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Mostrando postagens de Maio, 2006
RUIVA MILES DAVIS Ele era apenas um tolo. Um tolo apaixonado. Um tolo atordoado. Um imbecil. Passava as noites na sacada apertada, encarando a noite e o neon sob o véu de Miles Davis e de conhaques baratos. Olhava para as estrelas como se elas pudessem ajudar, como se elas, estrelas, pudessem realmente salvar a sua vida. Nem elas nem Miles Davis. Um total idiota. Era isso, na verdade, o que ele realmente era. Um total idiota. E além das estrelas, ele sempre tinha outra companhia naquela sacada apertada. Um maldito fantasma. Ela. A mais linda de todas as garotas ruivas. A mais linda de todas as garotas. Linda, sorrisos e licor. Linda, sorrisos e desejos. Mas agora era tarde. Tarde demais para qualquer tentativa, tarde demais para qualquer coisa além de cigarros, desejos, estrelas, conhaques, vontades e antigos discos de vinil. Ele desperdiçou sua chance, sua vez de apostar e ganhar. Fugiu. Como TODAS as vezes em sua maldita vida. Pobre imbecil. As pessoas sempr
A LUA QUE TESTEMUNHA A NOITE - Vai, me fode... Palavras soltas dentro de um quarto de hotel, o Hotel Varsóvia, num ar repleto de veludo, fumaça, álcool e cores modernistas. Dois corpos. Mixados, misturados, molhados. Dois corpos como um. Dois corpos como um. Nada mais clichê, nada mais real, nada casual. Os corpos estavam tão unidos e as peles não relutavam em se encostar. Definitivamente não relutavam;. A saliva escorria e percorria cada centímetro de cada corpo, cada centímetro de cada desejo, cada centímetro de cada centímetro. E as línguas, vermelhas e inchadas, eram apenas um beijo. Um único beijo molhado, um beijo melado, um beijo memorável. Um único beijo sem fim. Singular Molhado de vontade. Repleto de vontade. - Vai, assim... E a lua, testemunha, apenas boiava no céu como quase imóvel. Como quase inerte. Silente testemunha. A lua, cheia e redonda, apenas assistia àquela cena. Apenas assistia a uma cena de cinema. Cinema antigo, noir, erótico, pornô. Deliciosa película po