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SEMPRE DESISTINDO

"Você pensa que eu sou um fraco, né? Um idiota, um babaca, um trouxa? Você pensa que eu não sou capaz de fazer nada, mas nada mesmo, porra nenhuma que possa ser útil ou de algum valor ou boa, enfim, que sirva para qualquer pessoa. Você pensa que eu sou um merdinha deprimido e presunçoso, que pensa que essa minha carinha triste pode evitar que a verdade da minha inutilidade exploda bem diante dos meus olhos. Você pensa que eu sou tudo isso, não? Você pensa, não pensa?

Então, minha querida, fique sabendo que, por mais que tudo isso seja verdade, ou melhor, por mais que tudo isso tenha uma pequena superfície de verdade, eu quero que você fique sabendo que eu não sou nada disso, eu não aceito nada disso, eu não quero para mim nada disso. Nenhuma dessas coisas ruins, nenhuma dessas coisas idiotas, nenhum desses rótulos infundados e errôneos e imbecis que você formulou de modo absolutamente homicida.

Fique sabendo apenas isso...NÃO PRECISO MAIS DE VOCÊ! Não mesmo!

Nunca mais...
"

E ele pousou a caneta de tinta preta no criado mudo, bem ao lado do porta-retrato colorido, com uma foto em preto e branco bem antiga deles (dias felizes), e leu e releu e leu ainda mais uma vez, todas aquelas palavras que havia acabado de escrever.

Não havia muita luz no quarto, exceto aquela provocada pelas pequenas velas flutuantes no aquário, devidamente acesas por ele junto com seu baseado.

Não havia muito amor no quarto. Apenas medo e frustração e covardia.

E ele chorou e rasgou em mil pedaços aquela carta imbecil, decidindo, de vez, quem estava com a razão...

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