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Mostrando postagens de Abril, 2004
quem se leva a sério demais comete o erro de ser apenas um idiota presunçoso um idiota presunçoso como eu e como qualquer um de nós
são apenas vidros quebrados são apenas detalhes passados são apenas letras queimadas são apenas erros armados erros cometidos erros do passado erros atuais erros repetidos erros idiotas como escrever poesia sem ser poeta como escrever poesia em guardanapos sujos de papel only mistakes and cold coffees
Estou em falta com tanta gente e, principalmente, comigo mesmo. Estou em falta com o tempo de viver e creio que nunca vou conseguir parar o relógio e fazer tudo o que quero. Mas espero que tudo esteja bem e todos estejam bem. Eu estou aqui, de volta ao meu maravilhoso mundo de fantasias de Varsóvia...
TORNANDO TUDO MAIS DIFÍCIL Ele entrou em sua casa com os olhos vermelhos, inchados, desesperados. Jogou o seu casaco imundo em um canto qualquer da sala. Não acendeu a luz. Nenhuma luz. Também, convenhamos, ele nem precisava disso. A cortina daquela sala era tão vagabunda, que praticamente todos os ambientes da porra do apartamento ficavam claros e iluminados com a luz vermelha neon que pulsava do hotelzinho de putas vizinho. Ele tirou as botas tão sujas como o casaco jogado e ficou descalço, pisando no assoalho frio. Frio como ele estava agora. Acendeu um cigarro e ficou andando de um lado para o outro, imaginando o que poderia fazer. Quando se deu conta, estava com os pés sangrando. Tinha esquecido os cacos de vidro do copo americano cheio de conhaque que ele quebrou horas atrás. Estava tão longe, longe de tudo e de qualquer coisa real, que nem se deu conta de que o assoalho frio estava melado de conhaque e infestado de cacos disformes de vidro. Resultado? Seus pés sangravam e in
SALTOS ORNAMENTAIS - Você está triste hoje? – ele perguntou – Algum problema? Ela sorriu, apenas fazendo um gesto negativo com o seu rosto e balançando os seus longos cabelos. - Tá bem – ele disse, incrédulo – Você acha que ainda me engana? Depois de todos esses anos, de todo esse tempo, depois dessa vida que vivemos juntos? Não engana não, my dearest friend. - Amor, amor, amor... por que ele é tão pé no saco? Por que ele irrita e enerva e destrói e deixa marcas e maltrata e tira o sono dos pobre mortais? Ele apenas riu – Que beleza, hein? Discorrendo sobre absurdos, pensando sobre questões sem resposta, enfim, sendo banal e uma garota clichê. Logo você, querida, a menos garota clichê de todas as que já conheci. E olha que eu já conheci muitas assim. - Garotas clichê? – ela perguntou. - Não, garotas apaixonadas. Garotas apaixonadas e perdidas e com um sorriso bobo como esse seu agora. Estampado como uma cicatriz na sua linda e adorável face. - Eu sou uma idiota mesmo – ela
LET THE SUNSHINE IN Havia areia dentro dos seus sapatos. Muita areia. E ela já estava irritada com isso. Muito irritada. Cansou de toda aquela merda e de todo aquele incômodo e resolveu sentar na areia e arrancar e jogar para longe os sapatos que a incomodavam demais. A incomodavam muito. Sentiu-se melhor quando se colocou em pé e sentiu os tornozelos afundarem lentamente na areia fofa e úmida da madrugada. Melhor, muito melhor – ela pensou. Não queria mais sapatos. Definitivamente. Caminhou assim, descalça, alguns poucos metros e desabou na areia, esgotada. Completamente esgotada. Não fisicamente, por óbvio, mas emocionalmente, o que, convenhamos, é MUITO pior. E ela ficou deitada por vários instantes, sentindo o seu corpo absorver a umidade da areia úmida, sentindo os seus ruivos e longos cabelos crespos misturarem-se com a areia fina, sentindo a ponta dos dedos dos seus pés cansados de tanto andar, sentindo o coração batendo forte, desesperado, aflito, insano.