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MEDO? MUITO!

Sinto um breve sopro de medo e desespero a me corroer o peito. Um breve, porém profundo, sopro de medo e desespero. Medo. Medo de encarar a minha própria vida e todas as bobagens que dela fiz. Medo de encarar o espelho, de frente, e perceber que do alto de todos os meus anos vividos, não fui capaz de manter a verdade como a linha mestra dela. Como a guia. Como o farol a iluminar cada passo dado no escuro. Sinto um breve sopro de desespero a me corroer o peito. Aquele desespero que muito embora desperta uma vontade absurda de correr sem parar para qualquer lado, mas que, na verdade, te deixa apenas imobilizado, estático, congelado, sentindo o suor frio escorrer pela testa. Sinto medo e desespero com a mesma frequência com que respiro. Uso e abuso do álcool das drogas, do cigarro, da mentira. Subterfúgios e desculpas. Não consigo encarar os que amo. Sinto como se minha vida fosse uma fraude bem arquitetada pelo destino. Uma fraude bem arquitetada pelo tamanho, porém uma fraude grosseira...

PARABÉNS A VOCÊ, NESTA DATA QUERIDA...

- Parabéns – ela disse ao telefone, toda sem graça. Ele sentiu o sangue gelar ao perceber e descobrir de quem era a voz do outro lado da linha. Ficou em silêncio. Ela continuou – Nada? Não vai dizer nada? Nem murmurar um obrigado? Ele ficou furioso com a pergunta – E, por acaso, eu deveria agradecer? Ela respirou fundo e disse, tentando amenizar – Talvez, quem sabe. Sei que eu não deveria ter ligado e nem nada, mas achei que poderia tentar. Poderia tentar te dar os parabéns hoje, seu aniversário. - Você é uma idiota mesmo – ele emendou, bravo – Sabia que eu cheguei a cogitar a sua ligação, mas pensei que você não seria tão lunática assim. Achei que você fosse um pouco mais normal, um pouco menos inconseqüente. Errei, claro. - Você não sabe de muita coisa a meu respeito, pelo que percebo. Tira conclusões precipitadas, me julga, me cobra, me acusa. Não quer nem escutar nada. Não quer saber o que houve, o que aconteceu, se eu, de fato, estava a fim de beijar aquele cara, se eu... ...

A TEMPESTADE ESTÁ SÓ COMEÇANDO...

Às vezes, o céu fica bastante escuro, ainda que não seja noite. Nossas vidas também. Às vezes, ficam bastante escuras. Como se não houvesse amanhã, uma tempestade aproxima e promete devastar, inundar, causar, destruir, derrotar e levar tudo o que pudermos pensar. Tudo. Como se o breu das nuvens cinzas fosse a mera tradução dos nossos medos, nossos desesperos, nossa desesperança, nosso desejo de voltar a nascer. Recomeçar do zero. Recomeçar tudo. Tempestades são como a morte. Raios são como o último suspiro. Tempestades são o sexo. Raios, o gozo. Temos medo e somos fracos. Temos medo e somos fracos. Às vezes, uma tempestade pode nos dar muito mais pistas sobre quem realmente somos do que qualquer outra coisa. Do que qualquer outra fotografia ou impressão. Quando ficamos lá, quietos, à frente da janela, apenas observando o céu revolto e negro. O céu desafiador. Indestrutível. É quando percebemos que há muito mais coisas que podem nos matar lentamente, do que apenas a fumaça dos cigarros...

TO THE END

- O que vc quer de mim? – ela perguntou, aos gritos – Que porra você quer de mim?. Ele olhou para o chão, triste. Não queria responder, não sabia responder. Preferiu o silêncio. - Vai responder, seu filho da puta? Vai? – ela gritou, enquanto dava socos no peito dele. Socos não fortes, porém socos repletos de raiva, desespero e dor. Ele ficou em silêncio. Ficou em total e absoluto silêncio, sem ter nada a dizer. Ela ter visto aquele beijo já era o suficiente. - Seu idiota. Seu completo e estúpido idiota. Sai daqui. Agora! – ela gritou. E ele saiu do pequeno apartamento e foi embora, descendo as curtas escadas daquele prédio tão antigo. E enquanto descia, podia ouvir, com desespero, o choro e a dor daquela garota tão especial, outrora o grande amor da sua vida. E caiu em choro e lamento. Pobre diabo...

TALVEZ EM VARSÓVIA, NÃO EXISTA DIAS DE SOL...

Talvez em Varsóvia, não exista dias de sol. Talvez em Moscou, os dias de verão já nasçam frios. Talvez em Bombaim, exista pouco trânsito. Talvez em Kingston, a fumaça seja leve. Talvez, talvez, talvez. Talvez no Rio, a noite seja longa. Os amores que perdi, os amores que encontrei, os amores que deixei, os amores, os amores, os amores. Na verdade, palavras lançadas no papel podem soar belas, frouxas, desencontradas ou mesmo apenas palavras. Sem sentido algum. Sem significado algum. Sem a menor necessidade disto. A menor. E no grito dos raivosos repousa a fúria. No grito dos suicidas, a angústia. O desespero repousa no choro dos amantes desolados. Amantes devastados pela perda do amor. Amantes solitários. Amantes desencontrados. Talvez em Sofia, exista uma Bulgária. Talvez em Medellin, exista mercado negro. Talvez o mundo não seja tão divertido assim. Talvez as paixões não sejam tão intensas assim. Talvez as pílulas não sejam tão eficazes assim. E a menina linda, toda gostosa e diverti...

BABIES

"Estou deixando a minha vida passar. Isto é grave. Bastante grave. Está passando rapidamente e tudo o que eu queria era poder ter paz. Não beber, não fumar, não fazer merda, enfim, deitar a cabeça no travesseiro de forma tranqüila e calma, e dormir o sono dos bons, o sono dos justos, o sono dos normais. Muito ao contrário, tudo em que me meto remete ao caos, ao desespero, aos problemas. Falta de bom senso, falta de critério, falta de razão, Falta de juízo, como costuma dizer os sábios mais velhos. Ok, ok, juízo também não é tudo na vida. Viver sem um pouquinho de imaturidade ou de risco não é exatamente viver. Mas a vida deve ser vivida de forma alegre e divertida e não necessariamente como um fio de nylon, no qual você tem que caminhar por quilômetros, tendo um abismo colossal abaixo. Não, a vida pode ser mais leve, como um copo de suco gelado, irrepreensível diante de tardes de calor insanas. A vida merece mais, não menos. A vida merece muito, não pouco. Cansei de errar e chora...

O DESENCONTRO

A coisa aconteceu mais ou menos assim. Tempos atrás... - Então, eu estou indo para São Paulo. Você não quer me encontrar? – ela perguntou, naquele tom de voz tão sarcástico que ele adorava. Ele pensou por uns instantes, com um sorriso nos lábios – Hmmmmm. Sim. Vai ser ótimo. - Duvido que você ache mesmo ótimo – ela provocou – Você é tão zonzo, que dificilmente vai aparecer. Ele riu do outro lado da linha e respondeu – Deixa comigo. Sou homem de palavra. - Vamos ver, vamos ver – ela emendou – Putz, preciso desligar. - Desliga, não – ele pediu. - Preciso. A porra do meu chefe está me cobrando uma porra de um relatório. Preciso terminar. - Ok – ele disse – Quando você vem mesmo? – perguntou. - Sexta feira. Estarei lá por volta das sete e pouco da noite. Vou fazer o seguinte. Vou te esperar do lado de fora. Não mais que dez minutos. Não mais que dez minutos. E você não tem desculpa, porque trabalha a um quarteirão do local. Logo, se não aparecer, é porque não está a fim de encon...