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ESTRELAS ROUBADAS Roubar estrelas não é crime e nunca foi. Assim como roubar o brilho da lua. Esse tipo de ação decorrente da própria falta de bom senso de quem ama. Rouba-se o céu, o sol, o sal, o mar, enfim, o próprio coração e a alma das pessoas. Então, roubar estrelas não é crime e nunca foi. Crime é destruir uma paixão. Apenas para não querer sofrer, apenas para fazer sofrer.
LO(VE)NDON CALLING O corpo dos dois parecia derreter, tamanha a excitação, tesão, volúpia, desejo e vontade que impregnava o ambiente naquele quarto. O suor transbordava por cada poro de cada corpo. Por cada poro. Por cada corpo. Ele estava absolutamente enlouquecido, extasiado. Ela, por sua vez, estava em uma espécie de transe, de delírio. Mãos e bocas e seios e pernas e coxas e dedos e lábios e línguas e beijos e saliva se encontravam. Sem parar. Sem parar. Contínua e sofregamente. O bouquet que pairava no ar era o de uma espécie de vinho raro. Beleza rara. Ela sentia o seu gosto na sua boca. Na dele e na sua própria. Ele sentia seu corpo no dela. Sutil, intenso, integrado. Suor e paixão e delírio e toques e gemidos. Sexo ou amor, ou seja lá o que isso quer dizer... ... E eles deitaram e ficaram quietos, respirando o silêncio. Por pouco tempo. Por pouco tempo. Ela, agitada como sempre, gargalhou brava e abruptamente e ligou o velho aparelho de som nos últimos decibéi...
LUGAR COMUM Ele tirou repentinamente a mão da sua coxa... “ ela não gostou ...”. Ele tirou repentinamente a mão da sua coxa... “ ele não gostou ...” E, no fundo, ambos gostaram. Sobrou apenas o medo. E não é sempre assim?
ESSES SÓRDIDOS SALÕES DE FESTAS Ele podia sentir a fumaça penetrando lentamente os poros das suas narinas. Amarga. Azeda. Crua. Como a vida. Ele podia sentir a densidade do momento, apenas pela maldita fumaça entorpecendo as suas narinas. Decidiu acender mais um cigarro. Preferia o próprio odor por ele produzido a aquele cheiro de hipocrisia, bourbon barato e esperma contido, sufocado, preparado. A noite era escura; as luzes, negras; e, as flores, coloridas. O salão, esfumaçado. Havia freiras e padres por todos os lados, dançando animadamente ao som de uma big band qualquer. Freiras putas, padres imaginários, pessoas comuns, pessoas vãs preocupadas com perfumes que, de santas, ah, que de santas nada têm. Nada. Porra nenhuma. E ele estava cansado de tudo aquilo. Cansado como o sol deve ficar por todo dia ter que nascer para fazer a vida feliz. Para fazer a vida girar. Ele queria ser a corrente marítima que dilacera, quebra e mata os incautos e conforta os divinos. Ele queria ser a m...
O CLUBE DAS GAROTAS PERDIDAS - Sabe o que eu acho Teka? – perguntou Lena, enquanto acendia mais um cigarro naquela mesa do Clube Varsóvia. Teka, já esperando os costumeiros sermões da amiga, a olhou com apreensão, enquanto virava um gole da cerveja que restava naquele copo americano – Lá vem porrada. Diz. - Você se preocupa demais. Demais. Muito mesmo. Caralho! – gritou - Por que você, uma vez na sua vida, não deixa as coisas acontecerem? Por que você precisa sempre estar na frente quando o assunto é dor, tristeza, ansiedade ou insegurança? Pode me dizer? Isso não faz sentido, não tem razão de ser. - Lena querida, você não entende, não? Você simplesmente não entende. Isso porque a sua vidinha é perfeita, seus amigos são perfeitos, seus sonhos são perfeitos. Você é linda, interessante, inteligente, enfim, uma mulher admirável. - E? – perguntou Lena, mostrando puro descaso com tais elogios. - Conhece aquela canção que diz mais ou menos assim “... você está perdida garotinha / eu...