Pular para o conteúdo principal
CORES (AZUL, AMARELO, VERMELHO, VERDE...)

A sensação de calor e tédio predominava naquela sala de aula. Calor insano. Tédio insano. Noite insana. As palavras da pessoa em pé diante de todos aqueles alunos soavam como nada aos seus ouvidos. Soavam tão interessantes quanto nada. A sensação de calor e tédio que predominava naquela sala de aula era insana e desumana. Mas ela estava lá. Como sempre, como todos os dias.

Ela observava, curiosa, aquele garoto lindo de morrer que estava sentado próximo a ela, na última fila. Ela observava com muita curiosidade o movimento das suas mãos. Eram mãos firmes, jovens, lindas, rápidas, que faziam a caneta deslizar por sobre o caderno velho, como se fosse Fred Astaire. Ele desenhava a paixão. Ele desenhava o amor. Ele desenhava como se fosse possível uma caneta dançar uma linda canção de amor.

Ela não imaginava o que ele estava desenhando. Não, ela não imaginava. Mas estava curiosa. Muito curiosa.

Seus olhos não desgrudavam daquelas mãos, por um segundo que fosse, por um instante sequer. Seus olhos não desgrudavam daquelas mãos, nem para que ela pudesse admirar por poucos segundos aquele garoto lindo, tão lindo, tão jovem, tão adorável, com cabelos propositadamente descuidados, propositadamente apaixonantes.

De repente, ele parou de desenhar, rasgou o papel com firmeza e olhou na sua direção. Deu um sorriso confortável, divino, e abriu a folha semi rasgada, semi amassada, em direção a ela e ela, menina, parou de existir por um instante.

Um coração. Um coração colorido de azul e amarelo. Um coração estilizado. Um coração lindo. Dele, para ela.

Ela pensou em dizer alguma coisa, mas ficou em silêncio. Ele pensou em desenhar alguma coisa, mas suas mãos tremiam.

Ele? Azul. Ela? Amarelo.

Quem pode dizer, com toda a certeza, quantas cores existem num arco-íris e se o pote de ouro está mesmo lá. No seu final. Pronto para ser resgatado.

Apenas eles... apenas os dois. O azul e o amarelo...



BLUE AND YELLOW
(The Used)

"and it's all in how you mix the two
and it starts just where the light exists
it's a feeling that you cannot miss
and it burns a hole
through everyone that feels it

well your never gonna find it
if your looking for it
won't come your way
well you'll never find it
if your looking for it

should've done something but I've done it enough
by the way your hands were shaking
rather waste some time with you

and you never would have though in the end
how amazing it feels just to live again
it's a feeling that you cannot miss
it burns a hole through everyone that feels it

should've said something but I've said it enough
by the way my words were faded
rather waste some time with you
"

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

...e de todas as coisas mais feias e mais belas do mundo, a única que a fazia sorrir era o mar, pois o reflexo no espelho causava angústia e vontade de chorar... e ele disse "eu não sei fazer poesia, mas que foda". ela concordou com a cabeça e lhe deu um beijo fabuloso, formidável, maravilhoso. ela chorou, sem saber se de felicidade ou tristeza... apenas sem saber...

NÃO SÃO TEMPOS COMO QUAISQUER OUTROS

OUÇA:  spang sisters || king prawn the 1st Ela jogou o livro de lado irritada, ajeitou os cabelos tortos pela cama e levantou-se. Aflita. Ela estava aflita e sem paciência. Nenhuma paciência. Andou de um lado ao outro do quarto procurando algo para pensar, algo para tocar, algo para lembrar, algo para fazer. Não pensou em nada ou, infelizmente, pensou sim tão logo percebeu o baú cor de palha encostado junto a parede. Lembrou das dezenas de fotos e bilhetes e bobagens que estavam ali guardadas. Pensou em abri-lo e considerou que esta seria uma boa ideia. Aproximou-se do baú e percebeu o que estava prestes a fazer. Parou brusca e riu da própria tolice em achar que as velhas lembranças podiam ajudar, ainda que em desespero. Não, nada que lembrasse aquela pessoa poderia ser bom naquele momento - considerou. Culpou o tédio pela burrice. Voltou a si. Sorriu e agradeceu a sei lá quem por ter voltado ao seu juízo normal a tempo. Saiu do quarto. Foi em direção a

Brindando Palavras Repetidas

  leia e ouça: richard hawley || coles corner - Você é repetitivo. Ele a olhou com uma surpresa muda,  - Você é muito repetitivo - ela disse, certeira, sabendo que o havia atingido em seu ponto mais fraco, mais vulnerável, mais dolorido. Não sorriu. Ele a olhou com certa surpresa sabendo que, no fundo, ela estava certa - Como assim? - perguntou, querendo ter certeza. - Repetitivo. Repetitivo. Você usa as palavras de forma inconsequente e repete sempre as mesmas coisas. Faz isso o tempo todo. - Faço? - ele disfarçou. Ela então sorriu levemente - Claro que faz. Mas o que me deixa ainda mais fascinada é esta sua cara de pau. Você sabe que é assim, desse modo, desse jeito e ainda assim continua nesta direção. Ele fingiu indignação, mas por puro orgulho. Ela estava absolutamente certa. Ele tomou um gole do que estava bebendo e ficou quieto, esperando a próxima porrada. - Não? Você não sabe disso? - ela insistiu. - Talvez - admitiu, sem admitir. - Então, por que você não tenta mudar? - Você
OLHOS FRIOS - Tudo bem? – ele perguntou, assustado com os olhos vermelhos e inchados da namorada. - Não sei – ela respondeu, inquieta. - Como assim, não sei? – ele disse, confuso – Ninguém chora à toa. - Não? – ela disse, sem alterar seu sereno tom de voz – Tem certeza? E ele a olhou com os seus lindos olhos verdes frios ... assustado por perceber que já a havia perdido.