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Mostrando postagens de Junho, 2006
A CHAIN OF... FLOWERS Ele estava só na sala. Completamente só. Noite alta. Madrugada fria de inverno. Ele estava sozinho. Não havia nada naquela maldita e pequena sala, além dele e de seus álbuns antigos de vinil espalhados numa caixa velha. Discos de rock. Rock dos oitenta, discos que ninguém ouve mais. Ninguém mais quer ouvir. Exceto ele. E ele estava só na sala. Nas estantes, fotografias gastas com imagens de pessoas que não existem mais na sua vida. Imagens de um passado tão distante quanto um módulo lunar. Passado. Passado. Passado. Ele olhava as estrelas e percebia que a vida estava mais curta. No aparelho, Sugarcubes e a voz deliciosa da Björk preenchendo a madrugada. Nas mãos, um cigarro mentolado. Na cabeça, lembranças antigas. No telefone, ninguém. Na sala, apenas ele. Mais um aniversário como tantos outros. Mais um aniversário como tantos outros. E ela não ligou pare ele. Mais uma vez... BIRTHDAY (SUGARCUBES) She lives in this house over th
FÁBULA DO IMPROVISO - Você merece mais que isso. - Mereço? - Merece. Claro. - Não sei da onde você tira essas idéias, essas demências. - Do fundo da minha loucura? - É. - Deixa de ser boba. - Não. Não deixo. - Por que? - Porquê o quê? - Pára. - Não. - Pára, por favor. - Com o quê? - Com estas idéias idiotas de que você não é maravilhosa. - Ah, tá. Só porque você pediu. - Não tem espelho em casa? - Não. Você tem? - Tenho. - No teto? - Haha, não. Não no teto, mas tenho no quarto. - Então me leva para lá e me mostra. - O quê? - Como sou bonita, toda nua na cama ao seu lado. - Agora? - É. E eu sou mulher de brincadeiras? - Não. Definitivamente não. - Então vamos. - E depois, posso dormir? - Claro. - E fumar? - Lógico. - E beber? - Também. - E você cozinha para mim depois de me comer? - Te adoro, sabe? - Cozinha? - Claro. - Então vamos, mas cooking wine... - Ei, isto é uma música. - Alkaline Trio. - Ah... - E eu sou uma idiota falastrona. - Vamos? - Vamos. Imediatamente... e partiram, de
QUANDO A DANÇA FURIOSA NÃO SUFOCA A DOR Ela entrou no quarto chorando. Os olhos estavam inchados. Inchados de tanto chorar. Inchados de tantas lágrimas e lágrimas e lágrimas. Muitas lágrimas. Lágrimas doloridas, lágrimas de paixão, lágrimas de porradas. E, coitada, ela não se importava em tentar acertar. Não, definitivamente ela não se importava. Ela se importava e ficava cansada de SEMPRE, mas SEMPRE mesmo, ficar tão machucada. Este era o maior problema. Ficar sempre tão machucada, mesmo por alguém que não valia sequer um cobre, por alguém que não valia sequer um "e". Mas ela sempre se machucava e ficava sozinha na noite, sofrendo em silêncio. E o quarto, naquela madrugada, era o seu ambiente. Depois dos bares, dos clubes, dos amigos, da noite, do fim, havia apenas ela e o seu pequeno quarto. E dentro dele, segura e assim que chegou, ela despejou o mundo no carpete vermelho puído. Despejou o mundo sobre o carpete. Despejou o melhor do seu mais recente fracasso. A
MALDITO... APENAS MALDITO - Você é obcecado por canções tristes! Ele estava quieto, em total silêncio, apenas relembrando a voz doce e suave e cortante e desesperada e cruel daquela garota. - Você obcecado por pessoas más! Ele sabia que ela estava certa. Totalmente certa. Como sempre. E no meio da sala suja, repleta de roupas jogadas, tênis encardidos, espelhos de coca, garrafas vazias, cinzeiros cheios, cds mal gravados, revistas antigas, jornais amarelos, recordações doloridas, fotos em pb, guardanapos amassados, ele fixava os seus olhos verdes e grandes e tristes em dois pequenos e amassados pedaços de papel. O primeiro, que dizia: Você é obcecado por canções tristes! Você é obcecado por pessoas más! Você é obcecado por quem te deixa doente! Você espera que eu concorde com isso? Você espera que eu aceite isso? Você espera que goste disso? O que você espera de mim? O que, seu filho da puta? Te odeio, como jamais achei que pudesse odiar alguém. ... Alguém que eu amei muito
O MEDO TRISTE EM UMA SALA COLORIDA - Você está com medo de mim? - ela perguntou, meio divertida, meio provocante. Ele olhou para o teto e ficou em silêncio, tentando enxergar alguma resposta na atmosfera neon daquela sala. - Está? - ela insistiu, lust for life, lust for love. - Talvez. - Talvez? - É. Talvez. - Nem você sabe o que você sente? - ela arriscou. - Não. Definitivamente eu sei porra nenhuma sobre nada. Esta é a maldita verdade. Ela sorriu e apenas concordou com a cabeça. - Tudo é muito foda, sabe? - Você é um tremendo babaca - ela disparou, sem piedade. Ele olhou novamente para o teto e não disse uma palavra. - Nossa, você é muito babaca. Você sequer quer experimentar, tentar, enfim, sequer quer provar. - Provar o quê? Experimentar o quê. Que tortura - ele disse, sem paciência. Ela o encarou com fúria. Muita fúria - O meu beijo, seu imbecil. O meu corpo. Tudo - ela disparou, olhando direto para ele, olhando bem no fundo daqueles olhos azuis tão cheios de angústias e de