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NUCA


Ela entrava em transe. Transe total.
O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz.
Muito feliz.
Não existiam mais as más notícias.
Não.
Definitivamente não.
Sem contas, protestos, cobranças ou ligações indesejadas.
Nada.
Nada a perturbar.
Existiam apenas os lábios de Fernanda em sua nuca.
Lábios deliciosos e densos.
Intensos.
Sempre pintados de uva.
Sempre lindos.
E os arrepios.
Muitos arrepios.
E ela entrava em transe.
Transe total.
O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz.
Muito feliz.
Não existiam mais as más notícias.
Não.
Defitivamente não.
Havia um aroma de uva no ar.
Um perfume.
E palavras sussuradas na dose certa.
Na dose certa.
E ela entrava em transe.
Transe total.
O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz.
E molhada.
E o abraço que vinha depois era como um gatilho para uma boa noite.
Toques.
Reflexos.
Seios.
Desejos.
Pelos.
E a chuva lá fora não importava mais.
O que importava era o vinho e a luz torpe da sala.
Os corpos se juntando.
E o delicioso aroma de uva invadindo a sala.
Um perfume.
Um perfume avassalador.
E palavras sussurradas na dose certa.
Na dose certa.
Medida ideal.
E elas entravam em transe.
Transe total.
Elas.
Apenas elas.
E a vagabunda sala de estar como testemunha...
Testemunha ocular...


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