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O CLUBE DAS GAROTAS PERDIDAS

- Sabe o que eu acho Teka? – perguntou Lena, enquanto acendia mais um cigarro naquela mesa do Clube Varsóvia.
Teka, já esperando os costumeiros sermões da amiga, a olhou com apreensão, enquanto virava um gole da cerveja que restava naquele copo americano – Lá vem porrada. Diz.
- Você se preocupa demais. Demais. Muito mesmo. Caralho! – gritou - Por que você, uma vez na sua vida, não deixa as coisas acontecerem? Por que você precisa sempre estar na frente quando o assunto é dor, tristeza, ansiedade ou insegurança? Pode me dizer? Isso não faz sentido, não tem razão de ser.
- Lena querida, você não entende, não? Você simplesmente não entende. Isso porque a sua vidinha é perfeita, seus amigos são perfeitos, seus sonhos são perfeitos. Você é linda, interessante, inteligente, enfim, uma mulher admirável.
- E? – perguntou Lena, mostrando puro descaso com tais elogios.
- Conhece aquela canção que diz mais ou menos assim “... você está perdida garotinha / eu sei que você sabe o que fazer / impossível? / sim, mas verdadeiro ...”? – cantarolou, absolutamente desafinada e numa tradução livre, a canção “You´re Lost Little Girl” de The Doors.
Lena, rindo da amiga, disse – Nossa, como você canta mal. Conheço sim. E...?
- E então que isso não é verdade. Eu simplesmente não sei o que fazer. Simplesmente não sei.
- Conta comigo Teka –disse a amiga - Bem vinda ao clube das garotinhas perdidas. Quem sabe, juntas, seja mais fácil achar qualquer caminho.
- Quem sabe - emendou Teka, sorrindo com a amiga.


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