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CANSAÇO    Cansado.   Ele estava cansado.   Cansado de tudo, cansado do nada.   O nada que virou a sua vida.   Apenas nada.   Mas, ainda assim, cansado.   De tudo e do nada.   Muito cansado.   Cansado de ser chutado, humilhado, revirado, tumultuado.   Cansado de ser ele.   Apenas cansado.   Apenas cansado.   De tudo.   De todos.   De nada.   E o que mais ele queria, o que ele mais queria era ver o mar.   O mar...   Naquele momento era o que ele mais queria.   Ver o mar.   Ouvir o som.   O som do mar.   Ondas, sussurros e espumas.   Sentir a brisa do vento e o calor do sol e o cheiro da maresia.   O cheiro da maresia.  
  SABORES.     Sabores...   Sabores.   Vontades...   Delícias...   E apenas ela.   Apenas...   Ela.   Sabores, vontades e delícias...   Nada mais.   Apenas isso   Desejos e gostos e vontades, e tudo mais. Tudo mais.   Tudo mais.   Apenas isso.   Tudo mais...  
NADA. APENAS NADA. APENAS NADA. APENAS UMA MANCHA.... Nada. Apenas nada. Apenas isso. Apenas nada. Evidência? Nenhuma. Nenhuma. Nenhum momento de bruxaria ou feitiço ou seja lá o que for. Nada. Nenhum. Nenhuma. Nada. Apenas tudo. O que quer que isso signifique. Ou seja? Nada... Nada. Apenas isso. Apenas nada. Evidência? Nenhuma. Nenhuma. Prova? Nenhuma. Exceto a mancha do delicioso batom de uva no seu colarinho. Exceto a mancha em seu roupa. Exceto. Exceto a mancha de batom. Deliciosamente culpada. Deliciosamente culpada... E muito.... E ele? Apenas isso. Apenas nada. Muito nada... Nada.....
TUDO ou NADA.     Tudo ou nada. Tudo muito ou apenas quase nada. Apenas quase nada. Quase nada. Muito tudo....   Mas tudo que não é nada, de nada vale. Nada é nada... Nada... Tudo? Quem sabe. Nada? Eu já sei.... Tudo? Nada? Apenas eles. É sempre assim. Sempre assim. Tudo ou nada. Tudo muito ou apenas quase nada. Apenas quase nada. Quase nada. Muito tudo.... Mas tudo que não é nada, de nada vale. Nada é nada... Nada....
  O PESO DA MÃO NA HORA DO SOCO.   - Como? - ele perguntou enquanto acendia um cigarro com as mãos trêmulas. Trêmulas, muito trêmulas. Ela o olhou com um olhar doce, sincero, direto e depois de tomar um gole da sua vodka, disparou - Eu te amo. Simples assim. Simples, mas nem tanto assim - completou. Ele tremeu. Muito. E entre um trago e outro do seu cigarro, ficou em silêncio por instantes que pareceram séculos. Ela sorriu e disse - Não vai dizer nada? Nada mesmo? - insistiu. Ele não sabia o que dizer. Não sabia o que fazer. Queria apenas terminar o seu cigarro, que ele queria que não tivesse fim. Ela sorriu. Ele também. - Vem - ela disse - Me dá um beijo. Um beijo daqueles nada técnicos. E o peso da mão na hora do soco surpreende. Sempre. E a chuva que despencava lá fora não importava. Apenas o amor. Apenas eles...  
FATAL Fatal. "1 Que acontece como se fosse determinado ou fixado pelo destino; inelutável, inevitável, irremissível. 2 Que põe fim a; que mata; letal, mortal, mortífero. 3 Que traz infelicidade ou desventura; desastroso, nefasto, ruim. 4 Que não admite prorrogação; final, improrrogável, inadiável." (Dicionário Micaelis) Um romance fatal. Um término de romance fatal. Um comportamento fatal. Umas palavras fatais. Um todo cenário fatal. Ele não se ajudou. Muito menos ela. Muito menos ambos. Muito menos ambos. Fatais. Inconsequentes. Idiotas. Arrependidos. Muito arrependidos. Muito arrependidos. Muito. Fatal. Um cenário fatal. Mas não houve morte, não houve sangue, não houve drama, não houve nada. Houve lágrimas, choros e arrependimentos. E o término de uma linda estória de amor. Um romance ideal que chegou ao fim. Fatal... Apenas fatal.
INVEJA. Inveja. Palavra feia, pesada, malvada e tudo o mais. Inveja. Uma palavra. Um sentimento. Apenas inveja. A inveja que remete ao ódio. Que não se deve sentir. Inveja. Uma palavra tola, escrota, insensível, irresponsável e tudo o mais que puderem pensar. Tudo mais e apenas inveja. Uma palavra. Um sentimento. Nenhum argumento. E todos, mas todos tinham inveja. Inveja dela. E muita. Porque ela era bela, esperta, sensível, inteligente, sagaz. A inveja dela. E o mundo é assim. Cretinos e babacas e intolerantes e condescendentes e nem sabemos de qual lado estamos. Nem sempre. Quase nunca sabemos. A inveja? Nunca morre. Nunca deixa de existir. Nunca deixa de existir.