Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Fevereiro, 2010

BABIES

"Estou deixando a minha vida passar. Isto é grave. Bastante grave. Está passando rapidamente e tudo o que eu queria era poder ter paz. Não beber, não fumar, não fazer merda, enfim, deitar a cabeça no travesseiro de forma tranqüila e calma, e dormir o sono dos bons, o sono dos justos, o sono dos normais. Muito ao contrário, tudo em que me meto remete ao caos, ao desespero, aos problemas. Falta de bom senso, falta de critério, falta de razão, Falta de juízo, como costuma dizer os sábios mais velhos. Ok, ok, juízo também não é tudo na vida. Viver sem um pouquinho de imaturidade ou de risco não é exatamente viver. Mas a vida deve ser vivida de forma alegre e divertida e não necessariamente como um fio de nylon, no qual você tem que caminhar por quilômetros, tendo um abismo colossal abaixo. Não, a vida pode ser mais leve, como um copo de suco gelado, irrepreensível diante de tardes de calor insanas. A vida merece mais, não menos. A vida merece muito, não pouco. Cansei de errar e chora…

O DESENCONTRO

A coisa aconteceu mais ou menos assim. Tempos atrás...

- Então, eu estou indo para São Paulo. Você não quer me encontrar? – ela perguntou, naquele tom de voz tão sarcástico que ele adorava.
Ele pensou por uns instantes, com um sorriso nos lábios – Hmmmmm. Sim. Vai ser ótimo.
- Duvido que você ache mesmo ótimo – ela provocou – Você é tão zonzo, que dificilmente vai aparecer.
Ele riu do outro lado da linha e respondeu – Deixa comigo. Sou homem de palavra.
- Vamos ver, vamos ver – ela emendou – Putz, preciso desligar.
- Desliga, não – ele pediu.
- Preciso. A porra do meu chefe está me cobrando uma porra de um relatório. Preciso terminar.
- Ok – ele disse – Quando você vem mesmo? – perguntou.
- Sexta feira. Estarei lá por volta das sete e pouco da noite. Vou fazer o seguinte. Vou te esperar do lado de fora. Não mais que dez minutos. Não mais que dez minutos. E você não tem desculpa, porque trabalha a um quarteirão do local. Logo, se não aparecer, é porque não está a fim de encontrar a su…

DANÇANDO SOZINHA

Ela gargalhava como uma doida. Uma perfeita insana dançando na bagunça da quitinete em que morava, no centro velho da cidade. Ela gargalhava e gargalhava e gargalhava. E dançava e dançava e dançava. Uma verdadeira menina entorpecida de som e fúria, paixão e vontade. No som rolava uma canção velha e surrada do The Clash. Velha e surrada, porém imprescindível em momentos como este. De alegria plena. Imprescindível. E ela estava feliz demais. Muito feliz. Queria poder beijar o céu. Sentir o gosto das estrelas. Sentir o bafo das nebulosas. Sentir a alegria em brincar com nuvens. Podia fazer isso, de verdade, graças às doses de Campari que havia tomado e ao estado de felicidade absurdo em que se encontrava. Feliz como há anos não sabia ser. Feliz, de fato, pela primeira vez em toda a sua vida. Feliz. E ela dançava na sala, sozinha e feliz. Sozinha e feliz. Agitava seu echarpe e dançava como se não houvesse amanhã. Como se o futuro não mais fosse existir. Como se devesse viver aquele mome…

SORRISOS DEMONÍACOS, RESERVADOS DE BANHEIROS E O CLUBE VARSÓVIA

- Sorriso demoníaco? – ela perguntou, arqueando a sobrancelha esquerda, típica façanha que somente ela conseguia.
- Sim. Um sorriso demoníaco é o que você tem. Detesto e adoro ele – ele respondeu, enquanto virava um copo de vodka.
O Clube Varsóvia estava lotado demais. Era daquelas noites de verão abafadas de quinta feira na quais as pessoas amavam estar na rua.
- Não entendi – ela disse, fingindo ignorância e desconhecimento sobre o poder que exercia sobre ele.
- Bitch – ele brincou.
- Ué, não entendi – ela continuou, abrindo distraidamente mais um botão da sua camisa preta brilhante, deixando parte do seu seio à mostra.
Ele respirou fundo. Tomou mais um gole de vodka e acendeu um cigarro. Não conseguia desviar o olhar daquela parte adorável do colo dela que parecia gritar para ser tocado.
- Sinceramente, não estou entendendo o seu papo. Coisa estranha esta de sorriso demoníaco. Até parece que sou uma daquelas pin-ups antigas, dos anos cinqüenta, uma Bettie Page contemporânea.
- Fi…

O RUÍDO QUE PRECEDE O GOZO

Ele suava frio. Muito frio, mesmo debaixo daquele calor infernal do Rio de Janeiro. Quando encarou a porta do elevador do pequeno, porém adorável edifício, decidiu se ia mesmo entrar. Ficou estático por alguns minutos.
- Ei senhor, é no sétimo andar – disse o porteiro, estranhando a lerdeza do rapaz.
- Obrigado – ele respondeu.
Abriu a porta e entrou. Apertou rapidamente o botão do sétimo andar e ficou pensando no que estava fazendo. O elevador subia rapidamente e ele fez um retrospecto de sua vida pequena, desde o instante em que a conheceu, até aquele momento no elevador do pequeno edifício. Ficou contando os andares até o elevador chegar. Saiu da cabine e ficou diante da porta. Apartamento 701. Não sabia se ela estaria feliz de verdade em vê-lo, ou não. Ele gostava de pensar que sim, porém não tinha certeza. Definitivamente não tinha certeza. Ficou parado e enxugou o suor da testa. Lentamente apertou a campainha. Após alguns segundos, a porta lentamente se abriu. Atrás, ela, toda …

ELTON JOHN

- Elton John, Larissa? – Regina perguntou, surpresa.
- Pois é – respondeu Larissa, enquanto o Ipod começava a tocar na sala e preencher o ambiente com o glamour e a purpurina sonora de “Bennie and the Jets”.
- Impressionante – disse Regina, enquanto acendia um baseado – Impressionante.
- Ah, nem tanto, vai. Ele teve lá os seus momentos – defendeu.
Regina deu um trago forte e argumentou – Não estou falando dele. E eu lá entendo de Elton John? Estou falando de você. De você.
Larissa olhou para a amiga, já sabendo, na verdade, o que ela queria dizer.
- Não tenho nada contra Elton John, Larissa. Nada. Mas você não era a rainha indie, a fashionista, a artista alternantiva, etc, etc, etc? E agora me vem com “pop rasteiro e simples”, daqueles feitos para a multidão desavisada? – ironizou – Você não costumava dizer isso sobre as besteiras que eu ouvia?
Larissa ficou com um sorrisinho no canto da boca, apenas cantarolando a canção que explodia no pequeno alto falante.
- Como você é fácil, Deu…