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Mostrando postagens de 2003
desejo a todos vocês um ÓTIMO 2004.

E não pensem que o conto abaixo é triste. É um recomeço. Um ano novo. Novinho em folha. Para todos nós.

Beijos para quem é de beijos
Abraços para quem é de abraços...
ANO NOVO. NOVO?

E lá estava ele. Testemunhando seu vigésimo segundo reveillon. Vigésimo segundo? – ele pensou – Saco. Sempre a mesma coisa – prosseguiu com sua chatice.

Na verdade, pelo menos para ele, aquele parecia o seu trigésimo ou quadragésimo reveillon ou mesmo muito mais do que isso.

E ele estava sozinho naquela praia cheia de cerveja e de uma multidão suada e molhada e feliz. Cheia de gente cheia de vida. Cheia de sonhos. Decidiu dar meia volta e retornar para casa. Ao menos lá eu posso estourar meus tímpanos com um bom punk rock e não com essa merda toda de fogos e o caralho.

Faltava pouco mais de uma hora para o fim de tudo quando ele deitou-se no sofá rasgado do seu pequeno apartamento. Acendeu um incenso qualquer da sua colega de apartamento e colocou um bom disco de rock. Rock pesado para matar o samba. Todo carnaval tem seu fim, né? – ele riu, divertindo-se sozinho.

E entre um trago e outro daquele Campari forte e amargo, ele gargalhou como se estivesse enlouquecido.

Ad…
QUEBRANDO ONDAS

- Eu adoro o Natal – ela disse, entre uma tragada e outra, com um sorriso no canto dos lábios.
- É verdade? – ele perguntou – Eu não ligo muito. Dizem que o Natal só é encantador para quem teve uma infância feliz e é, efetivamente, uma pessoa feliz – emendou.
Ela o olhou com desdém – Da onde você tira essas coisas?
Ele sorriu e respondeu, animado – Leio por aí. Eu sou uma pessoa bem informada.
- Minha infância foi bacana e, apesar de tudo, sou quase toda feliz, mas gosto do Natal por causa do clima, das pessoas, enfim, tudo parece mais... sereno, mais tranqüilo e seguro, mesmo com a correria e a loucura das pessoas e todos os seus preparativos.
- Já escreveu sua carta para o Papai Noel? – ele perguntou, acendendo um Marlboro.
Ela o encarou com uma certa dose de tristeza e respondeu, seca – Não, ainda não a escrevi.
- Ué, e o que está esperando? Já é quase Natal – ele disse.
- Expectativas por expectativas, eu deixo apenas as coisas acontecerem. Esperar a onda perfeita, …
TEM CERTEZA?

E ela disse, implacável - O amor não existe, seu idiota.
Ele a olhou com os olhos de uma criança. Triste. Melancólico. Desolado - Mentira. Se ele não existisse eu não estaria aqui agora, destroçado.
- Tem certeza? - ela perguntou, cruel e violentamente, virando as costas e deixando apenas lágrimas para trás.
UM NOVO MUNDO PELAS JANELAS DAS ÁREAS DE SERVIÇO

Ela estava com os olhos cheios. Cheios de fumaça, cheios de vodka barata, de cansaço, de pensamentos antigos, de pensamentos infelizes, de planejamentos destroçados, de sonhos esquecidos, de lágrimas incontidas, de vida desmoronada. A sua vida. A sua própria vida.

Ela, enfim, estava com o saco cheio. Muito cheio. E aquela área de serviço era pequena demais para todos aqueles problemas e aquela fumaça.

Tudo por que mesmo longe, ele estava por perto. Perto demais.

Mas ainda assim – ela pensou - Ainda que enfurnada em uma área de serviço pequena, escura, com um cigarro vagabundo e amassado pelo bolso da calça jeans, ainda assim eu estou melhor do que olhando para ele, olhando para todos aqueles idiotas na sala de estar que o adoram e o acham um amigo. Um grande amigo.

Farta. Ela estava farta.

- Oi – uma voz disse atrás dela.
Ela não respondeu, sequer se virou. Sentiu apenas seu sangue derreter e sua cabeça explodir.
Ele não se aproximou. …
SURFBOARD

Ele olhou ao seu redor e percebeu, enfim, pela primeira vez naquela porra de verão, como o dia estava bonito e colorido. Como os dias ERAM bonitos e coloridos. Como caleidoscópios, como caixas mágicas. Caralho, eu não havia percebido esse sol – ele pensou, surpreso – Até que enfim me dei conta disso...

De fato, tudo agora parecia diferente. O céu estava azul, as pessoas estavam sorrindo, o sol estava quente, as ondas estavam frias, a crianças apenas gritos e os sorvetes, derretendo.

Ele parou de respirar por um minuto para apenas

...

observar aquela movimentação toda. A movimentação da vida, a movimentação das pessoas, a movimentação da areia nos seus dedos sujos de cigarro barato, a movimentação lerda e lesada com a qual não estava mais acostumado.

Ele não estava mais pensando nela.

Deu um sorriso e levantou-se sem pressa. Limpou a areia que estava grudada em sua perna e espreguiçou-se com força, como se seus músculos fossem de brinquedo e seu corpo fosse um fantoche.

Olho…
Pensei em desistir de tudo que escrevo por aqui. Desistir mesmo. De vez.

Não para chamar a atenção, mas apenas por reconhecer que me falta o oxigênio para escrever, me falta a vida para escrever.

Mas mudei de idéia. Como bom inconstante que sou.

E fico feliz por ter minha vida de volta.

Ainda hoje um conto sobre dia de sol, areia branca quente e mar frio.

Bem frio.
EM UM DIA COMO ESSE QUEM É (FOI) MAIS COVARDE?

O dia estava cinza. A areia da praia parecia uma película antiga. Uma película antiga e mal cuidada de um filme antigo. Antigo, porém lindo. Um filme de Audrey Hepburn. Um filme de Bette Davis. Um filme de Hayworth. Enfim, um caleidoscópio estrelado por alguma musa hollywoodiana dos anos trinta, quarenta, cinqüenta, no máximo. Foda-se – ela pensou.

O dia estava cinza e a areia, fria. Por um instante, ela percebeu que chumbo seria uma boa cor para preencher o seu coração. Chumbo. Cor forte, porém sem vida. Cor marcante, porém sem cor. Cor cinza, porém chumbo. Pesada. Perfeita para rimar com a palavra amor, em um verso cafona de alguma canção cafona, de péssimo gosto.

O mar estava bravo. A garoa, fina e fria. As gotículas que despencavam do céu pareciam açoitar o seu corpo da cabeça aos pés. Dos seus cabelos levemente vermelhos até as unhas indiscretamente pintadas de preto. Cor da noite. Parente próxima do chumbo.

Ela observava o céu chu…
APENAS O CAOS
Cansado, cansado e cansado...apenas isso.
Não desistam de mim, por favor...
rs
Tenho esperança de que o final de semana será ótimo.
ACREDITANDO / DESACREDITANDO

- Você acredita mesmo nisso? – ele perguntou, incrédulo.
- Claro. Você pensa que sou apenas uma idiota indecisa e que não sabe o que quer e o que precisa da vida? – ela respondeu, chorando.
Ele a olhou como ela fosse, definitivamente, uma idiota, mas disse o contrário – Você não é idiota. É apenas uma garotinha mimada e perdida e assustada e que pensa que a vida de todos gira ao seu redor. Ao redor do seu maldito umbigo
Ela o encarou com muita raiva, quase ódio e cuspiu cerrando os dentes – É curioso isso, não? – emendou.
- O quê? – ele perguntou, ainda mais incrédulo diante de todo aquele diálogo.
- Como eu pude te amar tanto...

Ele riu, interrompendo-a com deboche e irritação.

...e agora nem consigo te odiar. Apenas te desprezo – ela desferiu, de um modo sincero. Cruel.

O sorriso apenas sumiu do seu rosto. Ele a encarou, em silêncio enquanto escutava ela repetir - ...e agora apenas te desprezo.

Ela saiu do quarto.

E ele chorou.

Chorou como um garotinho m…
AFOGADO (...TEIMOU EM NÃO APRENDER A NADAR)

Chega de me açoitar com a sua frieza, com o seu olhar de falso anjo. Chega de me fazer sofrer, de me fazer chorar, de me fazer gritar. Chega de me causar tanta dor. Eu não quero isso. Eu não preciso disso. Por favor, pare. Pare de atormentar com os seus dramas, os seus fantasmas, as suas lamentações, os seus sonhos perdidos e frustrados e mal planejados. Pare com tudo isso. Eu sou apenas uma pessoa comum. Um idiota. Um idiota e um tremendo de um babaca. Idiota? Porque ainda acredito em amores perdidos e lenços sujos de batom e velhas poesias de amor e desespero. Babaca? Porque ainda acredito em lágrimas e boleros e tangos.

E tudo isso mesmo sendo um grande surdo, mesmo sendo um grande cego.

Mesmo sendo apaixonado, talvez a melhor definição de tudo isso.

Mas, como eu ia dizendo, chega de me açoitar com a sua indiferença. Chega de me fazer perder noites de sono e dias de paz. Chega de congestionar minhas veias com esse sangue envenenado. Che…
SUAVE É A NOITE

- Sabe o que eu mais queria, nesta noite? – ela perguntou, animada, enquanto observavam o céu cheio de estrelas brilhantes.
- O quê? – ele respondeu.
- O que eu mais queria era ser uma espécie de astronauta lunática, para poder brincar de esconde-esconde nas estrelas.
Ele sorriu e disse, carinhoso – Romântica, hein? Esconde-esconde nas estrelas... nunca pensei nisso.
- Mas seria ótimo não? – ela disse sorrindo.
- Sabe o que eu mais queria, nesta noite? – ele retrucou, com receio.
- Adoraria saber – ela completou.
Ele olhou fixamente para as estrelas e nada disse.
- Então – ela insistiu.
- Nada. Não queria nada além do que já tenho.
- E posso saber o que você tem de tão importante assim?
- Você fala demais, sabia? – ele brincou, para depois beijá-la carinhosa e devastadoramente, dispensando palavras. Apenas dispensando palavras.


PELO RESTO DOS SEUS DIAS

"Pelo resto dos seus dias, você vai ter que conviver com a incerteza de não ter experimentado. Pelo resto dos seus dias, você vai ter que conviver com a lembrança de seus medos, desesperos, inseguranças. Pelo resto dos seus dias, você vai ter o azar de perceber, em algum momento, que eles foram longos, longos demais. Pelo resto dos seus dias, você vai temer a noite apenas por não querer sonhar. Pelo resto dos seus dias, você vai querer fugir. A cada dia, a cada minuto, a cada segundo. Enquanto houver sol e lua, você vai pensar no que não fez, no que deixou para trás por medo, por puro medo e pura besteira. Pelo resto dos seus dias, esse seu medo vai se tornar pavor e o pavor vai ser tornar fobia. Pelo resto dos seus dias, você vai perceber que a fobia da vida não tem cura. Pelo resto dos seus dias, você vai desejar ter começado tudo de novo. Pelo resto dos seus dias, você vai chorar em silêncio.

No último deles, você vai perceber tudo isso. Tenho certeza.…
LUAS VERMELHAS

O quarto estava escuro. Escuro demais. Havia apenas um resto de vela, mas que, de tão pequeno, sequer era capaz de produzir uma centelha de luz decente. O quarto estava escuro. Tanto melhor – ela pensou – Assim, não preciso ver esse rosto triste, borrado, sujo, marcado. Assim não preciso ver minhas próprias lágrimas e minha própria incerteza, cruelmente estampada no meu rosto. Ela estava triste. Triste como nunca havia estado antes. Triste como ninguém jamais poderia imaginar. Triste como o mar sereno. Triste como um palhaço sem graça. O quarto estava escuro. Pelas paredes, as baratas fugiam do cheiro insuportável daquele incenso vagabundo. Tanto melhor – ela pensou – Assim, não preciso ver a que ponto cheguei, de que altura despenquei. Não preciso pensar no rascunho que me tornei. Não, caralho, não um rascunho, mas a própria fotografia de uma pessoa triste, sem vida. Uma pessoa só, sem objetivos, sem vontade, sem esperança, sem porra nenhuma. Uma pessoa com dor. Apenas …
AQUELE FOI O FIM

- Não há nada que eu possa fazer? – ele perguntou, ansioso.
Ela o encarou de uma forma desafiadora e respondeu, seca – Sim. Há algo que você pode fazer.
Ele apenas fez um gesto com a cabeça, esperando o que ela tinha a dizer.
- Sumir da minha vida. Pelo resto dos seus dias.
E aquele foi o fim.
APENAS UM DIÁLOGO

- É tudo tão triste e sórdido - ela disse.
- O mundo é assim. As coisas são assim. As pessoas, caralho, são assim - ele respondeu, lacônico e um tanto amedrontado.
Ela o encarou de um modo desafiador, sutil, irônico, nervoso, irado - Mas você não deveria ser. Você não deveria ser assim.
Ele abaixou a cabeça, fugindo do seu olhar devastador e sussurou - Mas sou. Sou exatamente assim. Triste e sórdido.
- E idiota - ela acrescentou - E um tremendo idiota.

E ele apenas chorou...como se isso pudesse mudar algo na sua vida...como se isso pudesse mudar algo
ESTRELAS ROUBADAS

Roubar estrelas não é crime e nunca foi. Assim como roubar o brilho da lua. Esse tipo de ação decorrente da própria falta de bom senso de quem ama. Rouba-se o céu, o sol, o sal, o mar, enfim, o próprio coração e a alma das pessoas. Então, roubar estrelas não é crime e nunca foi.

Crime é destruir uma paixão. Apenas para não querer sofrer, apenas para fazer sofrer.


LO(VE)NDON CALLING

O corpo dos dois parecia derreter, tamanha a excitação, tesão, volúpia, desejo e vontade que impregnava o ambiente naquele quarto. O suor transbordava por cada poro de cada corpo. Por cada poro. Por cada corpo. Ele estava absolutamente enlouquecido, extasiado. Ela, por sua vez, estava em uma espécie de transe, de delírio. Mãos e bocas e seios e pernas e coxas e dedos e lábios e línguas e beijos e saliva se encontravam. Sem parar. Sem parar. Contínua e sofregamente. O bouquet que pairava no ar era o de uma espécie de vinho raro. Beleza rara. Ela sentia o seu gosto na sua boca. Na dele e na sua própria. Ele sentia seu corpo no dela. Sutil, intenso, integrado. Suor e paixão e delírio e toques e gemidos. Sexo ou amor, ou seja lá o que isso quer dizer...

...

E eles deitaram e ficaram quietos, respirando o silêncio.

Por pouco tempo. Por pouco tempo.

Ela, agitada como sempre, gargalhou brava e abruptamente e ligou o velho aparelho de som nos últimos decibéis.

- Que música…
LUGAR COMUM

Ele tirou repentinamente a mão da sua coxa... “ela não gostou...”.

Ele tirou repentinamente a mão da sua coxa... “ele não gostou...”

E, no fundo, ambos gostaram. Sobrou apenas o medo. E não é sempre assim?
vocês me perdoam quando eu não respondo aos comments ou quando demoro para responder e-mails?

Por favor? (fazendo cara de manha) hehehe
ESSES SÓRDIDOS SALÕES DE FESTAS

Ele podia sentir a fumaça penetrando lentamente os poros das suas narinas. Amarga. Azeda. Crua. Como a vida. Ele podia sentir a densidade do momento, apenas pela maldita fumaça entorpecendo as suas narinas. Decidiu acender mais um cigarro. Preferia o próprio odor por ele produzido a aquele cheiro de hipocrisia, bourbon barato e esperma contido, sufocado, preparado. A noite era escura; as luzes, negras; e, as flores, coloridas. O salão, esfumaçado. Havia freiras e padres por todos os lados, dançando animadamente ao som de uma big band qualquer. Freiras putas, padres imaginários, pessoas comuns, pessoas vãs preocupadas com perfumes que, de santas, ah, que de santas nada têm. Nada. Porra nenhuma. E ele estava cansado de tudo aquilo. Cansado como o sol deve ficar por todo dia ter que nascer para fazer a vida feliz. Para fazer a vida girar. Ele queria ser a corrente marítima que dilacera, quebra e mata os incautos e conforta os divinos. Ele queria ser a morte…
O CLUBE DAS GAROTAS PERDIDAS

- Sabe o que eu acho Teka? – perguntou Lena, enquanto acendia mais um cigarro naquela mesa do Clube Varsóvia.
Teka, já esperando os costumeiros sermões da amiga, a olhou com apreensão, enquanto virava um gole da cerveja que restava naquele copo americano – Lá vem porrada. Diz.
- Você se preocupa demais. Demais. Muito mesmo. Caralho! – gritou - Por que você, uma vez na sua vida, não deixa as coisas acontecerem? Por que você precisa sempre estar na frente quando o assunto é dor, tristeza, ansiedade ou insegurança? Pode me dizer? Isso não faz sentido, não tem razão de ser.
- Lena querida, você não entende, não? Você simplesmente não entende. Isso porque a sua vidinha é perfeita, seus amigos são perfeitos, seus sonhos são perfeitos. Você é linda, interessante, inteligente, enfim, uma mulher admirável.
- E? – perguntou Lena, mostrando puro descaso com tais elogios.
- Conhece aquela canção que diz mais ou menos assim “... você está perdida garotinha / eu sei que …
SADOMASOQUISMO

Ela adorava seduzir e destruir. Adorava. A idéia de ter um poder quase sobrenatural sobre todos os homens a enlouquecia, a envaidecia, a excitava, a deixava má, cruel, sarcástica, fria, insensível. Ela adorava seduzir e destruir. Adorava. A volúpia de seus desejos era quase inacreditável. Quase inacreditável. E por isso mesmo ela sempre pensou que conseguiria alcançar todos os seus objetivos e ser poupada de todo o tipo de dor, apenas seduzindo e destruindo. Apenas com os seus lindos cabelos amarelados, suas unhas vermelhas, seus olhos azuis, sua tatuagem discreta, suas botas de couro, seus decotes generosos, seus cigarros sujos de batom, seus copos de vodka e seus delírios insanos. Mas, é óbvio que todos podemos cometer erros. E, infelizmente, para ela, cometeu o pior de todos os erros. E esse tipo de coisa jamais poderia ocorrer. Jamais. Um erro crítico. Um erro patético. Um erro fatal. Um erro miserável. Um erro vagabundo. Um erro lamentável. Um erro. Apenas um erro e…
OLHOS FRIOS

- Tudo bem? – ele perguntou, assustado com os olhos vermelhos e inchados da namorada.
- Não sei – ela respondeu, inquieta.
- Como assim, não sei? – ele disse, confuso – Ninguém chora à toa.
- Não? – ela disse, sem alterar seu sereno tom de voz – Tem certeza?
E ele a olhou com os seus lindos olhos verdes frios ... assustado por perceber que já a havia perdido.
O QUE VOCÊ FAZ QUANDO SE SENTE ASSIM?

Ele estava sozinho. Bem, na verdade ele sempre esteve sozinho. Sempre. E hoje não era diferente, óbvio. Ele estava, mais uma vez, apenas sozinho. Nesta noite de sábado. Nesta noite fria. Nesta noite chuvosa. Ele estava sozinho, tendo como companhia apenas os seus amigos abstratos e inanimados. Tendo como companhia apenas os seus medos, os seus livros, os seus discos, suas fotos, seus desejos, suas vontades, suas idéias, suas intenções, seus cigarros, suas drogas, suas tatuagens, seus remédios, seus poemas, suas lágrimas. Bem, talvez ele não estivesse tão sozinho assim, mas, no fundo, não era nada disso o que ele queria. Ele queria, na verdade, estar em algum lugar vivo. Rodeado de amigos e conversas e goles de bar. Ele queria, na verdade, estar com o coração lotado de sangue. Lotado de amor ou paz ou gozo ou seja lá o que lhe desse vontade de continuar alive and kicking. Alive and kicking and loving. E ele não estava assim naquela noite. Ele estava…
QUE DIFERENÇA FAZ?

- Você sabe a diferença entre a dor de perder alguém e a dor de nunca ter conhecido alguém? – ela disse, desesperada.
Ele permaneceu em silêncio, triste, apenas encarando o chão.
- Quando você nunca conhece alguém, o ódio não passa a ser o seu melhor amigo quando esse alguém vai embora.
QUANDO AS GARRAFAS NÃO PRODUZEM ESTILHAÇOS

- Olha só, está vendo? Na ponta dos pés – ela disse, quase gargalhando e com a voz mais turva possível.
Ele sorriu vendo aquela garota linda, de cabelos escuros como a noite, tentando se equilibrar sobre uma garrafa de champanhe das mais vagabundas em uma praça deserta de algum bairro residencial e chato da cidade - Você está bêbada, querida. Pode se machucar. Melhor parar.
- Feliz ano novo! Feliz ano novo. Feliz ano novo para todos os imbecis do mundo – ela gritava - Eu falei que devíamos viajar. Quem mandou ficarmos nessa porra de cidade nessa data tão fucking special? Agora é isso. Você vai ter que aturar a sua melhor amiga aqui, completamente bêbada e transtornando a sua vida – ela emendou, irônica.
- Bem, ao menos você está tornando um pouco mais divertido esse pé no saco de reveillon – ele concordou.
- Obrigado. Obrigado. Uma salva de palmas para mim. Eu mereço.
- E cá estamos nós. Na primeira madrugada do ano. Ouvindo fogos e gritos idi…
O QUE FAZEMOS COM VELHAS FOTOS?

- Então estamos finalmente reunidas nessa mesa de bar aqui no Clube Varsóvia? A gangue das três – disse Clara, com um sorriso genuinamente feliz.
- Como a vida muda, não? Costumávamos fazer isso sempre. Agora, nunca nos vemos e tampouco nos falamos. É quase um milagre esse nosso encontro – retrucou Leca – Ainda mais depois de tudo o que aconteceu. Depois de tudo o que dissemos.
- É mesmo. Como a vida muda – concordou Ana.
- Tem razão. E o pior de tudo é que eu não sei qual foi o atalho viciado que tomamos. O que deu errado, o que aconteceu? Eu não tenho essa noção. Alguma de vocês tem? – perguntou Clara.
- Melhor deixar isso para lá. Nossos erros, medos, verdades e defeitos. Erramos? Foda-se. O que importa é que estamos juntas essa noite. Isso é o mais legal – disse Ana, tentando desviar o assunto.
- Você está certa – concordaram as outras.
- Vamos brindar então. Vodka e mais vodka – gritou Leca.

E as três amigas ficaram sentadas naquela mesa do Varsóvia…
QUEM ATENDE OS SEUS DESEJOS?

- Corre Estela – ele disse – Vem ver.
- O quê? – ela retrucou – Que afobação é essa?
- Olha ali. Lá no alto. Uma estrela cadente – ele disse, animado – Faça um pedido.
Ela ficou quieta por alguns instantes e respondeu – Já fiz.
- Espero que se realize – ele desejou, antes de beijá-la.

- Corre Estela – um outro “ele” disse, anos depois.
- O quê? – ela retrucou – Que afobação é essa?
- Olha ali. Lá no alto. Uma estrela cadente – o outro “ele” disse, animado – Faça um pedido.
Ela respondeu de pronto – De forma alguma. Detesto pedidos e desejos e estrelas cadentes. Tudo bobagem.
- Tudo bem – o outro “ele” concordou – Eu já fiz o pedido por nós – finalizou, antes de beijá-la.
QUANDO SEMPRE FALTA ALGO...

Era quatro e meia da manhã. O bar estava quase vazio. Quase. Havia uns poucos clientes espalhados aqui e acolá, todos sendo servidos por garçons cansados e exaustos que mal podiam esperar para vê-los pelas costas.

Diferentemente dos demais, ela estava sozinha. Como sempre. Lá estava ela, ainda mais uma vez, sentada e acompanhada apenas por seus cigarros, seus pensamentos, sua tequila e seus papéis.

Estava escrevendo sem parar desde que chegou. Escrevendo e escrevendo e escrevendo. Palavras desconexas, palavras coloridas, palavras doces, palavras confessionais. Ela estava escrevendo uma carta para alguém. Uma pessoa querida, bastante querida. Ela sabia que naquele texto estava toda a sua declaração de amor por aquela pessoa. Toda. Não havia sequer uma palavra a mais do que o necessário. Tudo o que ela sempre quis dizer a ele estava lá, naqueles pequenos guardanapos amassados de papel vagabundo. Entre tragadas de cigarro sem filtro e goles de tequila barata, …
DOCES ASAS OBSCURAS

Tudo o que ela queria era que um anjo aparecesse e lhe acolhesse em suas asas. Asas doces, delicadas, gentis e seguras. Asas eternas, perfeitas, poéticas e fortes. Isso era tudo o que ela queria. Do fundo do seu coração. Do fundo da sua alma. Mas, infelizmente, ela acreditava que esse anjo jamais apareceria. Não, definitivamente ele não apareceria - ela costumava pensar. Nunca em minha vida. Nunca em minha própria vida. Não tenho tanta sorte.

A verdade é que por ela ser apenas pessimista e descrente da sua própria vida, sempre desejando a dor, ela jamais percebeu as pequenas plumas caídas no chão, sempre ao seu lado. Sempre por perto.

Pobre dela...


Meus dedos doem. De tanto teclar. E no monitor não aparece nada. Apenas palavras desconexas e sentimentos doloridos. Sentimentos extremamente doloridos. Não me deixem esquecer como é bom escrever...como é bom escrever...
OUVINDO O SOM DO MAR (AMORES POSSÍVEIS OU NÃO)

- Ouve – ela disse, tranqüila.
- O quê? - ela perguntou.
- O som, o barulho, essa sinfonia, essa música deliciosa – ela respondeu, sorrindo.
- Mas não há música alguma por aqui, querida. Estamos sozinhas nesta praia. Eu, você, o céu cinza, nossos medos e esse mar bravo.
- Então... o mar bravio. O som do mar. Apenas isso – ela retrucou, sem tirar os olhos do oceano – 7:15 da manhã. Você não acha essa a música mais deliciosa que poderíamos ouvir? A música mais romântica? – sorriu.
Ela olhou para ela com carinho e disse, calma e sorrindo – Você não desiste, não?
Ela retribuiu o olhar delicioso e respondeu – Não. Não desisto mesmo. Vou te amar para sempre. Quer você queira ou não. Quer você tenha medo ou não. Quer você rejeite isso ou não. Pode ter certeza.
E ficaram por lá, como duas estranhas, como duas amigas, apaixonadas, ouvindo o barulho do mar. Apenas ouvindo o barulho do mar.
SOCOS E CINZEIROS SUJOS

A crueldade nunca lhe caiu bem. Quero dizer, a crueldade nunca lhe caiu bem, porque, na verdade, a crueldade não fazia parte dela. De modo algum. Porra, ela sempre foi uma pessoa incrível, uma ótima amiga, uma filha gentil, uma ouvinte atenciosa, uma namorada carinhosa, enfim, uma pessoa adorável. Sem vícios, sem defeitos, sem maldade. A crueldade nunca lhe caiu bem, com certeza, mas ela estava de saco cheio disso.

No fundo - ela me disse aquela noite – estou de saco cheio de ser vista como uma pessoa educada, sensível, gentil, o caralho. Quero que me vejam como sou, com meus defeitos, com meus erros, com meus problemas. Quero que saibam que eu fumo, que eu já tomei drogas, que eu bebo tequila de uma forma descompensada, que eu quero fazer uma tatuagem, que eu gosto de rock barulhento, cheio de guitarras e ruídos, que eu faço sexo constantemente, enfim, que eu sou apenas uma pessoa. Quero ser eu mesma. Apenas isso. Estou de saco cheio de ser boa e de as pessoas…
... e então o tempo voou e eu mal consegui fazer qualquer coisa essa semana. E meus textos e minhas idéias ficaram suspensas. Esperando. Esperando o momento de eu transformá-las em palavras...e vou fazer isso. Se quiserem esperar...
O texto abaixo é sobre um segundo beijo perdido. Isso em razão de eu já ter escrito, certa vez, sobre um beijo perdido (quem não leu precisa vasculhar esses arquivos, mas no blog antigo, aliás). Falta de criatividade é isso...repetição de temas...mas o que eu posso fazer se eles são tão "reais" e "vivos", não é?
O SEGUNDO BEIJO PERDIDO

Eles estavam bêbados. Bem, na verdade eles estavam “quase” bêbados. A quantidade de vodka e de cerveja que eles haviam consumido e ingerido naquela noite chuvosa e fria dava para afogar até mesmo o herói aquático dos desenhos infantis dos anos setenta, Namor, “O Príncipe Submarino”. Mas isso não importava ou importava muito pouco naquela noite. O que fazia a diferença é que ambos estavam alegres e sorrindo e felizes. Como há tempos não ficavam. E, porra, não podia ser diferente. Eles eram amigos há “séculos”. Desde a época em que ela era a garota prodígio e ele o vilão da escola. E agora ela morava sozinha e eles, como não podia deixar de ser, continuavam amigos. Sempre juntos, sempre ajudando um ao outro, sempre por perto. Que mal há nisso? Nenhum, desde que eles mantivessem sempre bem guardados os seus segredos, os seus medos, os seus sonhos perdidos, os seus desejos recolhidos e as suas vontades sufocadas. Desde que eles tomassem os cuidados devidos...

- Não …
TRUE STORIES

- Alô? Pedro? – ela disse, com fina ironia na voz.
- Alô. Isso. Quem fala? – ele respondeu, sem conseguir disfarçar a surpresa e a decepção.
- Ora, já me esqueceu? Assim, tão fácil? Não esperava por isso – ela continuou, com a voz ainda mais mordaz – Depois de tantos bons momentos. Sei que foram curtos, mas você disse que foram ótimos.
Ele ficou em silêncio por poucos instantes e disparou – Claro que sei quem está falando, Carla. Claro que sei. Como está? – ele disse, nervoso, bastante nervoso.
- Eu vou bem. E você? Melhor?
- Indo. Como eu te disse, todos aqueles problemas andaram me tirando o sono. Mal saio de casa – ele afirmou, com muita convicção.
- Coitado. Mal sai de casa? Que tristeza. Logo você, um baladeiro de primeira – ela retrucou, direta.
- Espero que você não tenha ficado chateada comigo. Não deu mesmo para te ligar esses dias. Eu estou aqui em casa, atolado em serviço. Não bastasse tudo, ainda mais esse tipo de problema. Excesso de trabalho.
- Fico chateada…
Esse blog ficou meio movimentado nos últimos dias. Mais do que o normal. Bem mais do que o normal. Quem frequenta esse espaço sabe que sempre houve uma cumplicidade, uma unidade, uma espécie de troca (deliciosa troca) entre as minhas palavras e a atenção de vocês.

E no meio dessas semanas, eu lamento não ter tido o tempo e nem a oportunidade de agradecer como se deve a todas as pessoas que entram aqui e as palavras bacanas que eu recebo, seja através de comments, seja através de e-mails.

Então, eu aproveito a agora (sem querer ser cafona), para agradecer a todas as pessoas legais que entram aqui e perdem um minutinho do seu dia, lendo as palavras que eu jogo por aqui, tentando acertar o alvo...seja ele qual for...

Valeu...vocês não sabem como isso é bom e me faz bem...mesmo!!!

Beijos para quem é de beijos...
Abraços para quem é de abraços...


Bom final de semana...
BEIJANDO O CÉU

- Certa vez, quando eu era muito pequena, minha mãe me disse que bastava ter pensamentos bons para eu poder flutuar e beijar o céu – ela disse, chorando.
- E você conseguiu, não conseguiu? Bem ou mal... – sua melhor amiga perguntou, fazendo um carinho nos seus cabelos.
- Consegui. E perdi tudo. De uma só vez, como seu fosse uma imbecil.
- Mas você está aqui. Viva e sendo você.
- E fodida também. E a partir de hoje eu vou sufocar todos os meus bons pensamentos.

E sua amiga chorou junto. Querendo acreditar que ela ainda iria ficar bem novamente. Apenas querendo acreditar...
TUDO O QUE ELA QUERIA...

Tudo o que ela queria era ser importante para ela...

Os seus pensamentos flutuavam naquela noite. Ela estava absolutamente obcecada por Lúcia. Apaixonada. Mas não de uma forma sexual, romântica ou o que quer que fosse. Ela estava, na verdade sempre foi, fraternalmente apaixonada pela amiga. Ela realmente amava a sua amiga Lúcia. Queria ser como ela. Independente, decidida, objetiva, direta, moderna, fumante ativa, mochileira, enfim, Lúcia. Uma garota com a idade dela, com muito menos dinheiro que ela, porém com muito mais vontade de viver. Muito mais vontade de ser feliz. Lúcia era a antítese dela. Lúcia gostava de “tentar”, pouco importando se iria dar certo ou não. Lúcia gostava de viajar, pouco importando como chegaria ou voltaria do seu destino. Lúcia não tinha medo ou, se o tinha, disfarçava como poucos. Os seus pensamentos flutuavam naquela noite. Ela estava aflita e desesperada. Sabia que Lúcia não voltaria a ligar para ela. Não depois de tudo o que ela l…
EMBRULHANDO A LUA PARA PRESENTE

- Então vamos combinar uma coisa? – ele perguntou, animado.
- O quê? – ela disse, curiosa.
- Quando eu conseguir alcançar a lua, voando, eu vou roubá-la e te dar de presente.
Ela sorriu com a idéia tola e infantil dele e disse, tranqüila – Mas se você roubá-la só para mim, o que os outros casais vão fazer? Ficar sem o luar? Não precisa.
Ele a olhou e a olhou e a olhou e a olhou e perguntou – Ué, não quer a lua? Não entendo. Não consigo imaginar um outro presente tão cool e descolado e romântico e apaixonado como esse.
- Eu sei de um – ela afirmou, categórica – Tá certo que pode te dar ainda mais trabalho do que o presente lunar.
Ele a olhou intrigado e disse – Posso saber qual?
- Você. Basta você se entregar e me amar. Completa, total e absolutamente.
Ele sorriu e disse, carinhoso – Maldita vodka. Você está bêbada.
- Apaixonada – disse, encerrando o assunto e o beijando, a forma perfeita de dizer “eu te amo”...
SAUDADES ADORAVELMENTE DESCONHECIDAS

- E então Grasi? Nunca mais teve notícias da Isa? – Gustavo perguntou, enquanto acendia um cigarro e pedia mais um capuccino ao garçom do Clube Varsóvia.
- Não Gus, não. Já faz alguns meses. Ela deu uma desencanada. Sabe como são essas coisas né? - Grasi respondeu, também acendendo um Marlboro.
- Entendo assim, mais ou menos. É muita maldade sumir assim – disse Gus, com um sorriso.
- Ah, você não deve ficar chateado. Ela teve mil problemas. Eu nunca soube ao certo o que rolou, mas ela deu uma desencanada total. Uma sumida para recarregar as energias, para recarregar a vida. Ela deve estar flutuando por aí, no espaço, apenas para aliviar a dor, apenas para afastar os maus pensamentos.
- Eu sei, claro. Não fico chateado não. De forma alguma. Apenas gostaria de tê-la por aí, alive and kicking. Ela faz falta, não?
- Nem me fale Gus, nem me fale. Adoro aquela garota. Ela é divertidíssima. Nunca vi ninguém tão fascinada por tintura para cabelo de farmáci…
ALGUÉM NOVO PARA SER VOCÊ

É bom inventar alguém novo para ser você

E ela disse isso, assim, na sua face. Sem o menor pudor, sem o menor constrangimento, sem a menor piedade. Não se importou se ele ia chorar, beber, se drogar, se matar, enfim, se desesperar por não mais tê-la. Por ter, finalmente, percebido que jamais voltaria a tê-la. E ele ouviu aquelas palavras duras soar como trovões dentro dos seus ouvidos. Como uma explosão de uma bomba muito barulhenta. Uma bomba cruel. Uma bomba mortal. O efeito conseguiu ser ainda pior do que aquele ruído infernal. O efeito foi devastador. Foi devastador. Ele se sentiu derrotado. Como há tempos não se sentia. Ele se sentiu acabado, aniquilado, destroçado. Não encontrava palavras em seu escasso vocabulário para fazer frente ao que ouviu. Não conseguiu dar o troco. Dar o tapa na cara que gostaria. Engoliu seco e sentiu seu coração batendo desesperadamente acelerado. Desesperadamente descompassado. Desesperadamente triste. Não chorou. Não, ela não …
MELODIAS SURPREENDENTES

- Que barulho lindo é esse, mãe? – perguntou Lia, atenta a uma suave melodia que ecoava para dentro daquele idiota quarto de hospital.
- Deixe-me ver – disse a sua mãe, aproximando-se da janela – Olha só que maravilha. É um garoto tocando piano em um dos apartamentos residenciais aí da frente. Bem, com esse sossego que é essa rua, nem parece rua de hospital, só assim para ouvir essa belezinha. Você teve sorte.
- Sorte? É, tive muita sorte mesmo. Uma cirurgia de emergência, um corte gigantesco no corpo, uma recuperação horrível, uma beleza mesmo. Como sou sortuda.
- Bem, ao menos você está num hospital que tem trilha sonora. Uma agradável trilha sonora. Um garoto, que toca muito bem por sinal, ensaiando na janela em frente ao seu quarto. Eu acho melhor do que outras opções possíveis. Bem querida, eu já vou indo, você fica um pouco sozinha que eu já volto. Só vou pegar umas coisinhas em casa e já, já, estou de volta. Fique bem.
- Obrigado mãe. Até mais.

Assim que …
...me diverti muito hoje, com mudanças e estórias...gostei. Preciso ser menos impessoal, falar mais e escrever menos... os resultados são bons.
REGANDO GIRASSÓIS COM AMOR E SAUDADES

- Então é isso? – ela perguntou, quase aflita, com a voz distante.
- Creio que sim – ele respondeu, disfarçando a tristeza – Fique tranqüila, a viagem vai ser do caralho. Você vai amar. Você vai, estuda e, logo, logo, vai estar de volta e nós continuaremos juntos. Sempre juntos. E, afinal, nem é tanto tempo assim.
- Pô, seis meses é quase uma vida – ela disse.
- Não, relaxa, vai passar voando. E você tem razão, vai ser uma vida. A sua vida. A nossa vida.
Ela permaneceu em silêncio e ele emendou – Vá tranqüila querida, por favor. Você sabe que eu te amo e tudo o mais e pode apostar que quando você voltar eu vou estar te esperando. Pode estar certa.
- Você tem certeza que não quer ir ao aeroporto? – ela perguntou – Já estou quase saindo.
- Nós já conversamos sobre isso, não? – ele retrucou, firme.
- Tá bem, tá bem, não vou mais discutir isso. Bom, preciso ir. Nossas despedidas já fizemos. O resto vem depois – ela disse, já chorando.
- Fique bem queri…
Estou contente. Olha o novo template que ELA fez para mim. Ficou bom? Eu gostei...qualquer reclamação não é comigo (rs).

Ficou cinza e bonito, como o dia de hoje...

Obrigado...
DIAS ASSIM...CINZAS OU COLORIDOS

- Vamos desistir dessa porra de aula e rodar por aí? – sugeriu Caco, assim que Laura entrou no carro.
- Quê? – ela disse, ainda tonta pelo sono.
- Ah, confessa, essa uma idéia genial para essa hora da manhã – ajudou Nando, sentado com um cigarro no banco de trás do veículo – Pensa bem. Hoje é quinta feira, não estamos com a menor vontade de ficar trancados em uma estafante sala de aula, estamos com o tanque desse carro velho totalmente cheio, estamos com vários cd´s legais aqui e, melhor, temos que celebrar a sua viagem insana e inconseqüente que, lembre-se, será daqui pouco mais de um mês. Vamos embora. Hey Ho, babe, que pensa? – completou com um sorriso.
Laura olhou para os dois lunáticos, seus amigos de muito tempo e, com um sorriso bem menos amanhecido, sentenciou – Não precisa nem repetir. Vamos embora.

Caco ligou o carro e eles saíram acelerados, sem rumo certo, sob sorrisos e palavras. Rodaram e rodaram e rodaram e acabaram no litoral, numa prai…
GRAVANDO E APAGANDO MENSAGENS

Cansado, ele entrou em casa percebeu que havia mais de cinco mensagens telefônicas gravadas na sua velha secretária eletrônica. Ouviu parcialmente todas, na seqüência. Todas da mesma pessoa. Todas as malditas mensagens eram dela. Todas. Não chegou a ouvir nenhuma inteira. Apagava-as, tão logo ouvia aquela voz irritante no aparelho. Aquela voz irritante que tão bem ele conhecia. Desistiu do telefone, acendeu um cigarro e encheu um copo gigante de vodka. Sentado no escuro da sala descobriu, triste, que não sabia o que era perdão. Sorriu sozinho e respirou aliviado. Descobriu que melhor e mais cruel do que não saber perdoar, é não se importar com isso. Simplesmente não se importar.
QUANDO AS CARTAS SÃO DEVOLVIDAS POR AUSÊNCIA DE ENDEREÇO

Ela abriu sua pequena caixa de papéis antigos, textos mal escritos e fotos amarelas e feias, e mal acreditou na carta que encontrou...

“Então você se acha assim mesmo? Um misto de erros e trapaças e enganos e fracassos. Uma piada. Uma piada sem graça. Uma pessoa a quem ninguém leva a sério, nem mesmo você. Uma pessoa desprovida de qualquer capacidade de as pessoas gostarem de você. Uma pessoa que pensa que a solidão pode aliviar sua dor, sua dor em existir, sua dor por não amar, sua dor por não compreender que você não é o centro do universo e que as pessoas não querem ser sua amiga. Não, querida, você está errada. Você não é nada disso. Você apenas precisa aprender que a vida não é feita de inverno e dias cinzas. A vida é feita de sonhos, de sol, de noite, de fúria, de desejos, de energia, de sorrisos e, claro, também de coisas ruins, desagradáveis e incômodas. Mas, ora, você está viva ou o quê? Você precisa aprender a ser você.…
A CONTINUAÇÃO DO CONTO ANTERIOR...

Após o silêncio, ele decidiu ir embora. Tão logo ele fechou a porta para sair da sua vida, ela permitiu a primeira lágrima escorrer inteira pelo seu rosto. E ela sufocou o grito, muito mais por ele ainda estar por perto e poder ouvi-lo do que pela ausência de vontade em pronunciá-lo. E ela entrou em desespero e pensou que estava tudo errado na sua vida. Na sua ridícula vida. Que, no fundo, porra, não era nada ridícula, era apenas como a de todos nós. E enquanto chorava, ela sentia como se tivesse tomado um dos maiores golpes da sua vida. Um golpe forte, um soco pesado e violento. Uma porrada daquelas que machucam, que deixam marcas, que causam danos, mágoas. Daquelas que ferem. Que faz sangrar. Ela sentia como seu supercílio estivesse aberto. Como se o sangue jorrasse pela sua tez. Como se o sangue jorrasse e a sua mistura com o rio de lágrimas que ela produzia, criasse uma espécie de tinta psicodélica, uma espécie de tinta triste, uma espécie de tint…
QUANDO O SOL DEMORA DEMAIS PARA NASCER E A LUA, CRUEL, NADA FAZ...NADA FAZ...

- Vamos dançar Nando? – Ciça disse, com um dos seus maiores sorrisos.
- Agora? Já é quase meia noite. Você quer sair? – perguntou.
- Não. Subimos no telhado do prédio. Situação não usual. Diversão garantida. Aproveitamos e dançamos admirando a cidade, as luzes, a noite, os prédios.
- Claro – disse Nando, levantando e pegando seu casaco.

E o edifício era daqueles antigos, típica construção dos anos sessenta, com um terraço gigante, enorme, cheio de pastilhas coloridas e com um amplo espaço vazio, perfeito para se admirar a noite, perfeito para danças noturnas, perfeito para sonhos românticos.

- Não acredito! – Nando disse, assim que chegou ao topo do prédio – Você colocou essas velas? E essas flores? E esse rádio? Ficou lindo Ciça...absolutamente lindo.
- Fico feliz que tenha gostado. É para você. Para nós dois.
- Ciça, eu preciso falar com você – disse Nando, sério.
- Depois querido, agora eu quero dançar.

E …
PALAVRAS E MANHÃS DE SOL

Ele abriu os olhos, devagar, e percebeu que provavelmente estava um puta sol naquela manhã de sábado. A claridade estava muito intensa dentro do quarto e, mesmo com a persiana fechada, dava para sentir o sol. Ele girou os olhos e deu um sorriso. Ela estava ao seu lado. Dormindo. Ele movimentou seu corpo devagar e saiu da cama sem fazer qualquer ruído. Foi ao banheiro, não sem antes admirar por alguns instantes o corpo dela, lindo, nu em sua cama. Ele estava feliz. Muito feliz.

Assim que saiu do banheiro, sua voz suave e doce e adoravelmente rouca preencheu o pequeno quarto.

- Já acordado? – ela perguntou, preguiçosa.
- Bom dia.
- Bom dia – ela respondeu, tentando cobrir parcialmente o seu corpo com o pequeno lençol de solteiro.
- É cedo ainda – ele disse – Não quer dormir mais um pouco?
- Não. Cansei.
- De dormir? – ele perguntou, com um sorriso.
- Não. Cansei de sonhar dormindo. Quero acordar. Quero viver. Quero gritar. Quero dar as boas vindas ao nosso amigo…
BOA VIAGEM

POR FAVOR, USE OS HEADPHONES
(DEUS - SERPENTINE)


- Então é isso Bia? – Gloria perguntou, com uma certa tristeza no olhar.
- Receio que sim. Receio que esse é o momento de dizermos “até a volta”. E pode apostar que eu vou voltar. Quando? Não sei, mas vou voltar.
- Vai me escrever, pelo menos?
- Claro que sim Glorinha. Claro que vou. Uma carta por cada sentimento que eu tiver que dividir com você. Uma carta por cada novidade, enfim, milhares de cartas.
- Espero que você não esqueça disso – pediu, enquanto abraçava com força a amiga.
- Claro que não vou esquecer. Claro que não.
- Você não precisava ir, precisava? – perguntou Gloria, fazendo força para não chorar.
- Querida, você sabe que sim – respondeu Bia, com um sorriso terno – Você sabe que eu preciso fazer isso. Que eu preciso encontrar e colar bem colado todos os estilhaços em que me transformei. Você, mais do que ninguém, sabe como eu estou feliz com tudo isso. Como estou feliz em poder ir.
- Tem razão Bia. Desculpe-me.…
FELIZ DEZ ANOS (PASSADOS)

POR FAVOR, USE OS HEADPHONES
(REBEKAH DEL RIO – LLORANDO (CRYING))


– Feliz ano novo! - ela gritou, feliz e com um dos sorrisos mais lindos que ele jamais havia visto.
- Feliz 1993 – ele respondeu, dando-lhe um abraço apertado.
- Não acredito que estamos mais uma vez celebrando toda essa loucura, juntos – ela disse.
- Nem eu querida. Nem eu.
- E cada vez mais amigos. Cada vez mais próximos. Cada vez mais irmãos.
Ele sorriu e disse, vibrando – Toma mais um gole. Esse espumante de quinta categoria vai renovar seu espírito para o ano que começa agora.
Ela virou um gole direto no gargalo e retrucou – Bem, se vai renovar alguma coisa, isso eu não sei, mas que vou ficar completamente chapada, isso eu tenho certeza.
- E isso é só o começo da nossa amizade – ele advertiu.
- Porra, e como – ela respondeu – Você vai ter que agüentar a velhinha bêbada aqui durante vários e vários anos.

- Olha a pose do casal –gritou de surpresa Paulo, amigo dos dois e o único munido de…
DETESTANDO SÁBADOS, DOMINGOS, SEGUNDAS, TERÇAS...

POR FAVOR, USE OS HEADPHONES
(TORI AMOS – I DON´T LIKE MONDAYS)


Ele estava sem muito saco naquela noite de sábado, mas, ainda assim, graças à insistência deles, resolveu sair com os seus amigos para beber, dançar, conversar, fumar, enfim, viver uma típica noite de sábado como faz todo ser humano que está...vivo. E, ainda que não fosse esse exatamente o seu caso, lá foi ele, mais uma vez, ao Clube Varsóvia, para sentar e fumar um Marlboro atrás do outro, enquanto os seus amigos dançavam e se embriagavam.

E enquanto a música preenchia o ambiente de modo devastador e o álcool começava a cumprir o seu papel de desinibidor supremo, ele fez exatamente como a sua mente solitária havia, cruel e repetidamente, planejado antes da chegada dos seus amigos. Ficou prostrado em uma cadeira nada confortável do Varsóvia, ouvindo o som e apenas olhando a diversão, como se ela não lhe fosse jamais permitida.

Mas o acaso conspira.

Entre um cigarro e outro,…
eu quero escrever sobre sombras e sorrisos, sobre sol e lágrimas, sobre contrastes, sobre vida, sobre o que realmente importa. Nunca pensei que fosse tão difícil...

LÁGRIMAS DE NEVE

POR FAVOR, USE OS HEADPHONES
(GENESIS – MORE FOOL ME)


E lá estava ele naquele país estranho, com pessoas diferentes do seu mundo, que não falavam a sua língua e não entendiam o que ele sentia. E lá estava ele sozinho, como de hábito. Sozinho e em Varsóvia. Polônia. Em pleno começo de inverno e sentindo um frio quase igual ao da sua alma. Glacial. E ele mal lembrava como havia ido parar naquela gelada e distante cidade. O que começou como uma fuga, acabou virando a sua vida. Uma vida de estações de trem, cozinhas de restaurantes baratos, cigarros grosseiros, roupas sujas e desgastadas e pouco, bem pouco dinheiro. O destino final? A fria Varsóvia. Foda-se – ele pensou – Ao menos faço o que quero da vida.

Só que sozinho. Sem ela. E em pleno inverno glacial.

E naquela manhã, ao sair da cama, ele nem percebeu que a noite mal dormida foi apenas um prenúncio de que, após seis meses de fuga, o passado estava de volta para lhe encarar, lhe ferir, lhe machucar. Ele saiu da cama e…
QUANDO O SILÊNCIO É MAIS DEVASTADOR DO QUE UMA PORRADA

- Pára de me magoar, porra! - ela pediu, aflita e chorando.
- Você sabe que isso é impossível - ele respondeu, com desprezo e continuou - A não ser que eu faça uma coisa.
- O quê? - ela insistiu, com os olhos borrados de tantas lágrimas.
- Saia daqui em silêncio. Sem te dizer porra nenhuma.

Ela nada disse...socou a parede e desejou que o tempo voltasse. Apenas para tentar aprender a não errar.
COMEÇO, MEIO E SORRISOS

POR FAVOR, USE OS HEADPHONES
(FIRE INC. – TONIGHT IS WHAT IT MEANS TO BE YOUNG)


Ela estava cansada. Cansada demais de tanto quebrar a cara. Cansada demais de tanto chorar. Cansada demais de tanta indiferença. Cansada demais. Apenas cansada demais. Mas, no fundo, bem lá no fundo, ela estava orgulhosa por, ao menos, estar tentando ser feliz. Estar tentando ter alguém, estar tentando encontrar o caminho, estar tentando sorrir, estar... tentando. É difícil isso – ela pensou – Difícil e sofrido, mas tem valido a pena – continuou.

E no seu quarto, naquela noite de verão insuportável, entre as gotas de suor, as fotos jogadas na cama, os bilhetes mal escritos pelos idiotas, as declarações de amor nada sinceras lançadas na sua face de uma forma absolutamente leviana, as suas memórias, as xícaras sujas de capuccino, os seus livros e os seus discos, ela decidiu que mesmo com o passar de todos esses anos, ela ainda iria continuar tentando. Ainda que morresse por isso. É is…
DERRETENDO EM LÁGRIMAS E CHOCOLATES

POR FAVOR, USE OS HEADPHONES
(SEMISONIC - SUNSHINE AND CHOCOLATE)


- Não entendo você – ela disse, atordoada com a porrada que havia acabado de levar.
- Não entende o quê? Que eu não te quero mais? Cansei porra, qual o problema com isso?
- Qual o problema? Qual o problema? – gritou – O problema, seu filho da puta, é que você não pode e não tem o direito de entrar na porra da minha vida da forma como entrou, mergulhando de cabeça nela, me fazendo acreditar numa série de coisas e agora, sem mais nem menos, você acorda e diz “tchau”, “valeu”, “é isso aí”, “nos encontramos na vida”. Vá se foder otário. Você pensa que pode fazer o que bem entender? – berrou, tentando com todas as suas forças não chorar. Ao menos na frente dele.
- Dan, eu posso ter feito uma porrada de bobagens e ter agido como um tremendo um filho da puta. Mas eu quero que você entenda que eu não fiz nada disso para magoar você. Eu realmente acreditei que poderíamos dar certo. Muito certo.…
não esqueci das canções, apenas ando com saudades da minha vida. Agora tudo volta ao normal. As canções? Elas estão aí em cima. E eu não escrevo só sobre canções desconhecidas. Eu escrevo sobre canções bonitas. Para mim ou para vocês ou para todos nós...conversados?
DANÇANDO EM PISTAS SUPOSTAMENTE VAZIAS

POR FAVOR, USE OS HEADPHONES
(BEN HARPER – WALK AWAY)


O Clube Varsóvia estava quase vazio naquela noite. Era feriado na cidade e, portanto, as poucas almas que habitavam o Clube haviam partido para outros endereços, outros lugares, outras vidas. Mas, apesar disso, dessa tranqüilidade inesperada, a noite estava agradável no Varsóvia. Uma noite realmente agradável. E surpreendente.

No centro da pista estava ela. Dançando e cantando e vivendo e sendo feliz, na medida do possível, na medida do que lhe era permitido ser. E enquanto dançava e pulava, acompanhada apenas de um copo de vodka, ela foi interrompida por um adorável moço estranho, um adorável moço desconhecido.

- Oi – ele disse, tímido e desconfiado, como não querendo, mas, no fundo, desejando ardentemente interrompê-la.
- Oi – ela respondeu
- Você dança muito bem – ele disse, sorrindo.

Ela o olhou com atenção e respondeu direta – Nem tanto, nem tanto. Apenas danço com vontade. Veja bem – dis…