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AFOGADO (...TEIMOU EM NÃO APRENDER A NADAR)

Chega de me açoitar com a sua frieza, com o seu olhar de falso anjo. Chega de me fazer sofrer, de me fazer chorar, de me fazer gritar. Chega de me causar tanta dor. Eu não quero isso. Eu não preciso disso. Por favor, pare. Pare de atormentar com os seus dramas, os seus fantasmas, as suas lamentações, os seus sonhos perdidos e frustrados e mal planejados. Pare com tudo isso. Eu sou apenas uma pessoa comum. Um idiota. Um idiota e um tremendo de um babaca. Idiota? Porque ainda acredito em amores perdidos e lenços sujos de batom e velhas poesias de amor e desespero. Babaca? Porque ainda acredito em lágrimas e boleros e tangos.

E tudo isso mesmo sendo um grande surdo, mesmo sendo um grande cego.

Mesmo sendo apaixonado, talvez a melhor definição de tudo isso.

Mas, como eu ia dizendo, chega de me açoitar com a sua indiferença. Chega de me fazer perder noites de sono e dias de paz. Chega de congestionar minhas veias com esse sangue envenenado. Chega de me fazer olhar para trás. Chega de me fazer ter medo de pontes e nuvens escuras.

Antes eu queria apenas ser feliz.

Hoje? Quero apenas continuar sendo o que sempre fui.

Do jeito que sou, do jeito que cheguei até aqui...


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