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Farelos


leia e ouça: all I want is You || vitamin string quartet performs U2



E ela veio e partiu.

Uma quarta-feira qualquer.

Um dia especial (com ela, mais um com ela perto, ah o seu perfume... ah, o seu perfume).

Ela veio.

E partiu.

Logo depois.

Veio como um raio, um furacão, uma surpresa, um raio de vento, um brilho na minha sala e partiu logo após, logo depois.

Partiu.

Linda.

Linda demais.

Sempre.

Linda, linda, vestida em preto. Toda vestida em preto em um vestido que simplesmente eu amo. A mais linda moça da cidade e ainda mais maravilhosa do que quando vestida de rosa.

Linda, sempre.

Sempre.

Em todas as cores.

Em todas as cores.

Sempre ela.

Fios mármore encaracolados na sua tez.

Linda.

Os cabelos mais cinza que jamais amei. E amo.

E sempre amarei.

Ela.

Amo.

Adoro.

Cabelos cinza.

Idolatro.

Amo.

Meu amor.

A mulher da vida.

A mulher da MINHA VIDA.

A pessoa que a gente não escolhe.

Ela vem, surge, aparece, e vira um bilhete premiado que jamais posso tentar desperdiçar (nem eu e nem qualquer um de nós, quando isso acontece).

O AMOR da vida.

É raro isso.

Muito raro.

Odin, esse maldito (só que não) vem e joga na cara da gente toda essa lindeza.

Toda essa lindeza.

Abusado.

Descarado.

E eu fico como?

Rendido, completamente rendido diante dela.

É preciso parar de chorar.

Mas ela é tão linda.

Linda.

Ela.

E fico como, depois que ela sai?

O perfume fica, o olhar fica, a lembrança fica.

As lágrimas?

Chegam aos montes.

Saudade.

Pela saudade.

Olhos verdes que jamais, jamais serão repetidos na história da vida.

Esmeraldas com brilho próprio.

Brilho de vida, brilho de cancão, de poder, de força, de superação, de tudo, de qualquer coisa que você, pobre leitor, pode sonhar.

Qualquer coisa.

Ela.

Apenas… ela.

E, do nada, me restam apenas os farelos do biscoito que ela deixou no meu sofá.

Eu? Farelos?

Odeio farelos, mas amo.

Amei.

Muito.

Amei e sorri, depois de vários e vários dias apenas criando canções no choro.

Farelos.

Pouco importa.

Farelos são tão pequenos e nada.

Pouco importa.

Ela?

Ela, não.

Ela sempre.

Sempre.

O amor da minha vida.

Recuperar-me-ei.

Levantar-me-ei.

Eu.

Eu.

Eu mesmo.

Ela?

Uma fada de sonhos, uma irlandesa baixinha e briguenta que amo e que possui os olhos verdes mais lindos que jamais existiram (nunca será superada, nunca), bem como com lábios tão notáveis e maravilhosos que sequer precisam ser pintados para brilhar. Eles brilham por brilhar.

Vida.

Ela é vida.

Ela.

Totalmente ela.

Você…

Eu amo você…





Photo by: n/d

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