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Mostrando postagens de Maio, 2020

JOYEUX ANNIVERSAIRE

OUÇA:  the fur || short stay Ela sacudiu levemente a cabeça, sem entender exatamente o que estava acontecendo. O barulho era conhecido e suave e vinha do aparelho que estava jogado sobre o criado-mudo. O seu celular. Ela detestava toques aflitos e altos, então o dela era sempre ameno. Discreto. Olhou para o relógio com os olhos ainda quase cerrados e mal acreditou – Porra. Acabei de pegar no sono caralho! Que tipo de imbecil liga para você a uma hora dessa? Depois de três noites dormindo mal. Porra, se não for alguma urgência eu mato – pensou, veloz e desconexa. Agarrou o aparelho e sequer viu o número estampado na tela. Já atendeu logo disparando irritada e sonolenta – Oui que s'est-il passé? – perguntou rude, sem a menor boa vontade ou gentileza. - Mon petit amour . Feliz aniversário! – a voz respondeu. Ela estremeceu e não acreditou na voz tão familiar e doce que escutava do outro lado. Improvável. Bastante improvável. Afundou a cabeça novamente no t

NINGUÉM ME CONHECE, SABIA?

OUÇA:  ichsrmdhn || so here we are (big cut remix by platonic - bloc party cover) Introspectiva. Definitivamente, ela era introspectiva. Muito. Sens í vel, ela simplesmente preferia ficar no canto dela. Permanecer no canto dela calada e atenta, apenas a observar as cenas que explodiam ao seu redor. Confort á vel. Apenas confort á vel. Segura na sua inseguran ç a. Segura na sua zona de conforto. Sempre buscou exposi çã o zero dos seus medos, das suas paix õ es erradas, das suas l á grimas salgadas e do seu mundo imperfeito (ao menos imperfeito para ela). Exposi çã o zero e pretendido conforto. Fr á gil conforto em torno de si. Sens í vel e t í mida. Definitivamente, ela era sens í vel e t í mida. Muito. - Oi, cheguei – ele disse com um sorriso ao se aproximar dela – Tudo bem? Ela o observou sem express ã o definida e assentiu com a cabe ç a. Nada disse. Nada disse de primeira, como sempre. - Sim, eu tamb é m estou contente em te ver – falou e co

NÃO SÃO TEMPOS COMO QUAISQUER OUTROS

OUÇA:  spang sisters || king prawn the 1st Ela jogou o livro de lado irritada, ajeitou os cabelos tortos pela cama e levantou-se. Aflita. Ela estava aflita e sem paciência. Nenhuma paciência. Andou de um lado ao outro do quarto procurando algo para pensar, algo para tocar, algo para lembrar, algo para fazer. Não pensou em nada ou, infelizmente, pensou sim tão logo percebeu o baú cor de palha encostado junto a parede. Lembrou das dezenas de fotos e bilhetes e bobagens que estavam ali guardadas. Pensou em abri-lo e considerou que esta seria uma boa ideia. Aproximou-se do baú e percebeu o que estava prestes a fazer. Parou brusca e riu da própria tolice em achar que as velhas lembranças podiam ajudar, ainda que em desespero. Não, nada que lembrasse aquela pessoa poderia ser bom naquele momento - considerou. Culpou o tédio pela burrice. Voltou a si. Sorriu e agradeceu a sei lá quem por ter voltado ao seu juízo normal a tempo. Saiu do quarto. Foi em direção a