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GRAVANDO E APAGANDO MENSAGENS

Cansado, ele entrou em casa percebeu que havia mais de cinco mensagens telefônicas gravadas na sua velha secretária eletrônica. Ouviu parcialmente todas, na seqüência. Todas da mesma pessoa. Todas as malditas mensagens eram dela. Todas. Não chegou a ouvir nenhuma inteira. Apagava-as, tão logo ouvia aquela voz irritante no aparelho. Aquela voz irritante que tão bem ele conhecia. Desistiu do telefone, acendeu um cigarro e encheu um copo gigante de vodka. Sentado no escuro da sala descobriu, triste, que não sabia o que era perdão. Sorriu sozinho e respirou aliviado. Descobriu que melhor e mais cruel do que não saber perdoar, é não se importar com isso. Simplesmente não se importar.

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NUCA

Ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. Muito feliz. Não existiam mais as más notícias. Não. Definitivamente não. Sem contas, protestos, cobranças ou ligações indesejadas. Nada. Nada a perturbar. Existiam apenas os lábios de Fernanda em sua nuca. Lábios deliciosos e densos. Intensos. Sempre pintados de uva. Sempre lindos. E os arrepios. Muitos arrepios. E ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. Muito feliz. Não existiam mais as más notícias. Não. Defitivamente não. Havia um aroma de uva no ar. Um perfume. E palavras sussuradas na dose certa. Na dose certa. E ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. E molhada. E o abraço que vinha depois era como um gatilho para uma boa noite. Toques. Reflexos. Seios.

Olhos Verdes

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