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RUIVA MILES DAVIS

Ele era apenas um tolo.

Um tolo apaixonado.

Um tolo atordoado.

Um imbecil.

Passava as noites na sacada apertada, encarando a noite e o neon sob o véu de Miles Davis e de conhaques baratos. Olhava para as estrelas como se elas pudessem ajudar, como se elas, estrelas, pudessem realmente salvar a sua vida.

Nem elas nem Miles Davis.

Um total idiota. Era isso, na verdade, o que ele realmente era.

Um total idiota.

E além das estrelas, ele sempre tinha outra companhia naquela sacada apertada.

Um maldito fantasma.

Ela.

A mais linda de todas as garotas ruivas.

A mais linda de todas as garotas.

Linda, sorrisos e licor.

Linda, sorrisos e desejos.

Mas agora era tarde. Tarde demais para qualquer tentativa, tarde demais para qualquer coisa além de cigarros, desejos, estrelas, conhaques, vontades e antigos discos de vinil.

Ele desperdiçou sua chance, sua vez de apostar e ganhar.

Fugiu.

Como TODAS as vezes em sua maldita vida.

Pobre imbecil.

As pessoas sempre fogem quando encontram alguém legal. Quando encontram um "amor".

Sempre.

A pergunta dele era simples e direta: "Como será a neve que ele jamais tocou"?

E as estrelas continuarão lá, junto com os seus "Miles Davis", os seus cigarros e os seus desejos perdidos...

pobre medroso idiota...

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