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Mostrando postagens de Setembro, 2020

LOOP

OUÇA: vacations || avalanche Ela entrou no apartamento e apenas observou. Tudo estava igual. Tudo estava absolutamente do mesmo modo que ela havia deixado quando saiu, um pouco antes do anoitecer. O copo americano ainda estava sujo de café. A garrafa de refrigerante estava aberta e, óbvio, já sem gás. O caderno com as anotações rabiscadas e com as páginas amassadas estava no mesmo lugar. Os lápis continuavam sem ponta e as canetas estavam distribuídas sem cuidado pelo tapete felpudo. Os vinis estavam espalhados ao lado da vitrola antiga, herança de seu avô. Os maços de cigarros estavam vazios perto da mesinha de canto. Algumas roupas insistiram em ficar penduradas junto a estante, na mesma posição que ela havia deixado para secar perto do meio-dia. Bem, ao menos para alguma coisa servia o sol naquele apartamento – ela pensou. O relógio ainda estava parado e a fez lembrar de algo que não iria fazer mesmo: comprar baterias. Cinco da madrugada. Ela apenas permaneceu imóvel na sala de se

SONHO. SONHO?

OUÇA:  stello || so in love Ela sentiu o toque. Sentiu o detalhe das fortes mãos dele percorrendo o seu corpo.  O corpo inteiro. Suave. Atrevido. Delicado e adorável. Toques intensos. Espirais. Crescentes. Sentiu um calor, um tremor, um arrepio forte, sem saber exatamente donde vinha. Um arrepio delicioso. Sentiu quando ele a segurou firme pelas mãos e a levantou da cama abraçando-a com leveza. Noite fria, agora quente. Ela abriu os seus olhos devagar, numa tentativa de encontrar os dele.  Ele não deixou. Não. Não mesmo. Com suas mãos grandes, ele gentilmente a impediu, segurando com suavidade as suas pálpebras e as mantendo fechadas.  O aroma do perfume das mãos dele a invadiu e ela apenas sorriu, sem resistência. Concordou. Ele a abraçou com uma elegância rara.  Uma delicadeza raramente por ela sentida. Ela sentiu de forma ainda mais intensa o calor, o tremor, o arrepio forte, mas agora sabendo exatamente donde vinha. Um arrepio delicioso. Sentiu como se flutuasse, como se eles estiv

SHALL WE DANCE

OUÇA: rosalyn || loverfriend - Então, aceita dançar esta música? – ele pediu, com gentileza e suavidade. Ela sorriu. E ele estava trêmulo e nervoso. Ansioso. Ela estava alegre e linda. Serena. E quando as primeiras notas do piano soaram na caixa de som, os dois se aproximaram e os seus braços se encontraram. Entrelaçaram. Um elegante e suave toque em uma condução apropriada para o som de notas belas e delicadas. Ela o conduzia. Ele também. E a canção era densa e envolvente, apaixonada, e as notas voavam e flutuavam pela sala da sala. Os braços entrelaçados revelavam uma cumplicidade sem igual. Rara. Poucas vezes vista. Poucas vezes sentida. Nunca? Não daquela maneira. Não como naquela noite. Talvez em outros tempos, mas não como naquele exato instante. E entre braços entrelaçados e desejos agora não mais escondidos, o perfume dos cabelos misturado ao cheiro das tintas era inebriante. Aroma de camomila. Aroma de vontades. Desejos e sorrisos. Ela o conduzia. Ele também. O toque entre ele