 20 pontos, 20 itens, uma lista. Uma vida. A minha vida. A minha vida que coloquei no papel e não tinha me dado conta de tudo e do tanto que estava fora de lugar vindo do passado e eu sequer, mas sequer pensei nisso antes. Jamais. Não pensei. E diante da lista, me assustei. Me apavorei. Chorei. Mas, não caí. Ah, não. O