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Mostrando postagens de Março, 2006
AONDE O MAR VIRA O CÉU... - Então será mesmo dia 19? - ele perguntou, quase casual, quase indiferente. Ela evitou olhar para ele. Disfarçou olhando o mar, longe longe, aonde o oceano vira o céu - Sim. Dia 19, ou seja, próximo sábado. - Uma semana - ele lembrou, brincando com areia entre os dedos, desenhando nuvens e sonhos psicotrópicos. - É - ela disse, lacônica e breve. - Mas vai ser maravilhosos querida. Vai ser maravilhoso de verdade. Não acha? - ele perguntou, agora querendo apenas (auto)convencer de que ela estava certa, de que ela realmente estava fazendo o melhor, o correto. Ela encarou os dedos finos dele deslizando na areia - Não sei. Não sei se vai ser maravilhoso. Mas sei que é o quero fazer. Quero mesmo dar um basta e sumir. Viver. Sei lá. - Berlim. Berlim é longe não? - ele riu da própria besteira. Ela sorriu, enquanto sentava na areia molhada ao lado dele - Longe pacas. - E nós? - Nós? - É. Nós. - Nós o quê? - ela respondeu querendo evitar aquela pergunta, querendo e
BOBAGENS SOBRE CÚPIDOS SÁDICOS Não há inspiração alguma. Não. Definitivamente não há qualquer inspiração. Nem uma foto, nem um desejo, nem um sorvete, uma dor, uma paixão, uma vida, uma morte. Não. Nada disso. Definitivamente, não há inspiração nesta manha tão cheia de chuva e nuvens chumbo. Pode ser o fim, o começo, o meio, qualquer coisa, mas o caminho parece liso, branco, único. Nada a dizer, nada a declamar, nada pelo que morrer, nada pelo que sonhar. O vazio entediante do espaço explode como uma tragada de nicotina no seu pulmão. E quando o tédio e o vazio são as coisas mais ressonantes em uma vida, ah, aí talvez seja melhor apenas chorar. beber umas tequilas, fumar algum cigarro. Entorpecentes. Escutar um disco de jazz antigo, mas jazz, porra, é das coisas mais chatas que existem na vida. Chato, chato, chato. Não que não seja maravilhoso ser Thelonious Monk ou John Coltrane. Neon e fumaça. Não, é chato apenas porque te faz sonhar e flutuar e lembrar do quão medíocre é e sempre
BOBAGENS SOBRE CÚPIDOS SÁDICOS Não há inspiração alguma. Não. Definitivamente não há qualquer inspiração. Nem uma foto, nem um desejo, nem um sorvete, uma dor, uma paixão, uma vida, uma morte. Não. Nada disso. Definitivamente, não há inspiração nesta manha tão cheia de chuva e nuvens chumbo. Pode ser o fim, o começo, o meio, qualquer coisa, mas o caminho parece liso, branco, único. Nada a dizer, nada a declamar, nada pelo que morrer, nada pelo que sonhar. O vazio entediante do espaço explode como uma tragada de nicotina no seu pulmão. E quando o tédio e o vazio são as coisas mais ressonantes em uma vida, ah, aí talvez seja melhor apenas chorar. beber umas tequilas, fumar algum cigarro. Entorpecentes. Escutar um disco de jazz antigo, mas jazz, porra, é das coisas mais chatas que existem na vida. Chato, chato, chato. Não que não seja maravilhoso ser Thelonious Monk ou John Coltrane. Neon e fumaça. Não, é chato apenas porque te faz sonhar e flutuar e lembrar do quão medíocre é e sempre