Pular para o conteúdo principal
A CHAIN OF... FLOWERS

Ele estava só na sala.

Completamente só.

Noite alta. Madrugada fria de inverno. Ele estava sozinho.

Não havia nada naquela maldita e pequena sala, além dele e de seus álbuns antigos de vinil espalhados numa caixa velha. Discos de rock. Rock dos oitenta, discos que ninguém ouve mais. Ninguém mais quer ouvir.

Exceto ele.

E ele estava só na sala.

Nas estantes, fotografias gastas com imagens de pessoas que não existem mais na sua vida. Imagens de um passado tão distante quanto um módulo lunar. Passado. Passado. Passado.

Ele olhava as estrelas e percebia que a vida estava mais curta.

No aparelho, Sugarcubes e a voz deliciosa da Björk preenchendo a madrugada. Nas mãos, um cigarro mentolado. Na cabeça, lembranças antigas. No telefone, ninguém. Na sala, apenas ele.

Mais um aniversário como tantos outros.

Mais um aniversário como tantos outros.

E ela não ligou pare ele.

Mais uma vez...


BIRTHDAY
(SUGARCUBES)

She lives in this house over there
Has her world outside it
Scrapples in the earth with her fingers and her mouth
She's five years old

Thread worms on a string
Keeps spiders in her pocket
Collects fly wings in a jar
Scrubs horse flies
And pinches them on a line
Ohhh...

She has one friend, he lives next door
They're listenening to the weather
He knows how many freckles she's got
She scratches his beard

She's painting huge books
And glues them together
They saw a big raven
It glided down the sky
She touched it
Ohh...

Today is a birthday
They're smoking cigars
He's got a chain of flowers
And sows a bird in her knickers
Ohhh...

They're smoking cigars
They lie in the bathtub
A chain of ... flowers


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

SORRISOS DEMONÍACOS, RESERVADOS DE BANHEIROS E O CLUBE VARSÓVIA

- Sorriso demoníaco? – ela perguntou, arqueando a sobrancelha esquerda, típica façanha que somente ela conseguia. - Sim. Um sorriso demoníaco é o que você tem. Detesto e adoro ele – ele respondeu, enquanto virava um copo de vodka. O Clube Varsóvia estava lotado demais. Era daquelas noites de verão abafadas de quinta feira na quais as pessoas amavam estar na rua. - Não entendi – ela disse, fingindo ignorância e desconhecimento sobre o poder que exercia sobre ele. - Bitch – ele brincou. - Ué, não entendi – ela continuou, abrindo distraidamente mais um botão da sua camisa preta brilhante, deixando parte do seu seio à mostra. Ele respirou fundo. Tomou mais um gole de vodka e acendeu um cigarro. Não conseguia desviar o olhar daquela parte adorável do colo dela que parecia gritar para ser tocado. - Sinceramente, não estou entendendo o seu papo. Coisa estranha esta de sorriso demoníaco. Até parece que sou uma daquelas pin-ups antigas, dos anos cinqüenta, uma Bettie Page contemporânea...

NADA OU TUDO

Nada de mais. Nada de menos Nada de nada. Nada de paz. Nada. Nada. Nada de paz. Nada de branco Nada de mais. Nada de menos Nada de nada. Nada de paz. Nada. Apenas isso. Nada... Mas... muito de choro. Muito de lágrimas. Muito de tudo. Muito de nada. Nada. Muito de nada. Nada de mais. Nada de menos. Nada de paz. Nada. Muito de tudo e tudo um sonho. Sonho. Noites felizes. Estrelas brilhando. Noites. Madrugadas insones e felizes. Nada de mais. Tudo de muito. Muito. Ele? Apenas ele. Choroso e com saudades. Ela? Apenas ela. Saudades e muito mais. Mas nada de mais. Nada de mais. Nada de menos Nada de nada. Nada de paz. Nada. Apenas isso. Nada. Nada...

Ela Gritou

leia e ouça || Echo And The Bunnymen || Back of Love “ I'm on the chopping block chopping off my stopping thought self doubt and selfism were the cheapest things i ever bought when you say it's love d'you mean the back of love when you say it's love d'you mean the back of love? ” Madrugada. Silêncio. Vida. Noite. Um cigarro aceso. Vários cigarros acesos. Um copo americano cheio de álcool. Vários copos. Lágrimas. Choro. Vida. Madrugada. Silêncio. Horas. Noite. Tudo. Tudo. Madrugada. Vida. Ela. E ela? Ela apenas gritou. E de forma tão alta e tão forte e em um tom nada brando, em ato de coragem, em gesto de desespero. Ela gritou. Ela apenas gritou. Imaginava ele no aeroporto indo embora. Naquela noite. Naquela maldita noite. Indo para uma viagem insana em países nórdicos desconhecidos. Ela chorou. Ela gritou. Tentou de tudo para ficar com ele. Tentou de tudo para ser feliz. Tudo. E foi. Foi MUITO feliz ao lado dele. Mas, agora, sobrou o cigarro aceso, o incenso queiman...

BIA E LECA

- Não acredito. Você está apaixonada, cacete? – Leca perguntou, percebendo o brilho lindo no olhar de Bia. Ela disfarçou e apenas respondeu, lacônica - Deixa de ser boba – Bia disse, tentando disfarçar o indisfarçável – Apaixonada o caralho – emendou – Sou lá mulher de ficar apaixonadinha por alguém? - Pára – dsse Leca, irritada – Te conheço desde os seis anos. Desde os seis anos. Conheço cada detalhe, cada sorriso seu. Vocè está apaixonada mesmo. Caramba! Vai me fazer o grande favor de dizer por quem? – perguntou. - Deixa de ser trouxa Leca, por favor. Não sei da onde você tira estas bobagens, estas besteiras. Parece que não cresceu. Leca a olhou com indignação e raiva – Porra. Estas bobagens e estas besteiras eu tiro de você mesmo. Tiro de você mesmo. Estamos aqui no Clube Varsóvia, que está bombando de gente chata, gente mala, idiota, presunçosa, aliás, uma porrada de pessoas dançando e você aí, distraída demais, com o olhar vago e brilhante, fumando os seus malditos c...