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Mostrando postagens de Agosto, 2018

TORMENTA

Ele não sabia exatamente o que sentia. Definitivamente não. Um vazio imenso. Intenso. Um vazio. “... ela é só uma menina e eu deixando que ela faça o que bem quiser de mim... ”. Paralamas? Creio que sim. Mas ele não sabia exatamente o que sentia. Definitivamente não. Definitivamente não. Um vazio imenso. Intenso. Um vazio. Só sabia que tinha sido chutado. E muito, muito forte. Muito forte e para muito para longe. Muito longe. Um tolo. Uma garota. Um amor perdido. Raiva, frustração, dor, amor, calor, enfim, tudo. Simplesmente tudo. Perdido. Tudo perdido. Uma tormenta de emoções. Uma tormenta. E ele apenas estava lá. Com seu copo de bebida e seu cigarro vagbaundo. Ouvindo o barulho da chuva na varanda. Ouvindo o barulho da chuva na varanda. “tor·men·ta sf 1 Tempestade violenta, especialmente no mar; borrasca, temporal: “A lua, nascida durante a tormenta, estava a brilhar sobre o firmamento limpo. Espalmava-se em toda a

FOI VOCÊ. DERRUBANDO O CREPÚSCULO

Ele acendeu (mais) um cigarro naquela sala escura e solitária. Quase fim da madrugada. Quase fim da madrugada. Ele deu uma tragada longa e virou (mais) um copo americano de vodka barata naquela sala escura e solitária. Mais um cigarro. Mais fumaça. Mais vodka. Mais lembranças. Muito mais lembranças. Muito mais. E nenhum incenso aceso. Nenhum. Falta dela. E o batom dela era muito, mas muito vermelho. Muito mesmo. Disso ele sempre lembrou. Sempre. Batom vermelho daqueles que sequer “desmontam” na piscina de uma apresentação de nado sincronizado. Sequer “desmontam” em qualquer ocasião. Jamais. Água, tempestade ou beijos ardentes. E a luminosidade era nula ou quase pouca naquela sala vazia, exceto pela chama opaca e amarela do cigarro vagabundo que ele fumava. Quase fim da madrugada. Quase fim. E ele sequer queria levantar do sofá para virar o lado do seu velho disco de vinil cujo lado B já havia acabado há tempos. Ele acendeu (mais) um ci

NADA PODE SER MELHOR QUE ISTO

O sol brilhava. E eu? Contente como nunca. Contente como nunca. Sem parecer realidade. Apenas o sorriso dela. Apenas o sorriso. Nada mais, além dos beijos de morango. Morango. Mas o sol brilhava. Muito. Eu? Contente como nunca. Sorrisos de baunilha e deliciosos beijos de morango. Deliciosos. O sol brilhava. Eu? Apenas dormindo e sonhando. Nada era real. Nada. Mas nada pode ser melhor que isso. Um sonho bom. Um grande sonho bom. Um enorme sonho bom. E quando acordei? Ah... a realidade. Apenas isso. Apenas. E doces memórias de sonhos bons. Muito bons...

BLANK GENERATION

E o baterista tocava de forma insana. Insana. Raivosa. Louca, rápida e forte. Muito forte. Muito raivosa. Como se não houvesse amanhã. E elas? Bem, elas apenas se olhavam. Apenas se olhavam. Paixão, carinho e amizade. E muitas doses de gim. Muitas doses de gim. E o baterista? Bem, ele continuava tocando de forma e raivosa. Apenas olhando o seu público. Paixão, carinho e amizade. E muitas doses de gim. Muitas doses de gim. E seus braços? Doendo. Assim como seu coração... Assim como ele. BLANK GENERATION Richard Hell and the Voidoids “ I was sayin' let me out of here before I was Even born, it's such a gamble when you get a face It's fascinatin' to observe what the mirror does But when I dine it's for the wall that I set a place I belong to the blank generation and I can take it or leave it each time I belong to the generation but I can take it or leave it each time Triangles were fallin' at the wind

BATOM DE UVA

Duas garotas lindas e atordoadas. Atordoadas. Pela vida, pelos fracassos, pelos amores errados, pelo excesso de álcool nas baladas, enfim, por tudo. Tudo. Escolhas erradas. Erradas? Escolhas delas. Apenas delas. Apenas escolhas erradas ou não, mas apenas delas. Só. Apenas delas. Então, foda-se. Duas garotas lindas e atordoadas. Tudo conturbado. Tudo. Cortes, sangue, beijos, manchas, delícias, marcas, carinhos. Odores e aromas. Duas garotas lindas e atordoadas. Atordoadas. Pela vida, pelos fracassos, pelos amores errados, pelo excesso de álcool nas baladas, enfim, por tudo. Mas, principalmente, uma pela outra. A delícia de uma completar a outra. Óculos escuros e persianas fechadas. E o gosto do batom de uva era o principal. O principal. O sorriso do dia. O sorriso do dia das duas. Das duas. Simples assim. Simples assim.

TALVEZ NÃO. TALVEZ SIM. DEPENDE.

- Você é linda sabia? – ele disse de forma surpresa, rápida, inesperada. Do nada. Nada sutil. Nada sutil, mas ainda assim repetiu – Você é absolutamente linda. Sentados em um balcão de bar do Clube Varsóvia. - Linda... - Talvez não. – Ela respondeu com um sorriso. Um belo sorriso. Ele riu e emendou - Não. Você é linda. Mesmo. Definitivamente linda – completou com um sorriso. Ela apenas sorriu ainda mais uma vez. Agora completamente tímida. Vermelha como o Campari vagabundo que bebia. Cheio de gelo e repleto de nada. Repleto de nada. Ele retribuiu. E a música era alta no Clube Varsóvia. Bastante alta. Muito. Mas os sorrisos não. Nada altos. Apenas silenciosos. E tímidos. Fogo amigo. Tênues, constrangidos ou mesmo devassos. Devassos. Eles estavam atraídos um ao outro. Muito. Apenas não sabiam expressar. Definitivamente não. - Você é linda sabia? – ele repetiu de forma surpresa e não tão rápido, nada inesperado. Nada sutil. - Talvez não. – Ela