Pular para o conteúdo principal

POSTCARDS


boomp3.com

Querida Nina,
Espero que você esteja bem. De verdade eu espero.
Espero que todos os seus sonhos, desejos, vontades, tesões, delírios, viagens, enfim, toda a sua VIDA esteja – definitivamente – da forma como você sempre quis, sempre sonhou, sempre imaginou. Como está o curso de fotografia? Bom? Ainda está fazendo? Você tinha talento para isso,sabe? Sempre soube disso, porém nunca disse diretamente a você. Nunca te disse o quanto você era boa em tirar fotografias, retratos, enfim, tudo o que se refere a isso. Talvez tenha sido medo de te perder para a vida (o que acabou rolando), talvez tenha sido mero despeito pelo fato de eu não ser bom em absolutamente porra nenhuma. Absolutamente porra nenhuma. Péssimo escritor, péssimo ator, péssimo músico, péssimo homem, péssimo estudante, péssimo caráter, péssimo ouvinte, péssimo companheiro, péssimo amigo, pés... tá, tá bom, posso escutar sua voz aguda dizendo “Pára com esta auto-comiseração, caralho. Você não é tão importante assim. Entenda isso.”. Já parei Nina. Foi só um surto, as usual. E quer saber, querida, quer saber a mais cruel e dura realidade? Eu realmente entendi que não sou tão importante assim mesmo. O mundo não gira ao meu redor, por mais que eu queira desesperadamente isso. As pessoas não estão aqui nesta vida besta, apenas com o intuito de me conhecer. As pessoas não estão aqui para isso. As pessoas estão aqui porque estão e eu sou apenas eu, o que, convenhamos, não é necessariamente a melhor e nem tampouco a pior coisa do mundo. Tem lá suas vantagens, e também, como tudo, suas desvantagens. A verdade é que eu andei pensando muito em todas as coisas que você sempre me disse. Sim, todas aquelas verdades doloridas que você insistia em repetir ao longo dos anos em que nos conhecemos. Tudo aquilo que você insistia em me fazer acreditar. E quer saber? Eu resolvi parar de me sentir tão inútil e velho assim. Sim, sou velho e tals, mas não um inútil. Enfim, deixa isso para lá, que isto é assunto para algum dia, alguma outra carta, alguma outra conversa. Para quando nos vermos pessoalmente again. Hmmmm. Vai demorar? Você pretende ficar muito aí? Não acha que está na hora de voltar? Não, né? Bem, ao menos eu tentei...rsrsrs. Você está bem? Feliz? Contente? Satisfeita? Viva? Alegre? Como você está? Espero que esteja bem. Desejo isso a você todos os dias em minhas pequenas orações (sim, também não sou mais ateu, surpreenda-se). Espero, sempre, que minhas pequenas orações e desejos encontrem você bem e feliz. Aonde quer que seja. Gosto de pensar que você está sempre assim. Gosto mesmo. Aquele teu sorriso de girassol naquela tarde de primavera. Lembra? Ai ai...sinto sua falta querida, e por mais que você não esteja perto e não esteja em lugar nenhum aonde eu possa tocá-la ou sentir o cheiro de papaia verde dos seus cabelos, a verdade é que você bem que poderia estar por perto. De verdade. Bem, acho que deve estar cansada de ler estas palavras repetidas. Vou indo agora, lembrando que ainda não tenho notebook e nem computador e, muito menos, e-mail. Este cartão postal continua sendo meu canal de comunicação com você e o mundo exterior. Espero que receba e não se importe e que me escreva (se quiser e se tiver tempo).
Gosto de saber novidades.
Beijos.
Seu.
A.

ps: comprei um cd de um cara chamado Jens Lekman. Você que está nas redondezas européias devia tentar ouvir. Vai gostar. É tua cara. Well, ao menos é a tua cara que eu costumo lembrar.

Comentários

carol disse…
sweetheart,
nesse momento me lembro de você atrás da porta fazendo charme, e depois aparecendo de cuecas novas, com pose de marinheiro e sorriso meio torto, de cabelo despenteado. tão pateta...e eu achava tão sexy!
...e novidades eu só terei quando parar de responder seus cartões.

ps: e compre umas dúzias de cachecóis, aqui faz bastante frio. espero ter escolhido certo o seu assento, não quero que ninguém chato sente ao seu lado na viagem.

ps:2 tá tocando stray cats no meu mp3 player... já me dá vontade de dançar.

guardando todos os beijos do mundo,
nina.

Postagens mais visitadas deste blog

NUCA

Ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. Muito feliz. Não existiam mais as más notícias. Não. Definitivamente não. Sem contas, protestos, cobranças ou ligações indesejadas. Nada. Nada a perturbar. Existiam apenas os lábios de Fernanda em sua nuca. Lábios deliciosos e densos. Intensos. Sempre pintados de uva. Sempre lindos. E os arrepios. Muitos arrepios. E ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. Muito feliz. Não existiam mais as más notícias. Não. Defitivamente não. Havia um aroma de uva no ar. Um perfume. E palavras sussuradas na dose certa. Na dose certa. E ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. E molhada. E o abraço que vinha depois era como um gatilho para uma boa noite. Toques. Reflexos. Seios.

Olhos Verdes

leia e ouça: ride || polar bear “ ... she knew she could fly like a bird  but when she said ‘please raise the roof higher' nobody heard they never noticed a word the light bulbs burn,  her fingers will learn … ” E, do fundo do armário, como mágica, aquele pedaço de papel surgiu no meio de meias ímpares e roupas amassadas. Simplesmente surgiu. E, ela, surpresa e de primeira, conseguiu conter as lágrimas ao segurar aquele pequeno pedaço de papel verde água em suas mãos pequenas e delicadas.  Frágeis. Suadas.  Geladas.  Aflitas. Nervosas. Tristes. Ela, sim, conteve as lágrimas e lembrou do exato momento em que tocou pela primeira vez aquele pedaço de papel. A tristeza passou por UM segundo e ela sorriu da beleza daquele momento. Esqueceu o tremor das mãos e, firme, segurou o papel para seus olhos esmeralda dançarem  e dançarem e dançarem novamente por toda a extensão daquele pedacinho de papel. Correu e correu os olhos pelo desenho de palavras à sua frente. Linda combinação de vogais,

Carvão

leia a ouça: stray fossa || better late than E lá estavam os dois sentados na sala de estar da casa dela. Dois. Os dois. Sempre os dois. Amor. Eles… - Desenha algo para mim? Ele pediu, doce e inseguro. Ela sorriu linda e disse o encarando com seus olhos verdes, grandes e intensos – Oras, não sei desenhar. Você sabe disso. Não sei rabiscar nadinha. Tenho outras habilidades, mas não o desenho. Ele devolveu o sorriso, sorriso agora ainda mais intenso e respondeu - Ah, por favor, tente desenhar qualquer coisa. Qualquer rabisco. Ela o encarou divina com seu olhar esmeralda e respondeu decidida - Claro. Desenho. O que o senhor sedutor em pedidos impossíveis gostaria que eu rabisque? Ele a olhou feliz por vários instantes e disse - O que você quiser. O que te inspira. Qualquer coisa. Qualquer coisa…. desenhe o meu amor por você… - disse, e essa afirmação última em um tom quase inaudível. Ela percebeu o som das palavras quase não ditas, o encar