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Mostrando postagens de Julho, 2003
LÁGRIMAS DE NEVE POR FAVOR, USE OS HEADPHONES (GENESIS – MORE FOOL ME) E lá estava ele naquele país estranho, com pessoas diferentes do seu mundo, que não falavam a sua língua e não entendiam o que ele sentia. E lá estava ele sozinho, como de hábito. Sozinho e em Varsóvia. Polônia. Em pleno começo de inverno e sentindo um frio quase igual ao da sua alma. Glacial. E ele mal lembrava como havia ido parar naquela gelada e distante cidade. O que começou como uma fuga, acabou virando a sua vida. Uma vida de estações de trem, cozinhas de restaurantes baratos, cigarros grosseiros, roupas sujas e desgastadas e pouco, bem pouco dinheiro. O destino final? A fria Varsóvia. Foda-se – ele pensou – Ao menos faço o que quero da vida. Só que sozinho. Sem ela. E em pleno inverno glacial. E naquela manhã, ao sair da cama, ele nem percebeu que a noite mal dormida foi apenas um prenúncio de que, após seis meses de fuga, o passado estava de volta para lhe encarar, lhe ferir, lhe machucar
QUANDO O SILÊNCIO É MAIS DEVASTADOR DO QUE UMA PORRADA - Pára de me magoar, porra! - ela pediu, aflita e chorando. - Você sabe que isso é impossível - ele respondeu, com desprezo e continuou - A não ser que eu faça uma coisa. - O quê? - ela insistiu, com os olhos borrados de tantas lágrimas. - Saia daqui em silêncio. Sem te dizer porra nenhuma. Ela nada disse...socou a parede e desejou que o tempo voltasse. Apenas para tentar aprender a não errar.
COMEÇO, MEIO E SORRISOS POR FAVOR, USE OS HEADPHONES (FIRE INC. – TONIGHT IS WHAT IT MEANS TO BE YOUNG) Ela estava cansada. Cansada demais de tanto quebrar a cara. Cansada demais de tanto chorar. Cansada demais de tanta indiferença. Cansada demais. Apenas cansada demais. Mas, no fundo, bem lá no fundo, ela estava orgulhosa por, ao menos, estar tentando ser feliz. Estar tentando ter alguém, estar tentando encontrar o caminho, estar tentando sorrir, estar... tentando. É difícil isso – ela pensou – Difícil e sofrido, mas tem valido a pena – continuou. E no seu quarto, naquela noite de verão insuportável, entre as gotas de suor, as fotos jogadas na cama, os bilhetes mal escritos pelos idiotas, as declarações de amor nada sinceras lançadas na sua face de uma forma absolutamente leviana, as suas memórias, as xícaras sujas de capuccino, os seus livros e os seus discos, ela decidiu que mesmo com o passar de todos esses anos, ela ainda iria continuar tentando. Ainda que morresse
DERRETENDO EM LÁGRIMAS E CHOCOLATES POR FAVOR, USE OS HEADPHONES (SEMISONIC - SUNSHINE AND CHOCOLATE) - Não entendo você – ela disse, atordoada com a porrada que havia acabado de levar. - Não entende o quê? Que eu não te quero mais? Cansei porra, qual o problema com isso? - Qual o problema? Qual o problema? – gritou – O problema, seu filho da puta, é que você não pode e não tem o direito de entrar na porra da minha vida da forma como entrou, mergulhando de cabeça nela, me fazendo acreditar numa série de coisas e agora, sem mais nem menos, você acorda e diz “tchau”, “valeu”, “é isso aí”, “nos encontramos na vida”. Vá se foder otário. Você pensa que pode fazer o que bem entender? – berrou, tentando com todas as suas forças não chorar. Ao menos na frente dele. - Dan, eu posso ter feito uma porrada de bobagens e ter agido como um tremendo um filho da puta. Mas eu quero que você entenda que eu não fiz nada disso para magoar você. Eu realmente acreditei que poderíamos dar certo.
não esqueci das canções, apenas ando com saudades da minha vida. Agora tudo volta ao normal. As canções? Elas estão aí em cima. E eu não escrevo só sobre canções desconhecidas. Eu escrevo sobre canções bonitas. Para mim ou para vocês ou para todos nós...conversados?
DANÇANDO EM PISTAS SUPOSTAMENTE VAZIAS POR FAVOR, USE OS HEADPHONES (BEN HARPER – WALK AWAY) O Clube Varsóvia estava quase vazio naquela noite. Era feriado na cidade e, portanto, as poucas almas que habitavam o Clube haviam partido para outros endereços, outros lugares, outras vidas. Mas, apesar disso, dessa tranqüilidade inesperada, a noite estava agradável no Varsóvia. Uma noite realmente agradável. E surpreendente. No centro da pista estava ela. Dançando e cantando e vivendo e sendo feliz, na medida do possível, na medida do que lhe era permitido ser. E enquanto dançava e pulava, acompanhada apenas de um copo de vodka, ela foi interrompida por um adorável moço estranho, um adorável moço desconhecido. - Oi – ele disse, tímido e desconfiado, como não querendo, mas, no fundo, desejando ardentemente interrompê-la. - Oi – ela respondeu - Você dança muito bem – ele disse, sorrindo. Ela o olhou com atenção e respondeu direta – Nem tanto, nem tanto. Apenas danço com vo
OUTRA VIDA - Me faz um favor? – ele pediu - Claro – ela respondeu, com um sorriso. - Fica comigo agora. Eu te amo. E beijaram-se OUTRO ENDEREÇO - Me faz um favor? - ela pediu - Se eu ainda puder – ele respondeu - Me devolve aquela foto, que eu adoro, em que estou tocando violão? - Não posso – ele respondeu – Rasguei em mil pedaços. E despediram-se
Então vamos combinar uma coisa? Eu prometo que vou postar amanhã tá? Estou com idéias boas e saudades...muitas saudades.
A VIDA É SEMPRE VELOZ Tudo acontece tão rápido nessa vida que eu chego a ficar assustado... Essa frase – pronunciada por um velho amigo - ecoava sem parar na sua cabeça. Sem parar. Ele tem razão - ela pensou – Toda a razão. A vida é extremamente veloz e eu chego a ficar assustada com tudo isso. Feliz? Porra, fico muito feliz, mas também assustada, bem assustada . Tudo acontece tão rápido nessa vida que eu chego a ficar assustado... Ela tinha curtos cabelos coloridos. Bem, hoje eles estão menos coloridos. Cor indefinida. Porém, durante toda a sua adolescência, não foram raros os dias em que ela teve que acordar e olhar atentamente para o espelho, com seus olhos grudados de sono, antes de poder afirmar com toda a convicção qual a efetiva cor dos mesmos. Eles já foram de todas as cores possíveis. E, por isso, reclamavam. E o pior é que não reclamavam somente por isso. Reclamavam por tudo. Ela tem tatuagem – reclamavam. Ela fala palavrão – reclamavam – Ela pensa que es
THE KILLING JOKE - Hahahaha – ele gargalhava enquanto tentava acender um cigarro naquela velha mesa de bar no centro da cidade – Você lembra da “Piada Mortal”? – continuou, quase sem ar. Ela respirou, franziu a testa, pensou um pouco, virou mais um gole de vodka e respondeu – Tem a ver com o Batman, né? - Exatamente Estela, tem a ver com o Batman – ele sorriu – A “Piada Mortal” foi uma história em quadrinhos que ficou bem famosa nos anos oitenta. - Tá, e? - Tudo gira em torno das contradições entre o Batman e o Coringa e conflitos internos e o caralho, mas isso não importa agora. O que importa é que, no final da história, o Coringa vira para o Batman, quase chorando – ele havia sido derrotado mais uma vez - e diz: “ Batman, você conhece a piada da lanterna? ” – O homem-morcego responde, seco “ Não ”. O Coringa então prossegue: “ Em um hospício, um dos internos foi até a sala do médico chefe e disse - Doutor, os demais pacientes querem fugir daqui. O médico o observou atento