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A CONTRACAPA DO ALMANAQUE DOS SONHOS...

Ele estava sentado no chão frio, ao lado da cama, totalmente no escuro. Ele fumava um cigarro e a brasa rala do mesmo era o único fiapo de luz que podia ser percebido no quarto. Ele sentia um vazio quase indescritível. Nada de sono. Ausência total de vontade de dormir. Ele estava muito desperto. E desesperado. Sabia que havia errado e Puta que pariu, eu sempre erro – pensava. Estava de saco cheio disso. Já fazia três semanas e ele, todos os dias, tinha vontade de ligar e se desculpar e saber como ela estava. Pensava que poderia apagar todos os erros que cometeu, todas as besteiras que disse, todo o medo que sentiu, apenas com um telefonema. Ele queria de volta a vida dela. Para poder dormir em paz ou para faze-la efetivamente feliz? Não sabia a resposta. Ao menos não naquela noite escura. Não naquela noite.

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NÃO SÃO TEMPOS COMO QUAISQUER OUTROS

OUÇA:  spang sisters || king prawn the 1st Ela jogou o livro de lado irritada, ajeitou os cabelos tortos pela cama e levantou-se. Aflita. Ela estava aflita e sem paciência. Nenhuma paciência. Andou de um lado ao outro do quarto procurando algo para pensar, algo para tocar, algo para lembrar, algo para fazer. Não pensou em nada ou, infelizmente, pensou sim tão logo percebeu o baú cor de palha encostado junto a parede. Lembrou das dezenas de fotos e bilhetes e bobagens que estavam ali guardadas. Pensou em abri-lo e considerou que esta seria uma boa ideia. Aproximou-se do baú e percebeu o que estava prestes a fazer. Parou brusca e riu da própria tolice em achar que as velhas lembranças podiam ajudar, ainda que em desespero. Não, nada que lembrasse aquela pessoa poderia ser bom naquele momento - considerou. Culpou o tédio pela burrice. Voltou a si. Sorriu e agradeceu a sei lá quem por ter voltado ao seu juízo normal a tempo. Saiu do quarto. Foi em direção a

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