Pular para o conteúdo principal
SURPRESAS INDESEJÁVEIS

Nada pode ser tão simples assim. Nada. Nada pode ser tão simples e tão fácil. A vida não é fácil, mas nem fodendo. Quem diz isso ou está com febre ou drogado ou bêbado ou é apenas imbecil. A vida não é, simplesmente, como nós a imaginamos. Digo sobre a vida que desejamos ter. A vida que imaginamos querer. A fumaça que escorre entre os dedos é a fumaça das horas, dos minutos e dos segundos que passam, cruéis, enquanto aguardamos a porra do fim. Os letreiros finais. O começo dos créditos. A trilha sonora. Não importa quantos cigarros ou quantos beijos ou quantos gozos ou quantos copos. Simplesmente não importa. A vida não é, definitivamente, como nós imaginamos. Caralho, dependemos de outros, não só de nós. E é aí que tudo fode. É aí que tudo vai para o espaço. A vida poderia ser um jogo virtual, uma espécie de Pac-Man do avesso, sob nosso total controle. Apenas diversão. Just for fun. Mas a cama em que ela acorda não é cama em que ela quer acordar. A bebida que ele bebe não é a bebida que ele quer beber. A estrela que ela enxerga não é da constelação que ele imagina. As merdas que ele escreve não têm o menor sentido. A sua babaquice tem toda uma razão de ser. Nada pode ser tão simples assim. Nem a chuva, nem a noite, nem as garotas, nem os sonhos. Apenas uma coisa pode ser assim: o silêncio. Talvez a coisa mais simples do mundo e a melhor de todas as desculpas. Ninguém jamais vai me acusar de falar demais. Graças a Deus (se é que ele ainda está alive and kicking).

Nada pode ser tão simples assim.

Ela jamais poderia ter dito que me amava. Jamais.

Quebrou todos os meus medos e acabou com minhas desculpas.

Porra...

Maldita seja a sua sinceridade...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O QUE VEM DEPOIS DO RELÂMPAGO?

OUÇA: alexander biggs || low Assim, de repente, ela lembrou. ... Ela lembrou que choveu muito naquela tarde. Muito mesmo. Mais do que em qualquer outro dia da sua vida que não aquele. Cruel. Ela lembrou que o tempo estava bom até então, mas o céu, caprichoso, optou pela rebelião. O céu, assim de repente, tornou-se cinza. Absurdamente cinza. Cinza chumbo, quase noite. E choveu muito, mas muito mesmo naquela tarde. Como jamais ela pensou que poderia chover naquela época do ano ou em qualquer outra época, na verdade. Maldade. Ela recordou que estava no Parque Central, quieta, apenas pensando nas verdades que havia ouvido horas antes e arquitetando uma fuga mirabolante do viciado e repetitivo labirinto caótico em que a sua vida tinha se transformado. Lembrou-se, também, que não tinha feito tanto sol e nem tampouco estava abafado e, portanto, não havia razão para tantas nuvens no céu capazes de provocar aquela tempestade gigantesca que se formou. Não mesmo. Ironia. Mas, ainda assim, tudo ac

TIJOLOS APARENTES

OUÇA:  kate bollinger || candy - Então? – ela perguntou com um olhar indisfarçável de carinho e cuidado, antes de abrir a porta para ele sair. Ele sorriu, meneou a cabeça e não soube responder de primeira. - Então? – ela insistiu e continuou – Não vai me dizer nada? Nada? Ele levantou a cabeça e a olhou com a maior ternura do mundo e respondeu – Eu adorei. Simplesmente adorei. Ela não escondeu um sorriso genuíno e disse – Fico contente. Você nem imagina o quanto. Nem imagina. - Imagino sim. Imagino sim. - Do que mais gostou? – ela prosseguiu em sua suave inquisição. Doce inquisição. - Do que mais gostei? – ele repetiu. Ela assentiu com a cabeça e disse – Sim. Não vou deixá-lo ir embora sem me responder. Não posso. Você ficou aqui a tarde toda comigo e eu apenas adoraria saber. Ele a olhou com carinho e ternura. Disse, divertido – Do que mais gostei? Bem, além de você servir um adorável capuccino ? Ela sorriu e emendou – Deixa de ser bobo. Não foi capuccino nenhum. Fale. Eu sinto no se

O FIM

Este site acaba (acaba?) aqui Como começou. De forma rápida, discreta, surpreendente e sem nenhum alarde. E agora, depois de quase vinte anos, ele vai embora da mesma forma rápida e discreta, mas... (pausa dramática) ...com uma tremenda diferença. Agora, com MUITO alarde, este site acaba aqui, mas suas ideias vão continuar no ar. “Outro Endereço, Outra Vida” como já dizia o título da canção da banda Fellini. O Somente Varsóvia , bem como o Clube Varsóvia com as suas festas, suas lágrimas, seus encontros, seus desencontros, vai continuar a existir nas mentes deliciosas de vocês e, a partir de agora, no site: UNANIMIDADE EM VARSÓVIA Sim, com muita honra e privilégio eu e Lúcio Goldfarb, escritor, diretor e muito mais, juntamos os nossos sites. Ele, que escreve desde 2013 o seu Toda Unanimidade e eu, que escrevo o meu Somente Varsóvia desde 2003, fundimos nossos espaços para dar lugar ao UNANIMIDADE EM VARSÓVIA, site no qual escreveremos e compartilharemos nossos textos, letras, vídeos,