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NÃO SÃO TEMPOS COMO QUAISQUER OUTROS

OUÇA:  spang sisters || king prawn the 1st Ela jogou o livro de lado irritada, ajeitou os cabelos tortos pela cama e levantou-se. Aflita. Ela estava aflita e sem paciência. Nenhuma paciência. Andou de um lado ao outro do quarto procurando algo para pensar, algo para tocar, algo para lembrar, algo para fazer. Não pensou em nada ou, infelizmente, pensou sim tão logo percebeu o baú cor de palha encostado junto a parede. Lembrou das dezenas de fotos e bilhetes e bobagens que estavam ali guardadas. Pensou em abri-lo e considerou que esta seria uma boa ideia. Aproximou-se do baú e percebeu o que estava prestes a fazer. Parou brusca e riu da própria tolice em achar que as velhas lembranças podiam ajudar, ainda que em desespero. Não, nada que lembrasse aquela pessoa poderia ser bom naquele momento - considerou. Culpou o tédio pela burrice. Voltou a si. Sorriu e agradeceu a sei lá quem por ter voltado ao seu juízo normal a tempo. Saiu do quarto. Foi em direçã...

A GAROTA VESTE PRETO

OUÇA:  mini dresses || sad eyes Tr ê s e meia da manh ã e l á estava ela. Acesa. Acordada. Acordada em plena madrugada, ainda mais uma vez. Estava em p é observando a cena de guerra em que havia se transformado o seu quarto. Cena de horror. Roupas por todo lado. Uma pilha enorme de pe ç as, parte espalhada sobre a cama e parte jogada no ch ã o, pr ó ximo da parede em que estava apoiado o estojo do seu violino. Tudo por todo o lado. Roupas por todo o canto. Roupas pretas, em sua grande maioria. Sua cor predileta. A sua cor predileta. E ela estava acesa. Muito acordada à s tr ê s e meia da manh ã . Sabia, no fundo, que estava perdendo tempo ali, parada e observando, pois metade daquelas roupas n ã o ia caber na mala que ela (tentava) preparar para encarar aquela viagem. Pensou - “ ... mas... ainda h á tempo. A porra do ô nibus vai sair à s oito. Ainda d á tempo ”. E havia mesmo tempo. Tempo suficiente para tudo. - Menos para n ã o sentir med...

SERPENTINA

 OUÇA:  barbara eugênia || recomeçar - Você enlouqueceu? – Sofia perguntou de modo ligeiro, após a breve frase da amiga de longa data, a suave Helô - Há quanto tempo você me conhece para vir com este papo de carnaval, bloco e o caralho? Dez? Quinze anos? Mais? Não entendeu nada ainda, meu doce? – prosseguiu em sua fala usualmente ranzinza. Helô, habituada, não deu a menor bola para a amiga. Deu de ombros e continuou o que estava fazendo, escolhendo colares e adereços coloridos que estavam no fundo do seu armário. - Você está me ouvindo Heloisa? Eu vou para a minha casa. Não vou ficar aqui e não vou a bloco nenhum de carnaval, nenhum. Ok? – pontuou, tentando ser enfática. - Pára de ser histérica e dramática Sofia. Pára. Nós vamos sim. E vai ser fucking delicious . A vida continua. Continua. Esquece o que tem que ser esquecido e vamos dançar. Sofia olhou para o teto, contrariada. Sem paciência, percebeu que o jogo já estava perdido. - Vai. Diz logo, amor. Este cola...

E O QUE ACONTECE QUANDO A CÂMARA CRIOGÊNICA DEIXA DE FUNCIONAR?

OUÇA:  rosalyn || LoverFriend Do nada. E ela olhou novamente para a tela azul do seu laptop e respirou fundo. Muito fundo e sem acreditar no que viu. Muito sem acreditar no que viu. Assustou e quase derrubou o seu copo de vodka estrategicamente posto ao seu lado. Estremeceu brusca os seus joelhos dobrados e quase derrubou o laptop que estava confortavelmente apoiado em suas coxas até então relaxadas. Até então. Até então, relaxadas. Agora? Não mais. Respirou fundo e buscou com a sua mão esquerda ligeiramente ansiosa o maço de cigarros que estava caído ao seu lado por sobre o gasto tapete cor carmim. Tateou por instantes e encontrou a bendita caixa, sem sequer olhar. Com a direita, correu o touchpad para cima e para baixo, lendo e relendo os nomes que pulavam na sua caixa de entrada. Não acreditava no que acabara de ler. Não. Não acreditava. Um nome. Apenas um nome. Aquele nome. Deixou a seta pousada sobre ele e decidiu esperar antes de clicar. ...