Pular para o conteúdo principal
KNOCK DOWN

Eu estava lá.

De joelhos.

E eu sentia o sangue escorrer pela garganta e descer rumo ao estômago. Direto. Sem volta. Sem pudor.

Eu estava lá.

De joelhos no ringue imaginário.

Eu estava lá porque, convenhamos, eu merecia estar.

Porrada direta, certeira no queixo.

Porrada direta, certeira aonde quer que fosse.

E tudo por causa de palavras mal faladas, palavras imbecis que me fizeram perceber como sou velho, idiota, desinteressante e sem assunto.

Apenas um ultrapassado. Adolescente tardio e ridículo. Infame. Otário.

Por conta disso, eu estava lá, prostrado no ringue, à beira do inevitável nocaute.

E não havia ninguém, definitivamente, que pudesse me ajudar.

Não aquela hora de um sábado á noite.

Não mesmo.

Continuei inerte e de joelhos, sabendo-me culpado por falar demais. Culpado por errar demais. Culpado por ter medo. Culpado por ser tolo. Culpado por sentir culpa.

Apenas um velho e idiota culpado.

E, com certeza, eu sabia naquela noite, que o que ela menos queria era um pedido de desculpas.

E este pedido seria o knock out total.

Por isso fiquei em silêncio, apenas lamentando o gosto amargo de sangue invadindo meu estômago.

Imbecil...

Comentários

Cruel disse…
Muito bom conto!
Engraçado que ontem vi o Popó perder uma luta e fiquei com vontade de escrever algo.
Não sobre ele, mas sobre luvas, ringues, pelavras...sei lá!
E hoje dei de cara com seu texto.
Gostei do seu Blog.
Abraços
Anônimo disse…
Voltou e nem avisou?
Fico feliz que tenha voltado

Postagens mais visitadas deste blog

NUCA

Ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. Muito feliz. Não existiam mais as más notícias. Não. Definitivamente não. Sem contas, protestos, cobranças ou ligações indesejadas. Nada. Nada a perturbar. Existiam apenas os lábios de Fernanda em sua nuca. Lábios deliciosos e densos. Intensos. Sempre pintados de uva. Sempre lindos. E os arrepios. Muitos arrepios. E ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. Muito feliz. Não existiam mais as más notícias. Não. Defitivamente não. Havia um aroma de uva no ar. Um perfume. E palavras sussuradas na dose certa. Na dose certa. E ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. E molhada. E o abraço que vinha depois era como um gatilho para uma boa noite. Toques. Reflexos. Seios.

Olhos Verdes

leia e ouça: ride || polar bear “ ... she knew she could fly like a bird  but when she said ‘please raise the roof higher' nobody heard they never noticed a word the light bulbs burn,  her fingers will learn … ” E, do fundo do armário, como mágica, aquele pedaço de papel surgiu no meio de meias ímpares e roupas amassadas. Simplesmente surgiu. E, ela, surpresa e de primeira, conseguiu conter as lágrimas ao segurar aquele pequeno pedaço de papel verde água em suas mãos pequenas e delicadas.  Frágeis. Suadas.  Geladas.  Aflitas. Nervosas. Tristes. Ela, sim, conteve as lágrimas e lembrou do exato momento em que tocou pela primeira vez aquele pedaço de papel. A tristeza passou por UM segundo e ela sorriu da beleza daquele momento. Esqueceu o tremor das mãos e, firme, segurou o papel para seus olhos esmeralda dançarem  e dançarem e dançarem novamente por toda a extensão daquele pedacinho de papel. Correu e correu os olhos pelo desenho de palavras à sua frente. Linda combinação de vogais,

Carvão

leia a ouça: stray fossa || better late than E lá estavam os dois sentados na sala de estar da casa dela. Dois. Os dois. Sempre os dois. Amor. Eles… - Desenha algo para mim? Ele pediu, doce e inseguro. Ela sorriu linda e disse o encarando com seus olhos verdes, grandes e intensos – Oras, não sei desenhar. Você sabe disso. Não sei rabiscar nadinha. Tenho outras habilidades, mas não o desenho. Ele devolveu o sorriso, sorriso agora ainda mais intenso e respondeu - Ah, por favor, tente desenhar qualquer coisa. Qualquer rabisco. Ela o encarou divina com seu olhar esmeralda e respondeu decidida - Claro. Desenho. O que o senhor sedutor em pedidos impossíveis gostaria que eu rabisque? Ele a olhou feliz por vários instantes e disse - O que você quiser. O que te inspira. Qualquer coisa. Qualquer coisa…. desenhe o meu amor por você… - disse, e essa afirmação última em um tom quase inaudível. Ela percebeu o som das palavras quase não ditas, o encar