Pular para o conteúdo principal

GIZ


Madrugada.
Apartamento vazio.
Vazio exceto por ela.
Madrugada alta e tudo o que ela queria era um copo grande de conhaque.
Conhaque ainda que barato.
Era o que podia comprar.
Um copo grande de conhaque e a companhia dele e o seu perfume.
O seu doce perfume.
Delicioso.
Um cigarro também seria bom.
Bem bom.
E o sorriso dele também.
Mas aí seria pedir demais.
Demais.
Chovia na madrugada e ela queria um copo grande e gordo de conhaque
E teve.
E seu cigarro também.
Mas faltava o perfume dele.
O perfume dele.
E o seu sorriso.
O seu sorriso.
Apartamento vazio exceto por ela, seu cigarro e seu conhaque.
E ela escrevia no seu computador de forma insana, sem se importar com os raios que desabavam lá fora.
E desabavam mesmo.
Fortes e claros.
Chuva gigante.
Poltergeist anômalo.
Poltergeist do coração.
Seu próprio poltergeist.
De paixão.
Coração mal cuidado.
Madrugada alta e tempestade forte e tudo o que ela queria era um copo grande de conhaque.
Um copo grande de conhaque e a companhia dele e o seu perfume.
O sorriso?
Um cigarro estava bom.
Bem bom e realista.
O telefone tocou e ela atendeu rápida e aflita.
Engano.
Apenas engano.
Poltergeist anômalo.
Poltergeist do coração.
Seu próprio poltergeist.
Madrugada alta e tempestade forte e tudo o que ela queria era mais um copo grande de conhaque.
Um copo grande de conhaque e a companhia dele e o seu perfume.
Escrever?
Apenas uma carta de amor.
E vários pedidos de desculpas.
Apenas uma carta de amor e palavras erradas.
Mas ela queria escrever em giz.
Em giz.
Branco ou amarelo ou verde ou qualquer cor.
Para poder apagar assim que possível.
E se possível.
Para poder apagar se quisesse.
Poltergeist anômalo.
Poltergeist do coração.
Seu próprio poltergeist.
Apenas uma carta de amor escrita em giz.
Escrita em giz.
Apenas escrita em giz.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NUCA

Ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. Muito feliz. Não existiam mais as más notícias. Não. Definitivamente não. Sem contas, protestos, cobranças ou ligações indesejadas. Nada. Nada a perturbar. Existiam apenas os lábios de Fernanda em sua nuca. Lábios deliciosos e densos. Intensos. Sempre pintados de uva. Sempre lindos. E os arrepios. Muitos arrepios. E ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. Muito feliz. Não existiam mais as más notícias. Não. Defitivamente não. Havia um aroma de uva no ar. Um perfume. E palavras sussuradas na dose certa. Na dose certa. E ela entrava em transe. Transe total. O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz. E molhada. E o abraço que vinha depois era como um gatilho para uma boa noite. Toques. Reflexos. Seios.

Primeira Pessoa

leia e ouça: heaven knows I'm miserable now || vitamin string quartet performs The Smiths Eu. Primeira pessoa do singular. Eu. Eu mesmo. Muito prazer. Vivo. Eu. Na primeira pessoa. Vivendo. Escrevendo. Vivo (ainda). Sempre. Eu, na primeira pessoa. Escrevendo. Sempre (ainda bem). E naquela noite eu a encarei com firmeza, vontade, desejo, decisão e amor, muito, mas muito amor. E minha vida mudou. Tudo mudou. Tudo. Nunca esqueci aquele dia. Nunca. Fevereiro. Nunca me esqueci. Olhos grandes, gordos, verdes e lindos, absolutamente lindos. Lindos demais. Eu morri e fui ao céu (o céu existe?) ao ver aquela lindeza. Linda. Linda. Linda demais. Eu a olhei e a pedi em tudo. Em compromisso, em casamento, em namoro, em cumplicidade, em vida, enfim, em tudo, tudo, tudo, mas, ainda EU, eu… ainda precisava (e ainda preciso) me organizar. E ela percebeu isso. Ela percebeu o quanto EU, a primeira pessoa, apenas eu, precisava aprender. Me organizar. Viver. Aprender a viver. Dedicar menos, mas MUITO

Vida? Muito Prazer.

leia e ouça: all I want is You || vitamin string quartet performs U2 Eu erro. Ah, erro. E muito. E na primeira pessoa (que é a forma mais verdadeira de falar e admitir). Eu erro e erro e erro (e me arrependo, mas nada posso fazer) muito mais do que acerto. Mas também acerto (e, às vezes, no alvo). Sem dúvida. Não duvido mais disso. Erros e acertos. Vida. Eu erro e acerto e vivo (mas não me dava conta disso até um sábado à noite). Eu tento. Eu tento. Todos os dias. Eu busco me achar. Me encontrar. Sorrir. Ser feliz. E me achei (quer dizer, estou me achando). Aqui mesmo, dentro de mim e, claro, nela. Nela. Ela… Linda. Generosa. Única. Um farol de olhos esmeralda, as usual . 20 pontos, 20 itens, uma lista. Uma vida. A minha vida. A minha vida que coloquei no papel e não tinha me dado conta de tudo e do tanto que estava fora de lugar vindo do passado e eu sequer, mas sequer pensei nisso antes. Jamais. Não pensei. E diante da lista, me assustei. Me apavorei. Chorei. Mas, não caí. Ah, não. O