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Mostrando postagens de Agosto, 2004
DROPS COLORIDOS Amarelo, verde, azul, pistache, barbante, vermelho, branco, marinho, bordô, lilás, bege, violeta, todas as cores. Todas as cores. Ela estava entediada, brincando de comer suas balas doces, suas balas coloridas. Ela estava cansada, de saco cheio, querendo que os seus drops fossem tudo aquilo que ela mais queria. Ao menos naquele momento. Naquela madrugada abafada, quente, suada. Ela o queria de volta, mesmo sabendo, no entanto, que jamais daria certo. Não por falta de vontade. Não por falta de tesão. Apenas por falta de ... algo mais? E ela estava perdida entre os seus pensamentos, brincando com o baleiro de alumínio, presente da sua mãe. Depois de algumas pastilhas, ela sorriu feliz. Pouco importava se eles iam dar certo ou não. Pouco importava se ela estava sozinha naquela madrugada abafada, quente e suada. Ela seria feliz. Isto já estava decidido. Ela merecia isso. E no outro canto da cidade, sem nem a conhecer (ainda), ele dirigia o s
AMORES (NA SEÇÃO DE ACHADOS E PERDIDOS) Clube Varsóvia, mesa 01. Madrugada de terça. - Odeio isto, sabia? – ela desabafou no Clube Varsóvia, enquanto virava por entre os seus lábios doces e suaves, um copo de algum destilado forte. - Odeia o quê? Falei algo errado? – ele perguntou, quase assustado. - Cara, você é surpreendente mesmo, mas eu odeio, odeio, odeio, simplesmente odeio isto – ela quase gritou. Ele ficou intimidado, querendo apenas entender – Fiz bobagem? Ela ignorou - Odeio a forma como você me encontrou, me entendeu, me fodeu, me amou, me descobriu. Absolutamente odeio a forma como você invadiu o meu mundo e fez com que eu me tornasse apenas louca e completamente apaixonada por você. Odeio isto. Odeio estar completamente louca por você. - O que eu posso fazer? – ele disse, meio cool, meio sonso. Ela encarou os seus maravilhosos olhos pretos e murmurou – Nada porra. Faça apenas o que já está fazendo, mas não me machuque. E venha perto agora e me dê um beijo espe
ESTAREI AUSENTE POR ALGUNS DIAS... VOLTO LOGO. PEÇO DESCULPAS A MIL E-MAILS QUE NÃO RESPONDI. EM SETEMBRO VOLTO E RESPONDO. I AM SO SORRY AMO TODOS E ADOREI O TEMPLATE!!!
NA MADRUGADA,AS LUZES SÃO TÃO FRACAS Ele tocava os teclados do seu piano como se estivesse esmurrando alguém. Na verdade, ele não estava tocanado nada. Estava apenas socando as notas, socando o desejo, socando os seus sonhos, destruindo a sua vida frustrada cheia de dor. Não havia música. Havia apenas dor. Em cima do piano não havia mais espaço para as latas de cerveja amassadas, as fotos jogadas e os cinzeiros sujos. As sobras dos cigarros transbordavam, como se fossem afogá-lo. Como as lágrimas que insistiam em pular dos seus olhos azuis. Ele socava o piano. E nas suas mãos, havia sangue do esforço repetido. Na sua mente, havia o olhar dela, lindo. No coração, havia um vazio. Na boca, o gosto do seu batom. Amor impossível. Como ele pôde perceber (tarde demais) que ELA era a mulher da sua vida? Tarde demais... tarde demais. A mulher do seu melhor amigo. Na sua mente havia apenas medo. Na madrugada? Nem as estrelas ousaram brilhar. Nem as estrelas.
O AVESSO DO DESEJO Ela estava quieta apenas observando o mar, cenário tão raro em sua vida. Suas mãos deslizavam sobre a areia e seus dedos finos, pequenos, brancos como a neve, deixavam rastros confusos e sem sentido naquele lençol de desejo. Quadro a quadro. Detalhe a detalhe. Romance (feliz ou não). O filme era lindo. Lindo. A cor azul do mar sempre combinou com a cor do céu em estado paranóico. A cor chumbo, cinza, urbana. Ela não percebia ninguém ao redor. Ninguém. Nem alma, nem sombra, nem morte. Estava tão vazia a praia. Tão vazia. Assim como meu coração – ela pensou, inquieta e desconfortável. E pensar que ele já esteve tão cheio – continuou - Tão lotado e preenchido de amor e desejo e paixão e descontrole e passividade e agressividade e carinho e fúria e masoquismo e horror . E hoje? Bem, hoje não. E seus dedos finos e pequenos e brancos como a neve que ela jamais viu ou tocou, continuavam a deixar rastros sobre a areia. Porém, não mais sentido, não
POR FAVOR, USE OS HEADPHONES SO FAR AWAY (CAROLE KING) " So far Away Doesn't anybody stay in one place anymore? It would be so fine to see your face at my door Doesn't help to know that you're just time away Long ago I reached for you, and there you stood Holding you again could only do me good How I wish I could, but you're so far away One more song about moving along the highway Can't say much of anything that's new If I could only work this life out my way I'd rather spend it being close to you But you're so far away Doesn't anybody stay in one place anymore? It would be so fine to see your face at my door Doesn't help to know you're so far away Yeah, you're so far away Traveling around sure gets me down and lonely Nothing else to do but close my mind I sure hope the road don't come to own me There are so many dreams I have yet to find But you're so far away Doesn't anybody stay in one pl
(SONHANDO) APENAS POR QUERER NÃO ACORDAR Sonhos? Sonhos mesmo? Daqueles do tipo conto de fadas? Sonhos assim, dessa natureza? Quem nunca os teve? ... Ela era apenas uma garota anti-película, ou seja, uma garota normal, do tipo que NUNCA se vê nos cinemas. Suavemente doce, dolorosamente comum, estranhamente alegre, sensivelmente simples. Ela era somente uma garota normal. Ele? Não, ele definitivamente não. Ele não era nada normal. Nada mesmo. Ele era seguro, confiante, conquistador, bonito, inteligente, esperto, moderno, educado, grosseiro, arrogante, charmoso, afiado, enfim, um garoto totalmente película, do tipo que SEMPRE se assiste nos cinemas. Ele era obcecado por ela. Ela não gostava de ficar próxima a ele. Ele teve o ego ferido transformado em amor. Ela não. Ela? Ela teve o amor transformado em medo. E jamais ficaram juntos, muito embora ambos quisessem. Desesperadamente. ... Sonhos? Sonhos mesmo? Daqueles do tipo conto de fadas? So
CATACUMBA (for iris...) Ela era simples e tranqüila e suave e gentil. Respirava tranqüilidade. Ela queria amar. Apenas amar. Com toda a sua força, com toda a sua vontade, com toda a sua juventude, com todos os seus medos. Problema de quem não acreditasse nisso. Catacumba não a prende. Catacumba não a afeta. Catacumba não a aquece. Ela queria apenas ser o que sempre foi. Uma pessoa apaixonada por tudo o que lhe dava prazer. Apaixonada pela sua vida. E isso NUNCA é pouco. E se ele não percebia isso, quando olhava no fundo dos seus olhos, well, azar o dele. Perdeu o jogo, a vida, a aventura, o caminho. Sorte dela. O leque de opções estava de novo aberto, conspirando a seu favor. Ela sentiu o coração aquecido enquanto dançava ao ritmo daquele repinique eletrônico. A troca de olhares foi imediata e o leque voltou à sua mente. Sentiu seu coração fervendo. De repente, a noite era a melhor coisa que havia acontecido a ela. Ainda que dentro de uma catacu
BATOM ROSA Ela estava toda desajeitada sobre a cama, sentada em diagonal, toda louca, toda afoita, toda cena, pintando as unhas dos pés. Apenas uma toalha envolvia os seus longos cabelos molhados. A cena era delírio. O esmalte escorria entre os dedos e manchava os seus dedos pequenos, finos, estreitos. Definitvamente, Eva, a manicure da esquina tinha muito mais prática. Mas quem se importava? Ela ouvia uma canção, uma balada. Estava sozinha em casa. O telefone tocou. Insistente. Ela não atendeu. Sabia quem era, sabia o que queria. Ela pouco se importava com quem a chamava. Ela apenas se importava com os seus vinte e poucos anos e com a cor do seu esmalte. Esmalte vivo que deveria, sem a menor sombra de dúvida, apenas combinar com o tom do seu batom rosa.
BLACKBIRD Eles estavam tranqüilos, sujos, quietos, lado a lado, ombro a ombro. Apenas deitados. Apenas amigos. Eles estavam jogados na areia úmida, ouvindo o barulho do mar e tendo como varanda particular o nascer do sol. O nascer do sol, esse eterno cartão postal. Postcard para crianças, postcard para drogados, postcard para dementes, postcard para apaixonados, postcard para encurralados, postcard simples, totalmente embaralhado por gigantescas doses de cerveja. Mas o nascer do sol era apenas paisagem e o silêncio, o verdadeiro vilão, era o culpado. Rompido apenas por Netuno. E eles estavam sedentos, sebentos, inquietos, lado a lado, ombro a ombro. Coitados. O verão havia chegado ao fim há meses. A praia ficaria durante todo o resto daquele dia como estava naquela hora do amanhecer: vazia. E o sol nascia belo e longe, bem longe, enquanto a noite fazia força para não ser vencida. Eles permaneciam quietos, ouvindo o barulho do mar. - Olha – ele disse, aponta