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Mostrando postagens de Julho, 2007
BANG! YOU ARE NOT DEAD, HONEY.



- Quem disse? - ela perguntou a ele, com a voz seca e áspera ao telefone - Você pensa que me conhece, seu pretensioso do inferno? Pensa? - gritou, desesperada.

Ele nada respondeu.
E a linha ficou muda por breves e eternos instantes. Em total silêncio, mas não por ausência de sinal. A linha simplesmente ficou muda por ausência de verbos e palavras. Ausência de argumentos. Ausência de
malícia. Ausência de vontade.
Excesso?
Apenas de medo e de cansaço.

- Quem disse, porra? - ela insistiu - Quem disse? Da onde você tirou esta porra?
- Vá e viva e ame! - ele respondeu antes de desligar, em um tom baixo, quase inaudível, quase infantil, porém doce e generoso.
- Filho da puta - ela berrou, jogando o telefone na cama - Filho da puta. Babaca.

E, aflita, começou a andar de um lado para o outro do quarto, como se quisesse correr. Como se pudesse fugir.
Veloz e trôpega, porém descoordenada, sem saber o que fazer.
Sem saber para onde ir.
E suas mãos trêmulas acenderam mais…
AS GAROTAS CANTANDO SKA E OS ÁCIDOS DE EMILY




Emily? Emily?
A voz é estridente e alta e cortante.
Afiada como os cacos de uma garrafa quebrada.
Afiada como uma faca voando em qualquer direção.
Voando em um bosque de neblina.
E ele está lá.
No bosque de neblina.
Um bosque psicodélico.
Um bosque de delírios.
Imagens derretidas e ácidos em alta dosagem.
Sentidos dispersos.
Perdidos.
Inversos.

Emily? Emily?
A voz é desesperada e drogada.
Machuca e faz sangrar.
Machuca como os cacos daquela garrafa quebrada lá em cima.
Uma bêbada garrafa quebrada.
E uma adaga louca voando em sua direção.
E ele está lá.
Bêbado num labirinto de desejos.
Num labirinto de neblina.
Num carrossel de delírios.
Imagens distorcidas.
Ácidos em alta.

Emily? Emily?

...

Ele acordou suando frio.
Perdido. Assustado. Exausto.
Emily?
Quem era Emily?
Ele não a conheceu.
Perdeu-se dela no meio da neblina.
Não viu o rosto.
Não viu os olhos.
Não viu o sonho.
Ficou parado esperando a adaga, a faca, a garrafa.
O suor molhava o lençol.
Puro sangue imaginário.

E ao fundo…