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AONDE O MAR VIRA O CÉU... - Então será mesmo dia 19? - ele perguntou, quase casual, quase indiferente. Ela evitou olhar para ele. Disfarçou olhando o mar, longe longe, aonde o oceano vira o céu - Sim. Dia 19, ou seja, próximo sábado. - Uma semana - ele lembrou, brincando com areia entre os dedos, desenhando nuvens e sonhos psicotrópicos. - É - ela disse, lacônica e breve. - Mas vai ser maravilhosos querida. Vai ser maravilhoso de verdade. Não acha? - ele perguntou, agora querendo apenas (auto)convencer de que ela estava certa, de que ela realmente estava fazendo o melhor, o correto. Ela encarou os dedos finos dele deslizando na areia - Não sei. Não sei se vai ser maravilhoso. Mas sei que é o quero fazer. Quero mesmo dar um basta e sumir. Viver. Sei lá. - Berlim. Berlim é longe não? - ele riu da própria besteira. Ela sorriu, enquanto sentava na areia molhada ao lado dele - Longe pacas. - E nós? - Nós? - É. Nós. - Nós o quê? - ela respondeu querendo evitar aquela pergunta, querendo evit...
BOBAGENS SOBRE CÚPIDOS SÁDICOS Não há inspiração alguma. Não. Definitivamente não há qualquer inspiração. Nem uma foto, nem um desejo, nem um sorvete, uma dor, uma paixão, uma vida, uma morte. Não. Nada disso. Definitivamente, não há inspiração nesta manha tão cheia de chuva e nuvens chumbo. Pode ser o fim, o começo, o meio, qualquer coisa, mas o caminho parece liso, branco, único. Nada a dizer, nada a declamar, nada pelo que morrer, nada pelo que sonhar. O vazio entediante do espaço explode como uma tragada de nicotina no seu pulmão. E quando o tédio e o vazio são as coisas mais ressonantes em uma vida, ah, aí talvez seja melhor apenas chorar. beber umas tequilas, fumar algum cigarro. Entorpecentes. Escutar um disco de jazz antigo, mas jazz, porra, é das coisas mais chatas que existem na vida. Chato, chato, chato. Não que não seja maravilhoso ser Thelonious Monk ou John Coltrane. Neon e fumaça. Não, é chato apenas porque te faz sonhar e flutuar e lembrar do quão medíocre é e sempre se...
BOBAGENS SOBRE CÚPIDOS SÁDICOS Não há inspiração alguma. Não. Definitivamente não há qualquer inspiração. Nem uma foto, nem um desejo, nem um sorvete, uma dor, uma paixão, uma vida, uma morte. Não. Nada disso. Definitivamente, não há inspiração nesta manha tão cheia de chuva e nuvens chumbo. Pode ser o fim, o começo, o meio, qualquer coisa, mas o caminho parece liso, branco, único. Nada a dizer, nada a declamar, nada pelo que morrer, nada pelo que sonhar. O vazio entediante do espaço explode como uma tragada de nicotina no seu pulmão. E quando o tédio e o vazio são as coisas mais ressonantes em uma vida, ah, aí talvez seja melhor apenas chorar. beber umas tequilas, fumar algum cigarro. Entorpecentes. Escutar um disco de jazz antigo, mas jazz, porra, é das coisas mais chatas que existem na vida. Chato, chato, chato. Não que não seja maravilhoso ser Thelonious Monk ou John Coltrane. Neon e fumaça. Não, é chato apenas porque te faz sonhar e flutuar e lembrar do quão medíocre é e sempre se...
TANGERINA? NÃO MAIS... - Você é idiota? - ele perguntou, bravo. Realmente bravo. Ela apenas o encarou, com os olhos vermelhos, tão cheios de lágrimas, tão cheios de dor, tão cheios de mágoas, tão cheios de adolescência. - Porra, dá prá deixar o passado em paz? Dá prá deixar o passado não consumado em paz? Ela novamente o encarou, agora com os olhos ainda mais vermelhos, ainda mais cheios de lágrimas, repletos de dor, de arrependimentos, de mágoas, tão cheios de tudo. Ele acendeu mais um cigarro e disparou - E foda-se quem você não conseguiu e foda-se quem você não viveu e foda-se carinhas babacas com camisetas de artistas plásticos. Imbecis que não te perceberam. Será que você só quer ser infeliz nesta merda de vida? Ela "roubou" o cigarro dos seus dedos e virou o copo dele, ainda cheio de vodka, garganta abaixo. - Ei - ele reclamou - E desconta esta porra toda na minha vodka? - Eu sou egoísta! - ela disse. - É lógico que é. E prepotente e arrogante. Acha que o mundo vai para...
INSÔNIA (SONHOS: CANÇÕES DE NINAR DO INFERNO) - Anne? Anne... A voz explodiu como uma bomba israelense. A voz explodiu como uma bomba e invadiu o seu sonho. Rasgante. Afiada como uma faca. E ela nem percebeu da onde veio. Acordou assustada. Acordou perturbada. Desesperada. Gotas gordas de suor escorriam pelo seu rosto. Tez linda. Pálida. Branca como a neve que ela jamais viu. Olhou para o relógio e não acreditou. Duas e meia. - Porra. Duas e meia - pensou, querendo morrer. Havia acabado de deitar. Nem vinte malditos minutos. Nem meia maldita hora. Nada. Apenas uma voz bastou. Uma maldita lembrança. Mais uma noite em branco. Em claro. Acordada. Sono? Que sono? - Anne? Anne... Ela olhou ao redor, como querendo entender. Ela olhou ao redor como querendo esquecer. Esgotada, foi até cozinha. Copo de água gelada não mata a dor. Decidiu ir para a sala e ligar o rádio. Péssima idéia. Lovesongs da madrugada são arsênico para corações fodidos. Lullabies malditas. O silêncio da noite, sem dúvida...
QUANDO A MELHOR OPÇÃO É ABRIR A JANELA E DEIXAR O CALOR SAIR... E a noite estava quente. Muito quente. Tão fodidamente quente que ele mal conseguia pensar. Mal conseguia pensar. Mal conseguia pensar nos seus erros, mal conseguia pensar nos desejos, mal conseguia pensar em qualquer coisa que não fosse aquele maldito ar abafado, seco, sufocante e desesperador. Mentira. Grande mentira. Uma mentira filha da puta. Mais uma de suas mentiras. Tão usuais e presentes na sua vida como a sua própria sombra. Mentiras tão presentes na sua vida como a nicotina, o ãlcool, os entorpecentes, a música e os erros. Mentiras usuais e presentes. Porra, e mesmo com todo aquele calor desesperador e cruel de Janeiro, óbvio que ele conseguia pensar direito em tudo o que havia feito, em todas as besteiras que havia dito e no grande erro que havia cometido. Mais um enorme erro dentro do infindável rol de besteiras que ilustrava sua vida. - Você vai dizer apenas isto - ela perguntou, surpresa diante da porrada, su...
HEY GLAU... te disse parabéns?? e você, criadora do Varsóvia, precisava do conto abaixo. e ele é todo seu... beijos prá quem é de beijos abraços prá quem é de abraços