Pular para o conteúdo principal
SO FAR AWAY... (COMO UMA CANÇÃO)

Seus olhos parecem duas grandes bolas verdes de cristal. Lindos. Coloridos como poucas coisas podem ser. E é estranho perceber toda a aflição que inunda estes dois olhos grandes, coloridos, lindos.

É amor.

Amor distante. Amor que ela sente por alguém que está fora do alcance das suas mãos, fora do alcance do seu toque, fora do alcance da sua visão, fora do alcance do seu corpo. Ela quer sentir o seu cheiro, o seu perfume, quer tocar seu cabelo, seu corpo, seu rosto, quer olhar por horas e horas e horas o seu rosto infantil, lindo, sutil, perfeito.

Ela quer poder abraçá-lo com força, com muita força, abraçá-lo de forma que ele perceba o quanto ela quer ele dentro do seu corpo, da sua alma, da sua mente, do seu coração.

É amor.

Seus olhos vivos e coloridos, que parecem duas grandes bolas verdes de cristal, expressam toda essa ausência que corrói. Todo medo e a vontade insana de rasgar o mapa para unir os seus dois destinos.

Tudo o que ela quer, é tê-lo por perto, ainda mais uma vez. Tudo o que ela quer, é estar na mesma cidade que ele, ainda mais uma vez. Tudo o que ela quer, é poder ficar horas e horas e horas admirando a sua beleza rara. Tudo o que ela quer, é estar perto dele, ainda que para ficar em silêncio.

Se isso não é amor, então, porra, ninguém mais pode me dizer o que é este sentimento que dói, que arde, que rasga, que machuca, que excita, que diverte, que perturba, que alegra, que molha, que enlouquece.

E talvez, se ela tiver coragem e decidir quebrar o silêncio de toda aquela angústia com a sua voz, com o seu grito, com o seu amor, talvez ele possa escutar e responder, ainda que milhas e milhas distante.

Tudo o que ela quer é estar perto dele.

E se isso não é amor, então eu simplesmente lamento, pois toda a minha crença acabará... simplesmente acabará...

...


"I break the silence with my voice
and everyone turns around
to see the source of all the noise
and here i stand
"
(Dunce / Voltaire)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NUCA

Ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. Muito feliz. Não existiam mais as más notícias. Não. Definitivamente não. Sem contas, protestos, cobranças ou ligações indesejadas. Nada. Nada a perturbar. Existiam apenas os lábios de Fernanda em sua nuca. Lábios deliciosos e densos. Intensos. Sempre pintados de uva. Sempre lindos. E os arrepios. Muitos arrepios. E ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. Muito feliz. Não existiam mais as más notícias. Não. Defitivamente não. Havia um aroma de uva no ar. Um perfume. E palavras sussuradas na dose certa. Na dose certa. E ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. E molhada. E o abraço que vinha depois era como um gatilho para uma boa noite. Toques. Reflexos. Seios.

Olhos Verdes

leia e ouça: ride || polar bear “ ... she knew she could fly like a bird  but when she said ‘please raise the roof higher' nobody heard they never noticed a word the light bulbs burn,  her fingers will learn … ” E, do fundo do armário, como mágica, aquele pedaço de papel surgiu no meio de meias ímpares e roupas amassadas. Simplesmente surgiu. E, ela, surpresa e de primeira, conseguiu conter as lágrimas ao segurar aquele pequeno pedaço de papel verde água em suas mãos pequenas e delicadas.  Frágeis. Suadas.  Geladas.  Aflitas. Nervosas. Tristes. Ela, sim, conteve as lágrimas e lembrou do exato momento em que tocou pela primeira vez aquele pedaço de papel. A tristeza passou por UM segundo e ela sorriu da beleza daquele momento. Esqueceu o tremor das mãos e, firme, segurou o papel para seus olhos esmeralda dançarem  e dançarem e dançarem novamente por toda a extensão daquele pedacinho de papel. Correu e correu os olhos pelo desenho de palavras à sua frente. Linda combinação de vogais,

Brindando Palavras Repetidas

  leia e ouça: richard hawley || coles corner - Você é repetitivo. Ele a olhou com uma surpresa muda,  - Você é muito repetitivo - ela disse, certeira, sabendo que o havia atingido em seu ponto mais fraco, mais vulnerável, mais dolorido. Não sorriu. Ele a olhou com certa surpresa sabendo que, no fundo, ela estava certa - Como assim? - perguntou, querendo ter certeza. - Repetitivo. Repetitivo. Você usa as palavras de forma inconsequente e repete sempre as mesmas coisas. Faz isso o tempo todo. - Faço? - ele disfarçou. Ela então sorriu levemente - Claro que faz. Mas o que me deixa ainda mais fascinada é esta sua cara de pau. Você sabe que é assim, desse modo, desse jeito e ainda assim continua nesta direção. Ele fingiu indignação, mas por puro orgulho. Ela estava absolutamente certa. Ele tomou um gole do que estava bebendo e ficou quieto, esperando a próxima porrada. - Não? Você não sabe disso? - ela insistiu. - Talvez - admitiu, sem admitir. - Então, por que você não tenta mudar? - Você