Pular para o conteúdo principal

BIA E LECA


- Não acredito. Você está apaixonada, cacete? – Leca perguntou, percebendo o brilho lindo no olhar de Bia.

Ela disfarçou e apenas respondeu, lacônica - Deixa de ser boba – Bia disse, tentando disfarçar o indisfarçável – Apaixonada o caralho – emendou – Sou lá mulher de ficar apaixonadinha por alguém?

- Pára – dsse Leca, irritada – Te conheço desde os seis anos. Desde os seis anos. Conheço cada detalhe, cada sorriso seu. Vocè está apaixonada mesmo. Caramba! Vai me fazer o grande favor de dizer por quem? – perguntou.

- Deixa de ser trouxa Leca, por favor. Não sei da onde você tira estas bobagens, estas besteiras. Parece que não cresceu.

Leca a olhou com indignação e raiva – Porra. Estas bobagens e estas besteiras eu tiro de você mesmo. Tiro de você mesmo. Estamos aqui no Clube Varsóvia, que está bombando de gente chata, gente mala, idiota, presunçosa, aliás, uma porrada de pessoas dançando e você aí, distraída demais, com o olhar vago e brilhante, fumando os seus malditos cigarros e pensando em alguém, que não sei quem é,  com um sorriso no canto dos lábios, sem nem se importar com o que acontece ao seu redor. Não tem outra, você está apaixonadíssima. E nem me fala. Que saco.

- Besta – disse Bia, infantil e adorável.

- Fala Bia. Fala. Quem é o sortudo? Não vai dizer que é aquele otário do Edu? Aquilo é um traste. Não vale nada. Um imbecil. Esquece o cara. É o Cadu? Pedro? Tom? Quem é o imbecil? – perguntou, com sarcasmo.

- Você faz perguntas demais Leca. Perguntas demais – disse Bia – Podemos falar sobre qualquer outra coisa, por favor? – pediu, sem saco.

- Tá bem Bia. Tá certo. Vou te deixar em paz por poucos instantes. Conheço você como a porra da palma da minha mão e sei que você está mentindo. Enganando a mim, mais uma maldita vez. Ok. Sei que está de olho em alguém, apaixonadérrima. Vou pegar uma porra de uma bebida e já volto. Quer algo? Posso trazer – disse, gentil.

- Paz. Eles servem isto por aqui – respondeu Bia, com ironia.

- Vaca do inferno – brincou Leca e emendou – Te trago uma vodka. O mais perto da paz que você vai chegar hoje. Pode apostar.

E enquanto Leca se dirigia ao bar, Bia ficou olhando os deliciosos movimentos do seus quadris, os deliciosos movimentos daquela garota tão linda que ela conhecia desde os seus seis anos de idade. Sua melhor amiga. Sua maior paixão. Sua melhor tudo. Se me conhecesse tão bem, sua estúpida, você saberia quem é meu verdadeiro amor – pensou, triste e um pouco feliz, sem saber por onde andar e apenas aguardando a vodka e o retorno daqueles deliciosos movimentos de quadris.

Sem saber por onde começar...





http://4.bp.blogspot.com/_qtA95UHwOrw/TKaG6VfAOJI/AAAAAAAAALc/nx8r_VAgALY/s400/A_IMAGEM_DO_BEIJO_DAS_GAROTAS.jpg



Comentários

Lorene. disse…
Sensibilidade que só você tem... =)

Postagens mais visitadas deste blog

TIJOLOS APARENTES

OUÇA: kate bollinger || candy
- Então? – ela perguntou com um olhar indisfarçável de carinho e cuidado, antes de abrir a porta para ele sair. Ele sorriu, meneou a cabeça e não soube responder de primeira. - Então? – ela insistiu e continuou – Não vai me dizer nada? Nada? Ele levantou a cabeça e a olhou com a maior ternura do mundo e respondeu – Eu adorei. Simplesmente adorei. Ela não escondeu um sorriso genuíno e disse – Fico contente. Você nem imagina o quanto. Nem imagina. - Imagino sim. Imagino sim. - Do que mais gostou? – ela prosseguiu em sua suave inquisição. Doce inquisição. - Do que mais gostei? – ele repetiu. Ela assentiu com a cabeça e disse – Sim. Não vou deixá-lo ir embora sem me responder. Não posso. Você ficou aqui a tarde toda comigo e eu apenas adoraria saber. Ele a olhou com carinho e ternura. Disse, divertido – Do que mais gostei? Bem, além de você servir um adorável capuccino? Ela sorriu e emendou – Deixa de ser bobo. Não foi capuccino nenhum. Fale. Eu sinto no seu olhar. Só pr…

SHALL WE DANCE

OUÇA: rosalyn || loverfriend
- Então, aceita dançar esta música? – ele pediu, com gentileza e suavidade. Ela sorriu. E ele estava trêmulo e nervoso. Ansioso. Ela estava alegre e linda. Serena. E quando as primeiras notas do piano soaram na caixa de som, os dois se aproximaram e os seus braços se encontraram. Entrelaçaram. Um elegante e suave toque em uma condução apropriada para o som de notas belas e delicadas. Ela o conduzia. Ele também. E a canção era densa e envolvente, apaixonada, e as notas voavam e flutuavam pela sala da sala. Os braços entrelaçados revelavam uma cumplicidade sem igual. Rara. Poucas vezes vista. Poucas vezes sentida. Nunca? Não daquela maneira. Não como naquela noite. Talvez em outros tempos, mas não como naquele exato instante. E entre braços entrelaçados e desejos agora não mais escondidos, o perfume dos cabelos misturado ao cheiro das tintas era inebriante. Aroma de camomila. Aroma de vontades. Desejos e sorrisos. Ela o conduzia. Ele também. O toque entre eles era suave, assim como os…

ERA O QUE FARIA LOU REED

OUÇA: antoine diligent || nobody loves u
Clube Varsóvia, duas e meia da madrugada. Mais uma noite. Mais um cigarro. Mais um chato chegando perto. - Oi – o garoto loiro disse, com aquela voz quase bêbada e mole, derretendo as sílabas. A moça alta de preto nem o olhou e ficou em silêncio. Aproveitou e brincou com o seu cigarro entre os seus longos e espessos dedos antes de dar mais uma tragada naquele Marlboro. - Oi – ele insistiu – E aí? Tudo bem? Ela pensou um instante, desistiu do cigarro, pegou o copo cheio de gim à sua frente e tomou mais um gole. Ausência de resposta em retorno. “Ainda bem que há um DJ no local” – ela agradeceu em pensamento. - Ah, fala alguma coisa – ele pediu – Você é bonita, sabe? Bastante bonita. Ela tomou ainda mais um gole, deixou o copo no balcão e se virou na direção do garoto loiro. Depois de alguns momentos o observando, disse – Oi. Está tudo bem sim. Exceto o incômodo. - É, realmente. Um incômodo. Também acho que o volume está muito alto hoje. O DJ devia perceber is…